Ano após ano, as Testemunhas de Jeová aumentaram numericamente em todos os países do mundo, apesar disso não ocorrer de forma rápida e significativa. (Apenas 0,01% da população do mundo é "Testemunha de Jeová", ou seja, adere à religião da Torre de Vigia). No entanto, a partir do ano de 1996 ela começou a crescer menos e está em queda até agora. Também está diminuindo em muitos países, conforme visto na tabela abaixo, extraída dos relatórios oficiais da Torre de Vigia. Note que em quase todos os países da amostra os resultados foram piores a partir de 1996. Em 2002 houve uma súbita, porém, momentânea recuperação. O que influenciou esses números, especialmente no ano de 1996? Isso é que será tratado nesse artigo.
Evolução
em Alguns Países (crescimento em %) |
||||||||||||
1995 |
1996 |
1997 |
1998 |
1999 |
2000 |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
2006 |
|
| Alemanha | 1 |
0 |
0 |
-1 |
0 |
-1 |
-1 |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
| Bélgica | 2 |
-1 |
-1 |
-2 |
-1 |
-2 |
-2 |
-1 |
0 |
0 |
-1 |
-1 |
| Brasil | 6 |
6 |
6 |
4 |
6 |
5 |
3 |
5 |
4 |
4 |
2 |
2 |
| Canadá | 2 |
1 |
0 |
-1 |
0 |
-1 |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
0 |
| Estados Unidos | 3 |
1 |
1 |
0 |
2 |
0 |
0 |
3 |
2 |
0 |
0 |
1 |
| Finlândia | 3 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
1 |
0 |
-1 |
0 |
-1 |
0 |
| Holanda | 1 |
-1 |
-1 |
-2 |
-1 |
-1 |
-1 |
1 |
1 |
0 |
-1 |
0 |
| Inglaterra | 2 |
0 |
-1 |
-1 |
0 |
-1 |
-1 |
1 |
0 |
0 |
1 |
1 |
| Itália | 3 |
3 |
2 |
2 |
0 |
0 |
0 |
1 |
1 |
0 |
1 |
1 |
| Japão | 6 |
4 |
4 |
0 |
0 |
-1 |
-1 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
| Portugal | 3 |
3 |
2 |
0 |
2 |
0 |
0 |
2 |
1 |
0 |
-1 |
0 |
| Suécia | 2 |
0 |
-1 |
-2 |
-1 |
-1 |
-1 |
0 |
1 |
-1 |
-1 |
0 |
| Suíça | 2 |
1 |
-1 |
-2 |
-1 |
-2 |
-2 |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
O que estaria causando os decréscimos que começaram a ocorrer em 1996? Certamente, não se trata apenas de uma saturação, ou "territórios muito trabalhados", como as Testemunhas costumam dizer, e por isso crescem menos, ou estão em decréscimos. Há fatores externos e internos que podem influenciar nos resultados de crescimento da Torre de Vigia, conforme será comentado a seguir.
2002 - Influência externa
Uma evidência de que o declínio assistido a partir de 1996 não é resultado de se ter alcançado a capacidade máxima de crescimento ("território muito trabalhado") encontra-se na própria tabela acima. Os mesmos países que começaram a declinar a partir de 1996 viram uma inesperada melhora nos resultados em 2002. (vide a tabela). O que causou essa recuperação? Nesse caso foi um fator externo, amplamente divulgado nos noticiários: os ataques às torres gêmeas do World Trade Center, atribuídos a terroristas ligados a Osama bin Laden. Todos sabem que aquele acontecimento gerou uma nova sensação de insegurança no mundo, e muitos religiosos vêem isso como prenúncio do "fim do mundo". Normalmente, esses sentimentos de temor fazem que os rebanhos das igrejas cresçam e se avive a "espiritualidade" de muitos. As Testemunhas de Jeová foram beneficiadas por esse acontecimento, e a Torre de Vigia sabe disso. É tanto que pouquíssimo tempo depois dos ataques de 11 de setembro a revista Despertai! de 8 de janeiro de 2002 publicou uma matéria de capa sobre esse atentado terrorista, numa foto de capa que chama a atenção para aquela tragédia. - Nota 1.
Portanto, o que contribuiu para os resultados melhores de 2002 foi o que aconteceu em setembro de 2001. Uma análise semelhante pode ser feita para explicar o que aconteceu em 1996. A única diferença é que 1996 sofreu influência de um fator interno, ou seja, criado pela própria Torre de Vigia. - Nota 2.
1996 - influência interna
"Criam os cristãos do primeiro século que o fim deste sistema iníquo viria dentro do seu período de vida?"
Essa foi a pergunta de um leitor à revista A Sentinela, publicada em 1º de outubro de 1989 (p. 30), e embora poucos tenham percebido era o primeiro sinal de que uma grande mudança em um ensino da Torre de Vigia estava para acontecer.
Logo no primeiro parágrafo a Torre de Vigia responde a pergunta da seguinte maneira: "Alguns deles realmente concluiram que o fim era iminente, que viria logo. O seu conceito tinha de ser corrigido. Mas certamente não é mau para cristãos, de então de hoje, crer sinceramente que o predito fim deve ser considerado perto." Perceba que dentro da resposta incluiu-se o que pensam ou devem pensar os cristãos de hoje, ampliando o alcance da pergunta do leitor que centrou-se nos cristãos antigos, e não nos de hoje. Evidentemente, esse comentário não foi posto ali por acaso, e o próprio leitor que fez essa pergunta talvez tivesse o seguinte em mente: "Se os cristãos do primeiro século estavam equivocados nessa expectativa, não estaríamos nós hoje comentendo o mesmo erro?". Pelo visto a Torre respondeu que mesmo que os que crêem assim estejam errados, o importante é "crer sinceramente", sob a justificativa de se estar vigilante. Essa linha de raciocínio é confirmada em outros parágrafos na resposta de duas páginas da Sociedade Torre de Vigia. - vide o parágafo 9 do artigo da Sentinela em apreço.
Concluindo a resposta a Sentinela afirmou: “Em vez de nos preocupar em adivinhar exatamente quando virá o fim, devemos atarefar-nos na pregação das boas novas.... Temos amplas razões para esperar que esta pregação seja terminada em nossos dias. Significa isso antes da virada de um novo mês, um novo ano, uma nova década, ou um novo século? Nenhum humano sabe.... Ademais, não há necessidade de sabermos, enquanto continuamos a fazer o que o Senhor nos manda concentrar em fazer.” (p. 31, §§ 11, 12).
No entanto, contraste as palavras acima com o que a Torre de Vigia vinha publicando ao longo dos anos sobre a data para o "fim do mundo":
Percebe-se que até janeiro de 1989, a Torre de Vigia estimulava exatamente o que passou a desencorajar em outubro de 1989, ao responder àquele leitor. Se ela não marcava uma data específica, claramente delimitava um período dentro do qual o "fim do mundo" ocorreria, dizendo que a humanidade nem sequer alcançaria o ano 2000. Mas isso, por fim, começou a mudar a partir de 1989, e não demoraria para o prefácio da revista Despertai! ser modificado.
Em suma, esse artigo estava dizendo que a Torre de Vigia não tinha mais certeza que o fim viria 'antes que desaparecesse a geração que viu os acontecimentos de 1914', e que ele estaria bem mais à frente, no futuro. Foi isso o que disse as entrelinhas do artigo, embora a maioria das Testemunhas de Jeová não tenham percebido.
Para que não haja nenhuma dúvida que ao término de 1989 a Torre de Vigia já não acreditava nas palavras acima, basta assistir o vídeo "Testemunhas de Jeová - a Organização que Leva o Nome", lançado em 1990. (vide a Sentinela 01/10/92, p. 30) Em um dado momento desse filme se apresenta ao expectador a produção das revistas "Despertai!" e "Sentinela" nas gráficas da Torre de Vigia. Ao se falar de cada revista, o narrador lê as palavras dos prefácios contidos nelas, ou seja, as palavras que descrevem o motivo delas serem publicadas. Para quem viu o filme de maneira atenta, percebeu que o narrador não leu a parte da Despertai! que fala que "o fim" viria antes que a geração de 1914 acabasse. Como essa fita ficaria para a posteridade das Testemunhas de Jeová, evidentemente não seria apropriado que um conceito errôneo ficasse gravado naquele vídeo de boa qualidade.
Embora não se saiba ao certo o motivo, os anos foram se passando e a Torre de Vigia não anunciava o fim do ensinamento da "geração de 1914" para as Testemunhas de Jeová, embora as mais atentas já tivessem percebido o que a Torre planejava. No início da década de 90, escutaram-se relatos de Testemunhas de Jeová que foram desassociadas (excomungadas) porque começaram a repudiar esse ensinamento da "geração de 1914". Ou seja, foram punidas por estarem certas, porém, adiantadas...
Pelo visto, a Torre queria preparar terreno para essa mudança, pois a promessa da "geração de 1914" era praticamente uma data marcada para o Armagedom, pois as pessoas que viram os acontecimentos de 1914 não durariam muito tempo. Esse ensino dava margem para se tentar "advinhar" quando viria o fim. Até os membros da dianteira em Brooklin gostavam de ver estatísticas demográficas, para saberem em que patamar estava a população daqueles idosos de 1914. Gradualmente a Torre foi publicando matérias relacionadas ao fim que não mais mencionavam o ensino da "geração de 1914". Para as Testemunhas atentas era um indício que o ensino estava "morrendo", embora para os líderes de Brooklin fosse um ensino que já estava "morto" e só faltava ser "enterrado". Sobre o "fim do mundo" e o cumprimento das promessas de Deus, o então presidente da Sociedade Torre de Vigia, Frederic Franz, disse:
"É algo que vale a pena aguardar, nem que requeira um milhão de anos. Eu prezo a nossa esperança mais do que nunca, e jamais quero perder meu apreço por ela." - A Sentinela 15/12/91, p. 11. (Franz nasceu em 1893, e, portanto, fazia parte da "marcada" geração de 1914).
Fred Franz já tinha crido que a humanidade nem sequer chegaria à década de 90 (A Sentinela, 15/09/75, p. 552, § 7), e agora dizia que estava disposto a esperar um milhão de anos para que ocorresse o que certa vez ele aguardou para menos de um década. Sem dúvida, essa palavras reforçaram mais ainda o que estava por vir.
A matéria de capa da Sentinela 01/05/92 tinha o seguinte tema: "O ano que abalou o mundo". Era um artigo sobre o ano de 1914. Como de costume foi dito que 1914 é um ano marcado pela profecia bíblica, que as Testemunhas o pregaram décadas antes, e toda aquela estória. Mas o que chama a atenção é que o artigo diz o seguinte: "Antes de a geração de 1914 deixar de existir, a obra de pregação do Reino terá alcançado seu objetivo". (p. 7, § 4) Isso aparentemente contradiz o fato da Torre de Vigia ter repudiado secretamente esse ensino já em 1989. Mas note o seguinte, a declaração acima não é tão enfática como declarações anteriores da Torre de Vigia. Ela não disse que o "fim do mundo" viria antes da geração de 1914 acabar, mas que 'a pregação do Reino teria alcançado seu objetivo' até lá. Isso atenua um pouco a afirmativa. Além do mais, há três artigos de estudo nessa edição da revista A Sentinela que tratam exatamente desse assunto do "fim do mundo", e eles não fizeram nenhuma menção do ensino da "geração de 1914", embora o ano de 1914 seja mencionado no estudo como parte da profecia bíblica.
*Observação: Os artigos de estudo que aparecem nas revistas A Sentinela, com perguntas ao pé de página, são os que as Testemunhas de Jeová realmente estudam nos salões do reino. Muitas Testemunhas nem chegam a ler os artigos de capa. Os artigos de estudo, porém, mesmo que não sejam lidos em casa sempre são considerados nas congregações.
A provável resposta que explica porque a matéria de capa da revista A Sentinela menciona o ensino da "geração de 1914 antes vir o fim", e os artigos de estudo não, se encontra num anúncio feito na edição anterior da Sentinela, de 15 de abril de 1992, página 31. Lá foi dito que o Corpo Governante (grupo que elabora os ensinos oficiais das Testemunhas de Jeová) contaria com a ajuda de membros comuns das Testemunhas que trabalham há bastante tempo na sede mundial. Eles participariam nas comissões de ensino, redação e outras, departamentos que até então eram somente ocupados por "ungidos" (i.e., os que normalmente fazem parte do Corpo Governante). Esses novos colaboradores fazem parte de um grupo chamado de "outras ovelhas" pelas Testemunhas de Jeová, e representa mais 99% de todas as Testemunhas de Jeová no mundo.
Em outras palavras, a mudança anunciada significa que pessoas que não fazem parte dos líderes "ungidos" das Testemunhas, passariam a escrever matérias e participar mais ativamente das atividades de ensino do Corpo. Naquele momento de transição não é difícil que algum desses membros que foram promovidos a fornecedores de "alimento espiritual" é que tenham escrito a matéria de capa da Sentinela posterior ao anúncio (01/05/92). Como esses novos membros importantes de Brooklin dificilmente participam de todas as reuniões secretas do Corpo Governante, é possível que eles ainda não tivessem sido informados dos planos no Corpo Governante em mudar esse ensinamento. Já os artigos de estudos da revista podem ter sido escritos por alguém que realmente era do Corpo Governante, e, portanto, sabia da mudança que estava por vir.
Os que estão mais atentos às entrelinhas e estão bem familiarizados com a Torre de Vigia e seus ensinos, a importante mudança acima, anunciada pela Sentinela, é, na verdade, uma evidência adicional de que os membros "ungidos" da liderança em Brooklin sabiam que o caminho até o Armagedom seria mais longo do que eles inicialmente imaginavam. Por que se diz isso? Porque a maioria deles são pessoas idosas que brevemente não existirão mais, pois morrerão. Era preciso urgentemente incumbir membros de confiança das "outras ovelhas" (que não são "ungidos.") para as atividades de liderança mundial e de escrita dos artigos que compõem o "alimento espiritual" das Testemunhas de Jeová. Esse processo de delegação está em curso até agora, e brevemente será concluído, à medida que os anos se passarem e o "fim" não chegar. Até a presidência jurídica da Sociedade Torre de Vigia dos EUA, não é mais ocupada por "ungidos". - Nota 3.
Será que o que vinha ocorrendo até o ano de 1992, de forma velada, fez com que as Testemunhas sofressem decréscimos em suas estatísticas? Os números mostram que sim. Note o crescimento mundial da Torre de Vigia entre 1990 e 1993:
| 1990 |
1991 |
1992 |
1993 |
6,1% |
5,9% |
5,4% |
4,5% |
Chega o ano da mudança
Chega o ano de 1995. Os meses se passam e a Torre de Vigia parece que irá manter por mais um ano o ensino moribundo da "geração de 1914". No entanto, na revista A Sentinela, de 1º de novembro de 1995, é publicado o artigo "Salvos de uma 'geração iníqua' ", no qual a Torre de Vigia finalmente altera o ensino de que a geração de 1914 presenciaria o "fim do mundo". Que essa mudança viria era óbvio, mas sob qual perspectiva a mudança seria feita?
Qualquer um que estivesse atento ao assunto sabia que o motivo básico que exigia uma mudança era o fato da a geração de 1914 já está no seu fim. Além disso, todo estudante sério da Bíblia sabe que nenhum homem sabe em que dia virá o fim desse sistema de coisas, pois não cabe a nenhum cristão conhecer "os tempos e as épocas" que só cabe ao Pai saber. (Mateus 24:36; Atos 1:7) A Torre de Vigia reconheceu humildemente esses motivos? Primeiramente ela buscou no termo grego para "geração" (geneá) um "motivo" que justificasse a mudança, e depois citou algumas passagens das Escrituras que mostram que o termo "geração" não pode se limitar a um período específico de anos, mas que significa simplesmente os contemporâneos dos cristãos em determinada época. Em nenhum momento foi mencionado os dois motivos citados no parágrafo anterior. Ainda por cima, na segunda parte do estudo da Sentinela (no artigo "É hora de manter-se desperto") foi dado o seguinte conselho às Testemunhas de Jeová:
"O povo de Jeová, ansioso de ver o fim deste sistema iníquo, às vezes tem especulado sobre quando irromperia a 'grande tribulação', até mesmo relacionando isso com cálculos sobre a duração da vida duma geração desde 1914. No entanto, "introduzimos um coração de sabedoria", não por especular sobre quantos anos ou dias constituem uma geração, mas por refletir em como "contamos os nossos dias" em dar alegre louvor a Jeová. (Salmo 90:12) Em vez de estabelecer uma regra para a medição do tempo, o termo 'geração', conforme usado por Jesus, refere-se principalmente a pessoas contemporâneas dum certo período histórico, com as características identificadoras delas." - A Sentinela, 01/11/95, p. 17, § 6 (do estudo).
Agora veja em termos de crescimento mundial o que aconteceu a partir de 1996:
1995 - Mudança no ensino da geração de 1914.
1999 - Novo milênio chegando.
2001 - Ataque das Torres Gêmeas.
2004 - Tsunami na Ásia.
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Nota 1: Embora alguns possam achar que a matéria do 11 de setembro na Despertai! foi tardia em relação ao atentado, os que acompanham as publicações de Torre de Vigia sabem que a Torre tem o hábito de publicar eventos importantes do cotidiano internacional bastante tempo depois da data de ocorrência dos mesmos (as edições das revistas costumam ser impressas com dois ou três meses de antecedência, e isso também contribui para o atraso). Tome como exemplo a queda do muro de Berlim, um evento altamente importante na história contemporânea que aconteceu em novembro de 1989, e que ao contrário do 11 de setembro gerou expectativas positivas nas pessoas. Veja que somente em 8 de janeiro de 1991 a Torre de Vigia publicou uma matéria de capa na revista Despertai! sobre esse assunto. Por coincidência, foi exatamente no ano de 1989 que a Torre de Vigia começou a criar as condições para o que aconteceu em 1996.
Nota 2: Não seria surpresa se o ano de 2005 tivesse um resultado melhor que o ano anterior, em virtude do grande terremoto, seguido de tsunami, que ocorreu na Ásia. O noticiário deu grande destaque a essa tragédia, mencionando, por exemplo, que o eixo da Terra sofreu uma pequena inclinação em virtude da força daquele abalo sísmico. Alguns até exageraram, dizendo que essa foi a maior tragédia natural de todos os tempos. Cenários aterradores desse tipo costumam levar de volta para os Salões do Reino aquelas Testemunhas de Jeová em potencial, que por alguma razão deixaram de se associar, pessoas cuja "espiritualidade" costuma ser estimulada por temores relativos ao "fim do sistema de coisas".
Atualização (23/07/2007): Quando a primeira versão deste artigo foi escrita as tabelas só iam até o ano de 2004. Na tabela atualizada percebe-se que previsão de aumento geral em 2004 (por conta da Tsunami) não se concretizou plenamente. No entanto, parece que essa tragédia serviu ao menos para "segurar" os resultados. Percebe-se que o índice se manteve praticamente o mesmo, apenas 0,2% abaixo do percentual do ano anterior. Note na primeira tabela do artigo, com que contém uma amostra de países, que quase todos ficaram apenas no "zero". No ano de 2005 o crescimento já caiu para 1,3%, quando a percepção de devastação da Tsunami já tinha ficado fraca na mente daqueles que correm para o Salão do Reino ao menor sinal do fim do mundo se "aproximando"...
Nota 3: Logicamente quando essa transferência de poderes estiver concluída encontrarão algum texto bíblico para justificá-la, e talvez uma situação paradoxal ocorra. Qual seria? Os chamados membros "ungidos" das Testemunhas de Jeová formam o simbólico "escravo fiel e discreto" que alimentam "espiritualmente" com matérias e artigos todas as Testemunhas de Jeová. Mas ao redor do mundo existem muitas Testemunhas que afirmam fazer parte dos "ungidos" que não ocupam qualquer cargo de importância na Torre de Vigia. De fato, vários deles vivem no esquecimento e passam muitas privações. Sendo assim, poderá chegar o dia em que esses membros "ungidos" menos importantes serão alimentados por pessoas que não são "ungidas" (pois são das "outras ovelhas"). Isso será um paradoxo que os então no comando das Testemunhas de Jeová terão que resolver, evidentemente buscando alguma justificativa bíblica para isso.