AS "DOZE TRIBOS DE ISRAEL" - RESPOSTA DO TESTE

Sabe a resposta? Bem, segundo a Sociedade Torre de Vigia dos EUA o item correto é o “d” (“Todas as opções anteriores”). As doze tribos representam “os ungidos”, “as outras ovelhas” e toda a humanidade. Para a Torre de Vigia não existe o item “e” (“Os judeus naturais”).

Primeiramente, a Torre de Vigia ensina que os que se sentarão em tronos e julgarão serão todos os fiéis cristãos ungidos. (A Sentinela, 01/03/87, p. 27, § 5 [§ 10 do estudo]; Clímax de Revelação, p. 288, §§ 3, 4 [§§ 8, 9 do estudo].) Depois diz que as 12 tribos representam “a congregação mundial de cristãos ungidos” (Clímax de Revelação, pp. 117-118). Ou seja, os que forem julgados serão julgados por si mesmos. Ao mesmo tempo, é fornecida outra interpretação a essa passagem:

“‘As doze tribos de Israel’, representando todos os povos da humanidade, hão de ser julgadas por Cristo e pelos seus subsacerdotes leais.” - A Sentinela, 01/03/87, p. 28.

“‘As doze tribos de Israel’ [de Lucas 22:30] têm o mesmo significado que em Mateus 19:28, onde a aplicação inclui, além dos subsacerdotes de Jesus, gerados pelo espírito, todos os outros da humanidade.” – Ministério do Reino, 12/97, p. 5, “Recapitulação da Escola do Ministério Teocrático” (pergunta nº 2).

Finalmente, ela chega a conclusão que as 12 tribos representam as “outras ovelhas”, ou “os que tem esperança de vida eterna na Terra”. – A Sentinela, 01/03/99, p. 14, § 7 [§ 12 do estudo].

Então, a Torre de Vigia acha que as “12 tribos de Israel” representam, ao mesmo tempo, os “ungidos”, toda a humanidade e as “outras ovelhas”.

Pode uma simbologia bíblica representar várias coisas simultaneamente, sem nenhum lapso de tempo? Soa bem o entendimento de que as “12 tribos de Israel” representam “todos os povos da humanidade”? Há necessidade de todo esse labirinto de interpretações? Por outro lado, forneceria a Bíblia uma visão clara e objetiva?

Observe em qual perspectiva Paulo encarou a infidelidade e a rebeldia dos judeus, e a situação de favor em que os cristãos se encontravam (é aconselhável ler o livro de Romanos com extrema atenção, para ver o contexto):

“Porque não é judeu aquele que o é por fora, nem é circuncisão aquela que a é por fora, na carne. Mas judeu é aquele que o é no íntimo, e a sua circuncisão é a do coração, por espírito, e não por um código escrito. O louvor desse não vem de homens, mas de Deus.... A própria coisa que Israel está buscando seriamente, não obteve, mas os escolhidos [os cristãos] a obtiveram. Os demais [os judeus naturais] tiveram as suas sensibilidades embotadas.... tropeçaram eles [os judeus naturais], de modo que caíram completamente? Que isso nunca aconteça! Mas, por seu passo em falso há salvação para pessoas das nações, para incitá-los ao ciúme [i.e., incitar os judeus ao ciúme]. Agora falo a vós, os que sois pessoas das nações.... tu [homem das nações], embora sendo oliveira brava, foste enxertado entre eles [passando a ser povo de Deus].... não exultes sobre os ramos [os judeus naturais].... Cessa de ter idéias altivas, mas tem temor. Pois, se Deus não poupou os ramos naturais, tampouco te poupará a ti.... Eles [os judeus naturais], também, se não permanecerem na sua falta de fé, serão enxertados novamente.... Não quero, irmãos, que sejais ignorantes deste segredo sagrado, a fim de que não sejais discretos aos vossos próprios olhos: que a obtusão das sensibilidades aconteceu em parte a Israel, até que tenha entrado o pleno número de pessoas das nações, e desta maneira é que todo o Israel será salvo. Assim como está escrito: ‘O libertador sairá de Sião e afastará de Jacó as práticas ímpias. E este é o pacto da minha parte com eles, quando eu tirar os seus pecados.’ Verdadeiramente, eles, com referência às boas novas, são inimigos por vossa causa, mas, com referência à escolha de Deus, [os judeus naturais] são amados por causa de seus antepassados. Pois os dons e a chamada de Deus não são coisas que ele deplorará. Pois, assim como fostes uma vez desobedientes a Deus, porém, mostrou-se agora misericórdia para convosco por causa da desobediência deles, assim também estes têm sido agora desobedientes, resultando em misericórdia para vós, para que se mostrasse agora também misericórdia para com eles. Porque Deus encerrou todos juntos na desobediência, a fim de mostrar misericórdia para com todos eles.” – Romanos 1:28, 29; 11:7, 11, 13, 20, 21, 23, 25, 26, 27-31.

Compreendeu o texto acima? É preciso alguma interpretação adicional? Ou ele é claro por si mesmo? É isso mesmo que está aí em cima. Não precisa buscar explicações mirabolantes.
Paulo disse que depois que entrasse “o pleno número de pessoas das nações”, é que todo o Israel seria salvo, tanto o espiritual, como o natural (ao arrepender-se). Evidentemente, esse pleno número ainda não foi alcançado.

As 12 tribos de Israel que serão julgadas podem ser as antigas tribos de Israel mesmo. Pelos comentários de Paulo, percebe-se que a restauração do povo judeu, em virtude de seu arrependimento, é uma possibilidade concreta. Muitos comentaristas bíblicos entendem assim, exceto os da Sociedade Torre de Vigia do EUA. Ela própria tinha esse entendimento nas suas primeiras décadas de existência, e só passou a negá-lo quando o seu ministério junto aos judeus naturais não foi bem sucedido (ela enviava até missionários para Israel). Isso forçou Rutherford a espiritualizar as profecias referentes a Israel, e não mais as encarar de forma literal, o que foi adequado para a Torre de Vigia, pois acabou por sedimentar o conceito de que há uma classe dominante sobre as Testemunhas de Jeová, chamada “Israel espiritual”, a quem todas as Testemunhas devem obediência. Na prática, significa obedecer a Torre de Vigia mesmo.

As explicações que a Torre dá sobre essas “doze tribos” são confusas exatamente porque não estão de acordo com as Escrituras, mas de acordo com especulações proféticas. As palavras da Bíblia sobre esse assunto são muito claras: “Não obstante, pergunto: Será que Israel ficou sem saber? Primeiro, Moisés diz: ‘Eu vos incitarei ao ciúme por intermédio daquilo que não é nação; eu vos incitarei à ira violenta por intermédio duma nação estúpida.’ Mas, Isaías torna-se muito ousado e diz: ‘Fui achado por aqueles que não me buscavam; tornei-me manifesto aos que não perguntavam por mim.’ [isto é, os cristãos – o Israel espiritual] Mas, com respeito a Israel [isto é, o Israel natural], ele diz: ‘O dia inteiro estendi as minhas mãos para um povo desobediente e contradizente.’ Pergunto então: Será que Deus rejeitou o seu povo? Que isso nunca aconteça! [Paulo está aqui a falar claramente dos judeus naturais] Pois eu também sou israelita, do descendente de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, ao qual primeiro reconheceu.” (Romanos 10:19-22; 11:1, 2). Só uma pequena parcela do Israel natural (um “restante”) aceitou o cristianismo, é verdade. No entanto, com a segunda vinda de Cristo a situação pode mudar, como muitos comentaristas acham.

Essa breve consideração mostra quão certas são as palavras inspiradas do apóstolo Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça.” (2 Timóteo 3:16) Embora nem todos os assuntos bíblicos sejam equacionados de forma tão fácil, há passagens que não precisam de interpretações arriscadas, pois a própria Palavra de Deus fornece a explicação. Em todo o resto é sábio seguir a regra: “Não vades além das coisas que estão escritas.” – 1 Coríntios 4:6.

 


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