O Pim - medida de valor nos tempos bíblicos
(A Sentinela, 15 de março de 2005, p.29)

Segundo a Bíblia, no Israel antigo certos serviços eram pagos com um "pim". (1 Samuel 13:21). Durante muito tempo não se sabia exatamente o que era isso. Até tradutores da Bíblia não sabiam o que fazer com esse termo. A chave para entender o que era o "pim" veio em 1907, através de escavações arqueológicas na antiga cidade de Gezer. Naquele ano foi encontrado o primeiro "pim".

O Pim era "uma medida de peso com 7,82 gramas em média, ou aproximadamente dois terços de um siclo, uma unidade básica de peso, hebraica." Os filisteus cobravam um pim de fragmentos de prata para afiarem as ferramentas dos israelitas. Esse sistema de mensuração deixou de ser usado depois da destruição de Jerusalém. (Como quase sempre, a Torre de Vigia faz questão de mencionar que isso ocorreu em 607 AEC. Sobre esse assunto, considere este artigo. Se você for Testemunha de Jeová leia aqui antes).

Alguns críticos da Bíblia dizem que o livro de Samuel não foi escrito na época que o livro dá a entender, mas que ele é produto de escritores de uma época posterior, chamada "helenística-romana". No entanto, a descoberta do "pim" se opõe a esse conceito. Conforme diz William G. Dever, professor de arqueologia e antropologia do Oriente Próximo:

"Não é possível que [o pim] tenha sido 'inventado' por escritores que viviam no período helenístico-romano alguns séculos depois de esses pesos já terem desaparecido e terem sido esquecidos. De fato, este pequeno trecho de texto bíblico.... não poderia ser entendido até o começo do século 20 AD, quando os primeiros exemplos arqueológicos reais surgiram, com a palavra pîm escrita em hebraico.... Se as histórias bíblicas fossem todas 'invenções literárias' da era helenística-romana, como apareceu esta história específica na Bíblia Hebraica? Naturalmente, poderia se objetar dizendo que o incidente do pîm é 'apenas um detalhe'. Isso é verdade; mas conforme é bem conhecido, 'a história é composta por detalhes'." - colchete acrescentado.

* William G. Dever é professor de arqueologia do Oriente Próximo e autor de diversos artigos sobre esse assunto, tais como “What Remains of the House That Albright Built?”, publicado na Biblical Archaeologist 56/1 (1993), p. 28.

 

 

IR PARA OS "DESTAQUES DAS REVISTAS"
ou
IR PARA A LISTA DE ARTIGOS