Melito de Sardes - Defensor das Verdades Bíblicas?


A Sentinela, 15 de abril de 2006, págs. 17-19

Melito de Sardes foi um dos que defendiam a comemoração da morte de Cristo na data que corresponde a 14 de nisã no calendário hebraico, embora ‘durante o segundo século algumas pessoas tenham começado a mudar a data da comemoração e o modo de realizá-la, por passarem a celebrar a ressurreição no domingo seguinte e chamarem essa celebração de Páscoa da Ressurreição’. “Um grupo conhecido pelo nome de quartodecimanos (celebrantes do décimo quarto dia) defendia a celebração da morte de Jesus Cristo em 14 de nisã”. Assim fazia Melito de Sardes.

Fortes evidências também mostram que Melito acreditava na ressurreição dos mortos, conforme mostra uma carta enviada a Roma por Polícrates de Éfeso. ‘De acordo com a obra História eclesiástica, nessa carta, Polícrates diz que Melito repousa em Sardes, esperando a visita do Senhor que virá dos céus, quando o ressuscitará dos mortos’.

Melito também foi muito corajoso ao defender os cristãos de sua época que sofriam perseguições injustas, de forma que “escreveu uma Apologia dos cristãos – uma das primeiras que se tem registro – dirigida a Marco Aurélio, imperador romano de 161 EC a 180 EC.”


Melito de Sardes
concepção artística
da Torre de Vigia

Além de suas obras mostrarem o grande interesse que tinha pelas Escrituras Sagradas, ‘ele viajou pessoalmente para terras bíblicas com a finalidade de pesquisar a quantidade exata do número de livros das Escrituras Hebraicas’, conhecidas como o Antigo Testamento. Na listagem feita por Melito não se “menciona os livros de Neemias e Ester, porém, é o mais antigo catálogo dos livros canônicos das Escrituras Hebraicas em obras de professos cristãos”.

Apesar de ser bem conhecido em sua época, não só na Ásia Menor mas também em Alexandria, suas obras desapareceram quase por completo, segundo o “historiador Raniero Cantalamessa, ‘o declínio de Melito, que levou ao desaparecimento gradual das suas obras, começou quando os quartodecimanos passaram a ser considerados hereges – depois que o costume de celebrar a Páscoa Dominical ficou estabelecido’”.

Melito foi, sem dúvida, um exemplo de coragem e determinação em defender verdades bíblicas. Mas apesar de tudo o que Melito fez em prol da defesa das Escrituras Sagradas, esse artigo da “Sentinela” afirma que Melito de Sardes foi influenciado pela Apostasia predita pelos apóstolos, já que deixou que ‘o estilo rebuscado de suas obras parecesse refletir o mundo romano e os escritos da filosofia grega’.

Em outras palavras, Melito de Sardes teria sido um dos primeiros apóstatas após o primeiro século. É interessante que os que mudaram o costume da Celebração, logicamente poderiam também ser encarados como apóstatas, de acordo com a perspectiva apresentada pela revista. Melito foi considerado por tais pessoas um herege, ou apóstata. Isso mostra que grupos se acusam mutuamente de apostasia há muito tempo. Quem poderia fazer um julgamento justo desses casos, tanto os antigos como os novos?