Tinham os Primitivos Cristãos Liberdade de Pensamento?

 

Assim é que, devido a sociedade do Novo Mundo aplicar os referidos mandamentos, exemplos, normas e princípios bíblicos às questões e problemas da vida, um grande conjunto de leis teocráticas vem sendo erigido [pela Torre de Vigia]. - A Sentinela, 1/12/63, página 716, parágrafo 25, colchetes acrescentados.

Quem conhece bem a religião das Testemunhas de Jeová sabe que elas não têm liberdade para decidirem por si próprias, à luz da Bíblia, o que é pecado, e estão submetidas a uma série de leis, normas e regulamentos, nem sempre especificados nas Escrituras. Conforme evidenciado na citação acima, muitos de tais “mandamentos” foram ‘erigidos’, ou elaborados, pelos que estão na dianteira mundial das Testemunhas de Jeová, e ao longo de vários anos.

Podem-se citar como exemplos das “leis tejotianas” o seguinte: (1) os homens não devem deixar a barba crescer. É proibido: (2) fumar, (3) cheirar rapé, (4) trabalhar em fábricas de cigarro, (5) comemorar aniversários de nascimento, (6) jogar na loteria, (7) praticar sexo oral, (8) se divorciar por motivo de incompatibilidade, (9) participar de competições esportivas, (10) brindar taças de champanhe, (11) dizer “saúde!” quando alguém espirra (12) entrar em qualquer templo religioso (mesmo por motivação cultural), (13) praticar arte marcial, (14) votar em candidatos políticos, (15) trabalhar em cargos de governo, (16) servir nas forças armadas, (17) trabalhar para alguma denominação religiosa, (18) discordar de qualquer ensino da Sociedade Torre de Vigia dos E.U.A., e assim por diante. Qualquer um desses “pecados” é passível de punições, sendo a maior delas a excomunhão, chamada pelas Testemunhas de "desassociação". Essa medida disciplinar consiste em nenhum dos membros da religião falar com o “errante”, considerando-o como morto.

Dentre as “leis” observadas pelas Testemunhas de Jeová, há as que são claramente ensinadas na Bíblia, outras, porém, possuem apenas vagas referências no texto sagrado. Além disso, há também aquelas que inexistem completamente nas Escrituras, e são elaboradas pelo Corpo Governante das Testemunhas, sediado em Brooklin, Nova Iorque. Os membros desse Corpo estão convencidos que são autorizados por Deus a exercerem sobre as Testemunhas todas as funções que caracterizam o pleno poder, ou seja, governar, legislar, e julgar. Por causa do amplo alcance das “leis tejotianas”, muitos têm chegado corretamente à conclusão que o poder do Corpo Governante sobre as Testemunhas de Jeová é tão grande que nem mesmo o Papa da Igreja Católica tem esse nível de autoridade sobre os membros de sua igreja.

Ao se analisar as “leis teocráticas” das Testemunhas de Jeová, muitas questões podem ser levantadas, e essas questões deveriam interessar especialmente às próprias Testemunhas, pois elas são ensinadas que estão sob um sistema de autoridade semelhante ao que havia no primeiro século. Mas esse sistema era realmente o modelo adotado pelos primeiros cristãos? Ou eles tinham alguma liberdade de pensamento?

O homem espiritual examina deveras todas as coisas, mas ele mesmo não é examinado por homem algum.... Por que haveria de ser julgada a minha liberdade pela consciência de outra pessoa?

--- 1 Coríntios 2:15; 10:30 ---

No segundo capítulo da primeira carta de Paulo aos coríntios, o apóstolo explica que “o espírito de homem” sabe somente os assuntos de homem, ao passo que os assuntos de Deus somente “o espírito de Deus” conhece. (1 Cor. 2:11). De modo, que não é pela sabedoria de homens que se sabe qual é a vontade de Deus para “os que o amam”, mas pela sabedoria de Deus.

Sim, o ser humano possui o dom natural de pesquisar e entender as coisas humanas, mas a sabedoria divina também permite que se entenda algo mais: aquilo que vem de Deus. Ele dá essa aptidão adicional aos seus servos, conforme disse Paulo: “Recebemos..... o espírito que é de Deus, para que soubéssemos as coisas que nos foram dadas bondosamente por Deus. Destas coisas também falamos.”

Juntamente com essa capacidade de raciocínio espiritual dada por Deus, existe a liberdade de pensamento e de ação, pois Paulo disse que o ‘homem espiritual examina todas as coisas’ que ele quer, mas “ele mesmo não é examinado por homem algum”, tendo, portanto, liberdade de consciência, liberdade de pensamento. Admite isso exceção? A exceção que existe é baseada somente na lei universal do amor.

No capítulo dez da mesma carta, Paulo exorta alguns cristãos a não se apegarem aos seus pensamentos e fazerem o que outros cristãos queriam no que tange à alimentação de carne. Naquele tempo, alguns cristãos chegaram à conclusão que não era certo comer carne de animais que poderiam ter sido mortos em sacrifícios a deuses pagãos. Outros, porém, não se preocupavam com isso. Qual foi o conselho de Paulo? Ele disse: “Se o alimento fizer o meu irmão tropeçar, nunca mais comerei carne alguma, para que eu não faça meu irmão tropeçar.... Será que não temos autoridade para comer e beber?.... embora eu esteja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o máximo número deles.” - 1 Coríntios 8:12; 9:1-7, 18-23.

Sendo assim, era o amor e o interesse por co-irmãos que devia estimular essa atitude. Não era porque alguém disse que tinha de ser dessa maneira. A pessoa voluntariamente abria mão de seus pensamentos e conclusões em prol de seu irmão, a quem queria ajudar. É bem diferente do que acontece com as Testemunhas de Jeová, elas abrem mão da própria liberdade e seguem o que dita a consciência dos seus líderes nos Estados Unidos, somente por causa da autoridade deles, e também por temerem punições. No primeiro século não era assim. Não havia uma autoridade legalista para impor todo tipo de regras à vida alheia, pois o próprio Paulo afirmou posteriormente:

“Não é que sejamos os amos de vossa fé, mas somos colaboradores para a vossa alegria, porque é pela vossa fé que estais em pé.” – 2 Coríntios 1:24.

Existe uma sensível diferença em se ser “colaborador” e se ser “amo”, não acha? No lugar de "amo", leia-se "dono". Pense, por exemplo, nos departamentos de um grande jornal. Dentro deles existem inúmeros colaboradores, dentre os quais escritores, secretários, estagiários, telefonistas etc. No entanto, pode qualquer um desses colaboradores estipular as regras de todos os setores do jornal? Ele pode restringir, ao seu bel prazer, a liberdade de ação dos seus colegas? Ele pode passar por cima da autoridade do presidente, ou do dono do jornal?

Paulo, que ocupava uma posição de autoridade na congregação do primeiro século, não se achava amo da fé dos irmãos, mas um colaborador dessa fé. Por conhecerem essa passagem os líderes da Torre de Vigia ensinam que eles não são líderes, apenas ocupam uma função de “dianteira”, e são apenas “colaboradores” das Testemunhas de Jeová. É por isso que nenhuma Testemunha de Jeová gosta que alguém diga que ela tem líderes, ou segue a homens. A resposta padrão das Testemunhas de Jeová, ensinadas pelos da “dianteira”, é que o único líder delas é Jesus Cristo. – Ministério do Reino, dezembro de 1995, p. 5.

O ponto de vista moderado, defendido por Paulo, pode ser um reflexo do ambiente no qual os cristãos do primeiro século viviam, primeiramente o ambiente judaico com a Lei mosaica e as tradições estabelecidas, e também o ambiente greco-romano, com sua relativa liberdade de pensamento. Analisar o ambiente dos cristãos primitivos contribuirá imensamente para se entender como era a liberdade de pensamento entre eles. Se não era irrestrita, certamente não era legalista. Para um estudo mais completo, também é importante estudar como era a vida dos cristãos até o segundo século, e como eles encaravam a liberdade de pensamento.

E Jesus prosseguiu assim a dizer aos judeus que acreditavam nele: ‘Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.’ Replicaram-lhe: ‘Somos descendência de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que dizes: “Ficareis livres” ’?

João 8:31-32.

Como descendentes de Abraão, os judeus estavam sujeitos à Lei mosaica. Mas eram escravos do pecado por causa da incapacidade deles de cumprirem todos os requisitos da Lei, conforme disse Paulo:

“Por que, então, a Lei? Ela foi acrescentada para tornar manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa.” —  Gálatas 3:19. Para mais detalhes vide este artigo.

Além disso, ainda havia uma variedade de regras “baseadas” na Lei que sacerdotes e fariseus criavam, tornando a Lei ainda mais difícil de ser cumprida. (Mateus 23:4) Tudo isso aumentava muito a carga nos ombros das pessoas. Com fim da Lei de Moisés, mediante a morte de Cristo, todas essas regras legalistas desapareceram, e a partir de então os cristãos decidiriam “leis” voluntariamente, pelas suas consciências, provando realmente que a ‘a matéria da Lei está escrita no coração’, e não num código escrito. (Romanos 2:14-16). O Cristianismo rompeu com a prática de se escrever tudo o que se deve ou não se deve fazer. Essa nova modalidade, chamada de “lei do Cristo” (Gálatas 6:2), não foi prontamente aceita por alguns judeus convertidos ao Cristianismo. Eles estavam tão habituados a serem guiados por leis escritas, e tinham um apego tão grande à Lei mosaica, que não queriam se desfazer de algumas práticas da Lei, e ainda tentavam impor esse conceito a outros cristãos. Sobre tais, Paulo escreveu:

“Não obstante, nem mesmo Tito, que estava comigo, foi compelido a ser circuncidado, embora fosse grego. Mas, por causa dos falsos irmãos, introduzidos quietamente, que entraram furtivamente para espreitar a nossa liberdade, que temos em união com Cristo Jesus, a fim de que nos escravizassem completamente — a estes não cedemos no sentido de nos submetermos, não, nem por uma hora, para que a verdade das boas novas continuasse convosco”. — Gálatas 2:3-5.

O que se pode aprender dessa passagem? Que a liberdade do cristão é um bem inestimável, e que ele deve prezar essa liberdade. Sobre esse episódio, um comentarista disse o seguinte: "Da mão de Tito e diante dos falsos irmãos entra em cena a grande oposição da carta: a liberdade cristã frente à escravidão sob a lei.... A liberdade cristã é a parte essencial de um ‘evangelho autêntico’. Tito se apresenta como prova viva da liberdade cristã, contra as exigências dos que tentam impor a circuncisão e suas conseqüências como caminho necessário para a salvação." - Nota da versão Bíblia do Peregrino sobre Gálatas 2:4, 5.

Para refletir: Qual é a “circuncisão” que líderes “judeus” impõem hoje em dia?

A lição que o livro de Gálatas ensina é que o cristão está livre do legalismo. Note o conselho de Paulo, relacionado com o caso acima:

“Cristo nos libertou para a liberdade. Ficai firmes e não vos dobreis de novo a um jugo de escravidão.” - Gálatas 5:1, Versão Alfalit.

Sobre essa passagem, a Bíblia TEB comenta:

“Libertar para a liberdade. Esta expressão é, sem dúvida, um hebraísmo destinado a dar ao verbo libertar um sentido mais intenso. Paulo quer dizer que Cristo nos libertou totalmente; não devemos nos deixar despojar deste dom (cf. 4,9), mas valorizá-lo (cf. 5, 13).” – Nota ao pé de página da Bíblia TEB.

Evidentemente, incluída na liberdade cristã está a liberdade de pensamento, e tal liberdade de modo algum era um induzimento ao pecado, como poderiam pensar alguns daqueles cristãos dogmáticos do primeiro século contra quem Paulo falava, pois cada cristão sabe de sua responsabilidade perante Deus:

“Fostes, naturalmente, chamados à liberdade, irmãos; apenas não useis esta liberdade como induzimento para a carne, mas, por intermédio do amor, trabalhai como escravos uns para os outros.... Persisti em andar por espírito, e não executareis nenhum desejo carnal.... se estais sendo conduzidos por espírito, não estais debaixo de lei.” — Gálatas 5:13-18 

“Que se segue daí? Cometeremos pecado porque não estamos debaixo de lei, mas debaixo de benignidade imerecida? Que isso nunca aconteça!” – Romanos 6:15.

Há um detalhe interessante. Não obstante todo o ambiente legalista combatido por Paulo, e a que os primeiros cristãos estavam expostos, os judeus do primeiro século tinham liberdade de pensamento no campo doutrinal, e normalmente não havia punição para dissidentes. Diz o ensaísta inglês Paul Johnson:

“O judaísmo palestino não era uma religião unitária, mas um conjunto de seitas: é possível, mesmo a partir de fontes fragmentárias, enumerar até 24.” – História do Cristianismo, p. 25, § 1, Imago.

Isso é confirmado pela simples leitura do Novo Testamento. Por exemplo, o Sinédrio era composto de judeus fariseus, e judeus saduceus. Os saduceus não acreditavam em ressurreição, anjos, espíritos, enquanto que os fariseus acreditavam em tudo isso. Mesmo assim eles trabalhavam em relativa harmonia, e não se excomunhavam mutuamente.

Foi essa diferença de pensamentos dos judeus que possibilitou uma estratégia maestral de Paulo. Quando ele foi levado perante o Sinédrio, para ser julgado, ele falou para os seus “juízes” que estava sendo julgado por causa da ressurreição dos mortos, algo totalmente irrelevante para os saduceus. Isso acabou por dissolver aquele “tribunal”. (Conforme observado por Jonhson, ainda havia outras seitas judaicas, sendo a mais famosa delas a dos essênios, responsáveis pelos rolos do Mar Morto). –  Atos 23:6-8.

Portanto, não é razoável pensar que Paulo tenha sido contra uma certa medida de liberdade de pensamento entre os primeiros cristãos, mesmo no campo doutrinal. A própria Bíblia é um forte testemunho dessa liberdade, fato também percebido por Paul Jonhson:

“Paulo é um obstáculo aos que pretendiam converter o cristianismo em um sistema fechado. Ele acreditava na liberdade de pensamento.... Associou liberdade à verdade, pela qual sentia ilimitada reverência. Em sua perseguição da verdade, estabeleceu o direito de pensar e a refletir até a conclusão final.... Instituiu o direito de pensar helenístico pleno, mostrando, destarte, que a fé cristã nada tem a temer do poder do pensamento.” – História do Cristianismo, p. 54, Imago.

É claro que havia um conjunto básico de ensinamentos cristãos que devia ser seguido e respeitado, mas ele não era um conjunto de leis contemplando inúmeros detalhes da vida de uma pessoa, tal como fora a Lei mosaica, e como é a “Lei” das Testemunhas de Jeová. O cristão teria liberdade e mobilidade para tomar suas próprias decisões. Não é difícil perceber que a Sociedade Torre de Vigia elaborou uma espécie de “lei mosaica” para os seus adeptos. Isso é muito claro, embora as Testemunhas, em geral, não percebam.

Por exemplo, todos sabem que as Testemunhas de Jeová não aceitam transfusões de sangue. Isso não é nenhuma novidade. No entanto, uma série de normas baseadas nessa “lei” foram criadas, e dizem respeito aos “componentes primários” do sangue e às frações sangüíneas. Todas as frações do sangue foram liberadas para as Testemunhas, embora já tenham sido proibidas no passado. Na mente de muitas Testemunhas de Jeová essas frações foram liberadas porque são muito pequenas, e por isso não há problema em aceitá-las. A albumina é uma delas, e representa 2,2% do sangue total. Por outro lado, as plaquetas estão proibidas, embora representem apenas 0,17% do sangue total. Os leucócitos também são proibidos pela Torre de Vigia. No entanto, o leite materno contém umas cinco vezes mais leucócitos do que o sangue. Só falta agora as Testemunhas serem proibidas de amamentar os seus filhos!

Qual é a Testemunha de Jeová que se habilita a encontrar na Bíblia textos que justifiquem esses critérios? Certamente nenhuma. De fato, nem mesmo o órgão dirigente das Testemunhas, a Sociedade Torre de Vigia, é capaz. Veja como ela justificou essa “lei”: “Portanto, em harmonia com os fatos da medicina, as Testemunhas recusam a transfusão de sangue total ou de qualquer dos seus quatro componentes primários.” [tais como os diminutos leucócitos e plaquetas] (A Sentinela, 15/06/04, p.22). Portanto, essa norma foi criada em “harmonia com os fatos da medicina”, e não com a Bíblia. Na prática, isso significa que foi criada de acordo com o entendimento dos dirigentes das Testemunhas.

 Um bom exemplo de codificação da “lei das Testemunhas de Jeová” é o livro “Prestai Atenção a Vós Mesmos e a Todo o Rebanho”, publicado pela Torre de Vigia e distribuído somente aos anciãos (pastores). Tome como exemplo a seção do livro que trata do pecado de adultério. Embora o adultério seja claramente um pecado para o cristão, veja quantas “leis” a Torre conseguiu “erigir” a partir desse pecado:

“O cônjuge inocente deve ser informado de que recomeçar as relações sexuais com o cônjuge adúltero indica que houve perdão e, portanto, cancela a base bíblica para o divórcio. (w 81 1/9 pp.30-1)

“O adultério perdoado não pode ser usado mais tarde como base para o divórcio, mas casos de adultério não revelados podem ser usados, caso sejam trazidos à tona. (w 75 15/2 pp.126-7)

“O perdão do adultério envolve a disposição da parte do cônjuge inocente de reassumir as relações sexuais  com o cônjuge adúltero dentro de um período razoável de tempo. (w 75 15/6 pp.383-4).” – p. 134, seção 5(c), edição de 1991.

Perceba que a base utilizada para os pontos acima são as próprias publicações da Torre de Vigia. Logicamente isso é assim porque não há nada nas Escrituras que ofereça suporte a essas “leis”, o que fere o seguinte princípio bíblico: “Não vades além do que está escrito.” (1 Coríntios 4:6) Por mais lógicas e coerentes que as palavras acima possam parecer para alguns, outros certamente poderão questioná-las. Esses são detalhes que só o cristão individualmente pode decidir, e ninguém pode decidir por ele. Não pensar assim é contradizer um dos pontos principais do Cristianismo, que é o de estudar, pensar, ponderar e decidir.

Outro exemplo é a definição de idolatria dada pela Torre, que caracteriza, segundo ela, um ato de apostasia e de rebeldia contra Deus, e deve ser punida com a expulsão. Diz o livro dos anciãos:

“Idolatria inclui a posse e o uso de imagens e quadros empregados na religião falsa.” – p. 95, seção 5(a).

* Entenda-se por “religião falsa” todas as religiões, exceto as Testemunhas de Jeová.

Segundo a Torre de Vigia, para se ser idólatra nem é necessário venerar um quadro (fazendo-se “uso” dele), basta possuí-lo. É, pelo visto nenhuma Testemunha de Jeová pode ter em sua casa uma réplica de quadros renascentistas com temas religiosos, tais como o “Eis o Homem”, de Ciseri, ou a “Santa Ceia”, de da Vinci, muito embora a Torre já tenha reproduzido uma dessas obras em sua literatura. –  Veja a capa da revista A Sentinela, de 1º de julho de 1993.

Os exemplos acima deveriam induzir qualquer Testemunha de Jeová a refletir se ela é um escravo de Deus, ou de homens. O livro “Pastoreai” dos anciãos (mais conhecido entre eles por “ks”), está repleto de exemplos desse legalismo a que as Testemunhas de Jeová estão submetidas. É uma situação lamentável, pois fere diversos princípios bíblicos:

“Mas, prove cada um quais são as suas próprias obras, e então terá causa para exultação, apenas com respeito a si próprio e não em comparação com outra pessoa. Pois cada um levará a sua própria carga.” - Gálatas 6:4, 5.

“A fé que tens, tem-na de acordo contigo mesmo à vista de Deus. Feliz é o homem que não se põe a si mesmo em julgamento por aquilo que ele aprova.” - Romanos 14:22.

“Qualquer inexperiente põe fé em cada palavra, mas o argucioso considera os seus passos.” - Provérbios 14:15.

Para refletir

Se você for Testemunha de Jeová, com os textos acima em mente, responda:

·    Seria correto os líderes de sua religião escolher quais “cargas” você levará?

·    Seria correto você se condenar por aquilo que seus líderes não aprovaram? (Releia o texto acima de Romanos).

·    Você acha correto que os seus líderes ‘considerem os seus passos’ por você’?

Que suas respostas levem em consideração o seguinte conselho:

“Entretanto, tornai-vos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos com falsos raciocínios.” – Tiago 1:22.

A liderança mundial das Testemunhas de Jeová deu o seguinte conselho aos pastores locais das Testemunhas, espalhados em diversas congregações no mundo:

“Os anciãos terão de exercer cuidado para não deixar sua própria consciência mandar na dos outros, como se eles fossem ‘amos da fé dos outros’.” – Ministério do Reino, novembro de 1976, p. 6.

Ao que parece situações semelhantes aconteciam no primeiro século, pois Jesus disse o seguinte sobre as coisas certas que líderes religiosos ensinavam:

“Portanto, todas as coisas que eles vos dizem, fazei e observai, mas não façais segundo as ações deles, pois dizem, mas não realizam. Amarram cargas pesadas e as põem nos ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos nem a movê-las com o dedo.” – Mateus 23:3-5.

Ele disse também:

“Sabeis que os governantes das nações dominam sobre elas e que os grandes homens exercem autoridade sobre elas. Não é assim entre vós; mas, quem quiser tornar-se grande entre vós tem de ser o vosso ministro, e quem quiser ser o primeiro entre vós tem de ser o vosso escravo.” – Mateus 20:25-27.
 

Carlos M. Silva