São os Líderes da Torre de Vigia
Maquiavélicos?
Escrita em azul: o email que enviamos ao Josivan, em resposta a outro email que ele enviou antes.
Escrita em preto: a resposta do Josivan ao nosso email.
Escrita em vermelho: nossa resposta à resposta do Josivan.
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Caro Josivan,
Vide nossa resposta em vermelho, de forma intercalada às comunicações anteriores.
Por que as pessoas as aceitam e se deixam dominar por elas? Melhor ainda, por que as pessoas preferem que alguém (ou alguns) dominem sobre elas? As pessoas preferem que seja assim.
Correto. Elas preferem.
E por que razão? Será que é por tais estruturas serem indispensáveis para a vida ou é porque as pessoas que estão debaixo delas acreditam que elas são?
Essas estruturas não são indispensáveis, mas as pessoas preferem que seja assim. As pessoas sentem a necessidade de ter alguém lhes dizendo como as coisas devem ser feitas, alguém que lhes diga o que Deus requer delas.
Sim, nós esquecemos do verbo “preferir” aqui também.
Perguntamos ainda: Você acredita realmente que se o Corpo Governante não assumisse mais essa tarefa de 'decidir as coisas', outros homens teriam de fazer isso no lugar deles?
Eu acredito realmente nisso, Carlos; e creio que a história prova que eu estou certo em pensar assim. Veja, 99% das pessoas que abandonam uma religião acabam entrando em outra. Isso acontece até com aqueles que saem das Testemunhas de Jeová. Pouquíssimos conseguem continuar adorando a Jeová de modo individual. A maioria migra para outras religiões. Por isso eu acredito que se o Corpo Governante não assumisse mais essa tarefa de decidir as coisas para os irmãos, a maioria dos irmãos procurariam outro grupo de homens para decidir para eles. A maioiria iria trocar o Corpo Governante pelo papa católico, ou pelo Edir Macedo, ou pelo RR Soares, ou pelo Dalai Lama etc. Se são essas as opções, eu prefiro ficar com o Corpo Governante, com todos os erros que eles têm.
Bom, você respondeu, mas não exatamente o que foi perguntado, Josivan. A pergunta foi se “outros homens teriam”, ou seja, se isso teria de ser assim para estar de acordo com a vontade de Deus, e não propriamente se “você prefere assim” (olha o verbo “preferir” aqui de novo!...) Mas isso que você falou sobre a maioria das pessoas é fato. E nós entendemos que você está se incluindo entre essa maioria. (Só não sabemos se chega mesmo a 99%. Seria bom confirmarmos esse valor.)
Muito relacionado com isso, existe um trecho de sua mensagem que chama a atenção. Você afirmou:
"Mesmo que o Corpo Governante decidisse corrigir tudo que está errado, penso que os homens abaixo do Corpo Governante não permitiriam isso e tomariam o poder em suas mãos. E mesmo que as esferas de poder abaixo do Corpo Governante fossem concordando, homens individuais assumiriam o poder, e nós teríamos uma organização de quase sete milhões de membros se transformando em milhares de pequenas organizações religiosas."
Sim, concordamos plenamente. Tudo isso que você descreve poderia ocorrer, sim. E pela seguinte razão: Não é só porque nesta e em qualquer organização política ou religiosa do mundo existem homens ávidos de poder. É porque existe um número muito maior ainda de pessoas que acreditam que tais estruturas devem existir e que homens devem 'assumir o poder', e que eles têm o direito de 'decidir as coisas para os outros do modo que eles acham ser o mais correto', e que, por mais 'imorais, anti-cristãs, erradas e horríveis' que tais decisões possam ser, as pessoas comandadas devem aceitá-las e até considerá-las como "as mais acertadas, politicamente",
Concordo com você Carlos, em gênero, número e grau. As pessoas querem ser comandadas, e uma vez que escolhem quem irá comandá-las, devem se sujeitar a essa autoridade. Veja o que diz 1 Samuel 8:4-18:
***(4 Reuniram-se então todos os anciãos de Israel e vieram a Samuel, a Ramá, 5 e disseram-lhe: "Eis que tu mesmo ficaste velho, mas os teus próprios filhos não têm andado nos teus caminhos. Agora, designa-nos deveras um rei para nos julgar, igual a todas as nações." 6 Mas a coisa era má aos olhos de Samuel, visto que haviam dito: "Dá-nos deveras um rei para nos julgar", e Samuel começou a orar a Jeová. 7 Jeová disse então a Samuel: "Escuta a voz do povo referente a tudo o que te dizem; pois, não é a ti que rejeitaram, mas é a mim que rejeitaram como rei sobre eles. 8 Conforme todos os seus feitos que praticaram desde o dia em que os fiz sair do Egito até o dia de hoje, continuamente me abandonando e servindo a outros deuses, assim estão também fazendo a ti. 9 E agora escuta a sua voz. Somente o seguinte: deves adverti-los solenemente e tens de informá-los da prerrogativa legítima do rei que reinará sobre eles."
10 Portanto, Samuel disse todas as palavras de Jeová ao povo que lhe pedia um rei. 11 E passou a dizer: "A seguinte será a prerrogativa legítima do rei que reinará sobre vós: Tomará os vossos filhos e os porá como seus nos seus carros e entre os seus cavaleiros, e alguns terão de correr na frente dos seus carros; 12 e a fim de designar para si chefes sobre mil e chefes sobre cinqüenta, e [alguns] para lavrarem por ele e para ceifarem a sua colheita, e para fazerem seus instrumentos de guerra e os petrechos de seus carros. 13 E tomará as vossas filhas para misturadoras de ungüento, e cozinheiras, e padeiras. 14 E os vossos campos, e os vossos vinhedos, e os vossos olivais, os melhores, ele tomará e realmente dará aos seus servos. 15 E tomará o décimo de vossos campos de sementeira e de vossos vinhedos, e ele certamente [os] dará aos seus oficiais da corte e aos seus servos. 16 E tomará os vossos servos e as vossas servas, e as vossas melhores manadas e os vossos jumentos, e terá de usá-los para a sua obra. 17 E tomará o décimo de vossos rebanhos e vós mesmos vos tornareis seus como servos. 18 E naquele dia certamente clamareis por causa do vosso rei que escolhestes para vós, mas Jeová não vos responderá naquele dia."
Observe que esta preferência das pessoas de ter alguém humano sobre elas é antigo. Acham difícil adorar a Deus diretamente. Quando você diz a uma pessoa: Você é livre para adorar a Deus diretamente, sem intermediários; ela pergunta a você: E como eu devo fazer isso? Eu, como ancião, presencio isso constantemente. Quando um irmão ou irmã vai preencher o cartão de sangue e vem pedir a minha ajuda, eu digo a eles: O irmão deve escolher quais frações de sangue e qual tratamento alternativo aceitará. Eles ficam confusos e me perguntam: Mas qual o irmão acha que eu devo escolher? Ou quando alguém chega para mim e pergunta: Irmão, eu estou querendo assistir o filme Rambo IV no cinema, mas ouvi dizer que é muito violento. O irmão acha que eu devo assistir? Se eu digo: Irmão, isso é assunto de decisão pessoal, o irmão deve pesar os prós e os contras de assistir tal fime e tomar uma decisão pessoal; geralmente tal irmão me diz: Mas o que o irmão acha, ou, O que o irmão faria em meu lugar?
Por isso, acredito que as pessoas precisam ser governadas espiritualmente, e melhor que seja por pessoas que têm boas intenções.
Na verdade, Josivan, você nos forneceu o que talvez seja o mais poderoso argumento bíblico a favor da idéia que defendemos e contra isso o que você disse nessa última frase. De fato, nós não tínhamos nem pensado neste texto quando respondemos a você!
É interessante que você segue a linha de raciocínio corretamente, só que quando chega na frase final você muda repentinamente o verbo de “querer” para “precisar”, o que anula completamente o que você vinha dizendo e o que diz o texto. As pessoas não precisam ser governadas espiritualmente. Como você disse corretamente, elas são porque querem assim, e esta passagem de 1 Samuel mostra isso de forma contundente. O próprio Deus supremo ofereceu àqueles homens as duas alternativas: serem governados diretamente por Ele, ou serem governados por outros homens. E Deus ainda mostrou claramente e provou por (a + b) qual seria a alternativa correta. A escolha do governo humano seria uma rejeição do governo divino e o rei humano exigiria uma série de coisas absurdas. Apesar de tudo isso que Deus falou, o povo escolheu a alternativa errada, só porque queria ser igual às outras nações. Eles não precisavam nem deveriam ter feito isso. Fizeram porque assim quiseram.
No começo desta parte você falou: “As pessoas querem ser comandadas, e uma vez que escolhem quem irá comandá-las, devem se sujeitar a essa autoridade.”
Com base na passagem bíblica acima, a ordem desses verbos poderia muito bem ser mudada. Poderíamos, com toda a propriedade, reformular esta frase para a seguinte: As pessoas se sujeitam à autoridade que escolheram, não porque devem, mas porque querem.
Sim, nós conhecemos as idéias apresentadas na obra "O Príncipe", de Maquiavel. E não podemos dizer que "odiamos" o que ele escreveu lá. Concordamos com você, inclusive, que tal livro dá uma boa amostra da complexidade que é para um homem ter o poder nas mãos. A leitura dele pode até ser recomendada para as pessoas que desejam ser consideradas como esclarecidas. O que nos parece verdadeiramente assustador é você ter incluído as idéias desse livro no contexto da discussão aqui. Falando francamente, ninguém aqui do Mentes Bereanas jamais se atreveu a afirmar que o Corpo Governante está 'agindo maquiavelicamente em alguns assuntos', fazendo isso de modo totalmente deliberado.
De modo deliberado, mas talvez não de modo conciente. Eu concordo com o Raymond Franz neste assunto. Acho que até hoje ninguém foi mais feliz do que ele em descrever o que acontece na mente dos membros do Corpo Governante. Ele diz algures no Crise de Consciência que os homens do Corpo Governante são pessoas honestas, bons cristãos, pessoas amáveis; mas quando estão agindo em nome da organização, fazem o que tem que ser feito (aquilo que é politicamente nos melhores interesses da organização) sem nenhum escrúpulo de consciência, mesmo tomar decisões que sacrificam vidas (questões de sangue, Malauí etc). É como se eles pensassem: Esta é a organização de Jeová Deus, e temos que fazer o que for necessário para preservá-la. Como diz o Ray, é a PREMISSA que governa as suas decisões maquiavélicas.
Embora isso que você fala seja atemorizante, está correto. Mas não se esqueça que, guardadas as devidas proporções, a mesma coisa poderia ser dita sobre os nazistas. Mas é universalmente aceito que isso não justificou o sacrifício de tantas vidas humanas pelo sistema deles. Nenhum juiz do tribunal de Nuremberg se preocupou em analisar até que ponto aqueles homens tinham agido de maneira ‘consciente’ ou não. Eles se concentraram foi nas conseqüências das ações daqueles líderes nazistas, para determinarem as sentenças que eles mereciam.
É realmente espantoso que tais palavras tenham vindo de alguém que se apresenta como defensor deles!
Não gosto de ser visto como defensor da organização, gosto de ser visto como alguém que entende porque o Corpo Governante faz o que faz.
Não fazemos objeção a que você mude o verbo de “defender” para “entender”, já que prefere assim. Nós usamos o verbo “defender” porque ele é mais específico na nossa discussão aqui, e usar o verbo “entender”, coloca o assunto em termos muito gerais. Isso que você diz de si mesmo, nós também poderíamos dizer a respeito de nós. Em relação ao Franz, você mesmo disse acima que “até hoje ninguém foi mais feliz do que ele em descrever o que acontece na mente dos membros do Corpo Governante”. Será que entendemos errado ou isso é outra maneira de você dizer que acredita que esse homem entende, e melhor do que ninguém, porque o Corpo Governante “faz o que faz”? Mas veja que coisa interessante: ele ‘entende’, mas não aceita a idéia de que homens ajam como ‘intermediários’ entre o cristão e Deus. Você também ‘entende’, mas está nos dizendo que é totalmente favorável a isso e ainda completa afirmando que “prefere” que seja o Corpo Governante mesmo! Não lhe parece curioso que esse ‘entendimento’ que vocês dois dizem ter das motivações do Corpo Governante tenha conduzido vocês a caminhos tão diferentes e conclusões tão opostas?
O que está em nossa pauta de discussão é a capacidade dos homens de assumir essas posições de autoridade sobre seus semelhantes, bem como a legitimidade de tal coisa. Diante disso, a boa-fé (ou falta dela) por parte deles no desempenho consciente dessa função (que é contrária ao propósito de Deus para os homens) torna-se o aspecto menos importante.
Nenhum homem é completamente capaz de assumir essas funções e esta posição não é legitimada nas Escrituras. Mas já que é assim, temos que lidar com a coisa como ela é e não como ela seria se tivesse sido. E já que a coisa é assim, acredito que o que conta de fato é a boa fé ou a falta dela. E nesta questão de boa fé e boas intenções, quando analisamos todos os líderes de outras religiões, até que o Corpo Governante não está tão mal assim.
Bem, não temos como saber até que ponto chegou sua pesquisa, ou seja, se você de fato estudou com atenção os pensamentos e analisou as ações de todos os líderes das outras religiões. Mesmo se considerarmos só as grandes religiões, existem muitas, como sabe. O caso é que, se você não fez isso fica difícil tirar uma conclusão assim. É importante lembrar também que esse conceito que você expressou na última frase não é de modo algum o que o Corpo Governante espera que você tenha dele. Como ancião, você sabe que não é isso o que eles dizem de si mesmos. Eles querem que você aceite outra coisa.
Embora você não tenha deixado claro se crê na Bíblia ou não, parece-nos que crê, sim. E esse é o nosso caso também. Por isso, em vez de tentar lutar com as complexidades decorrentes de se aceitar a idéia de que tais estruturas de liderança religiosa humana são absolutamente essenciais para a nossa vida espiritual e em lugar de ficar tentando arrumar incríveis explicações para de alguma maneira 'legitimar' a existência de posições de liderança humana (como o Corpo Governante),
Repito, não busco legitimar. Isso não pode ser feito com a Bíblia. Busco entender. Algumas coisas são toleradas por Jeová Deus em certas épocas, mesmo violando seus justos princípios. As autoridades superiores, por exemplo. Ruím com elas, pior sem elas. Até que o Reino de Deus assuma o controle da Terra, melhor tê-las sobre nós. Mas elas são legítimas? Não. Só o Reino de Deus é um governo legítimo sobre os seres humanos.
À base do que nós já lhe dissemos acima, estas frases “ruim com elas, pior sem elas” e “melhor tê-las sobre nós” são questionáveis. O exemplo do antigo Israel poderia ser mencionado aqui novamente. O resto do que você falou está certo. Mas tenha em mente que você está falando de governantes políticos. Quando o apóstolo falou em “autoridades superiores” que nós devemos tolerar até que sejam substituídas por Deus ele se referia exclusivamente a isso. A referência não era a uma liderança espiritual, como a do Corpo Governante. A leitura do capítulo 13 de Romanos inteiro, não dá qualquer margem para isso. E por mais habilidoso que você seja, você não é capaz de nos mostrar um único exemplo bíblico que comprove a idéia de que isso aí que você falou tem aplicação a uma liderança espiritual dentro do sistema cristão.
nós, aqui do Mentes Bereanas, cremos que um procedimento muito mais sábio é nos atermos a estas palavras simples que você conhece muito bem:
"Tudo isto eu tenho visto, e houve um empenho do meu coração em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol, [durante] o tempo em que homem tem dominado homem para seu prejuízo." (Ecle 8:9, TNM)
O rei Salomão escreveu o texto que você citou, sob inspiração. Já que ele compreendeu isso, que quando o homem domina sobre outro homem só lhe causa prejuízo, por que ele não abdicou de seu trono e deixou os israelitas governarem a si mesmos, prestando contas diretamente a Jeová, como era antes de Saul ser coroado? Por que ele sabia que enquanto Jeová não assumir o controle total da Terra, os governos humanos imperfeitos são melhores do que governo nenhum. Ou seja, homem dominando homem é um arranjo temporário, tolerado por Deus, até que o ideal chegue. Quando o Reino de Deus chegar, tudo isso será corrigido.
Veja bem, Josivan, o mesmo texto que você citou acima (1 Samuel 8:4-18) não dá base para essa resposta que você deu. Ele dá mais base é para a idéia que nós defendemos. Por que Salomão não desceu do trono? Porque nem que ele quisesse fazer isso, ele conseguiria. Ou o povo não iria permitir ou então imediatamente providenciaria outro para ficar no lugar dele (e à base do que você está nos dizendo, temos motivo para crer que se você vivesse lá na época de Salomão seria um que concordaria totalmente com essas ações do povo).
Como você viu, o texto nos mostra que o povo mesmo havia decidido as coisas assim, antes do nascimento de Salomão, e não adiantou Deus mostrar que eles estavam errados nisso. E por que isso? Será que era porque sem um rei as coisas não estavam funcionando? De modo algum, pois se fosse assim a Bíblia diria. Mas não, lá diz que eles quiseram ter um rei por outro motivo.
E não é que Salomão achasse que “governos humanos imperfeitos são melhores do que governo nenhum”. Salomão com certeza não poderia achar isso, pois ele conhecia a história de sua nação e sabia que Israel passou muito bem sem ter rei durante mais de 500 anos, até o tempo de Saul. Mas no tempo dele as coisas já estavam estabelecidas assim, e o povo não queria que fosse diferente. Essas alternativas que você colocou aqui não foram as que Salomão expressou. O que Salomão de fato disse foi que o governo humano traz prejuízo. E isso de modo algum era uma idéia originada por Salomão, pois Deus mesmo preveniu o povo de que seria assim no caso deles. Mas o povo não quis saber...
A partir do momento em que reconhecemos a verdade básica de que isso traz prejuízo mesmo, temos todo o motivo para aceitar e incentivar as pessoas a aceitar o seguinte conselho apostólico, que é o único que realmente resolve o problema:
"Vós fostes comprados por um preço; parai de vos tornardes escravos de homens." (1 Cor 7:23, TNM)
Portanto, Josivan, também queremos deixar uma pergunta final a você. E ela não é só de retórica, não. Pelo contrário, deveria ser da sua mais alta reflexão: Você aceitará a responsabilidade que o conhecimento destas realidades traz?
O que é que há com vocês? Fazem um cursinho para responder os emails dos seus leitores com cobranças e pressões? Se eu sou um José de Arimatéia ou um Nicodemos moderno vocês me ajudariam mais demonstrando empatia e compreensão em vez de criticar e pressionar. Se for seguir esta linha de raciocínio, gostaria também de lembrar a vocês as palavras de Saint Exuperry, que disse: "Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas." Vocês bereanos estão cativando muitas Testemunhas de Jeová. Elas buscam em seus artigos alternativas para as interpretações do Corpo Governante. Buscam nos livros de Raymond Franz alternativas para se adorar a Deus melhor do que fazem como Testemunhas de Jeová. Vocês compreendem essa responsabilidade? Se uma Testemunha de Jeová começar a visitar o seu site e decidir se dissociar, e depois não conseguir manter a espiritualidade sozinha, deixar de ler a Bíblia com regularidade e pregar ao próximo, vocês sentirão alguma responsabilidade para com tal pessoa? Não estou sendo hipotético. Eu conheço pelo menos duas pessoas que estão nesta situação. Um casal que se dissociou e agora não consegue adorar a Deus de forma nenhuma. Estão quase se tornando ateus. (Eu participei na comissão judicativa deles e foi através deles que tomei conhecimento de vocês)
É um exagero de sua parte falar que nossas respostas contêm alguma coisa que lembre “cobranças e pressões”. Você não viu essas idéias aqui. E você certamente sabe que nenhum de nós aqui fez “curso” para alguma coisa (por exemplo daquele tipo que vocês anciãos fazem regularmente para orientá-los em suas tarefas de ‘pastorear o rebanho’). A palavra que nós usamos foi “responsabilidade”. Há algum problema com essa palavra? Por que será que o fato de falarmos em “responsabilidade pessoal” lhe provoca esse tipo de reação? Seria porque você está entendendo isso de acordo com a maneira que a organização Torre de Vigia quer que você entenda?
Sim, pois, como ancião e conhecedor das publicações, você sabe muito bem que elas estão repletas de colocações desse tipo. Só que lá na organização isso tem um sentido bem diferente. É muito freqüente as publicações e os discursos dos representantes da organização apresentarem algo como uma obrigação bíblica que as pessoas têm de cumprir e daí no final dizerem algo do tipo ‘bem, uma vez que os irmãos estão cientes destes fatos, isso os deve mover a aceitarem sua responsabilidade perante Jeová’. Por acaso você nunca viu algo assim nas publicações? E qual é a sua reação quando lê ou ouve isso lá na organização? Pelo nível de informação em que você está, provavelmente já sabe que muitas vezes tais “obrigações” não tem base bíblica alguma, não passam de fruto da imaginação dos homens que as estabeleceram. Mas não é a isso que queremos dar ênfase. O ponto que queremos salientar aqui para você é a maneira como isso é apresentado: as pessoas são deixadas na defensiva. Essas “responsabilidades” são apresentadas como se fossem uma opção pessoal. Mas no fundo as pessoas sabem que ou aceitam tais “responsabilidades” ou haverá conseqüências se não aceitarem. É isso, Josivan, que é verdadeiramente “cobrar e pressionar”, e é feito duma maneira tão sutil que a maioria das pessoas nem percebe. Nós certamente não fizemos nada disso aqui, até porque você só deve satisfação das suas decisões à sua consciência e a Deus, não a algum de nós, que nem o conhecemos. É óbvio então que o problema não é a nossa referência à “responsabilidade”, e sim sua maneira de entender isso. Você precisa avaliar sob que paradigma está raciocinando, para ter condições de interpretar corretamente o que dizemos.
Quanto a essa responsabilidade que parece querer nos atribuir, você sabe muito bem que não temos como aceitá-la. Para a organização Torre de Vigia seria ótimo se todos pensassem que quem entra em contato com esses “apóstatas” vai perder completamente sua espiritualidade e acabar até rejeitando Deus. E devido a essa propaganda incessante martelada na cabeça das Testemunhas e ao desconhecimento que elas têm dos fatos, nós até as desculpamos por pensarem isso. O que é inaceitável é alguém dizer que conhece nosso trabalho e ainda tentar nos atribuir essa responsabilidade. Nós sabemos, é claro, que existem sites de ex-Testemunhas que defendem idéias ateístas. Mas, se esse casal que você diz que conhece está agora entretendo idéias ateístas, com certeza não foi aqui no nosso site que as encontrou. E se você nos conhece realmente, como diz, sabe que não.
Mas, mesmo que fosse este o caso, Josivan, o fato de alguém ter contato com idéias ateístas não significa que essa pessoa necessariamente vai aceitá-las e adotá-las. Isso depende duma decisão pessoal e também – principalmente – do nível de espiritualidade que essa pessoa tem. A liderança da Torre de Vigia gosta de fazer seus seguidores pensarem que o “alimento espiritual” que eles fornecem é de qualidade incomparavelmente ótima e que as Testemunhas têm um nível de espiritualidade superior às demais pessoas. Não lhe parece muito estranho que pessoas que fazem parte dessa organização, e às vezes por muitos anos, de repente passem a entreter idéias ateístas? Será que isso ocorre só porque essas pessoas tomaram contato com idéias ateístas e se convenceram de uma hora para outra que elas são “válidas” mesmo, ou será que é porque a “espiritualidade” delas não era, afinal de contas tão forte assim como a organização as fazia pensar que era?
Mas não estamos dizendo a você que a culpa é então do “alimento espiritual” que a liderança da Torre de Vigia fornece. Ao mesmo tempo, ninguém deve vir ao nosso site com a idéia de que temos uma “alternativa melhor para se adorar a Deus do que a das Testemunhas de Jeová”. Se você pensa isso, está mostrando que não entendeu as coisas de novo. Enfatizamos o ponto: Nem a Torre de Vigia nem nós temos o direito de se apresentar como os “responsáveis” pela espiritualidade de alguém. Isso é uma responsabilidade individual. Se nenhum homem ou organização tem o direito de se interpor espiritualmente entre uma pessoa e Deus (e esta é a idéia que verdadeiramente defendemos no site), então é claro que se uma pessoa “perder a sua espiritualidade”, ou até rejeitar Deus, ela também não tem o direito de responsabilizar ninguém por isso.
Ou prefere ficar arranjando explicações alternativas para tentar atenuá-las ou até negá-las? A decisão é sua.
Só uma observação final: Nós realmente usamos pseudônimos, e nem precisamos lhe explicar o porquê disso. Mas é recomendável ter cuidado até mesmo quanto a isso. Ninguém aqui usa pseudônimos que poderiam trazer embaraços para os donos dos nomes verdadeiros. O Carlos (na verdade Carlos M. Silva, não Carlos A. Silva) nunca teve a intenção de ser confundido com um superintendente de circuito. O Miguel (na verdade Miguel Servet Jr.) homenageia o exemplo de um homem que está morto há séculos. E assim por diante. Se fosse realmente o caso de todos nós aqui termos achado que você era um superintendente de circuito, não haveria problema algum. Ele é quem poderia não gostar de ver alguém usando o nome dele dessa maneira...
Com estima cristã.
Mentes
Bereanas
http://www.mentesbereanas.org
Bereanos, não me queiram mal. Tentem entender-me. Não sou muito bom em escrever, talvez não tenha conseguido expressar o que eu realmente penso sobre o assunto. Vou usar um exemplo que me ocorreu esses dias enquanto assistia o filme Matrix para ver se me explico melhor.
O filme Matrix mostra bilhões de humanos existindo numa deleitosa ignorância de sua verdadeira condição enquanto um pequeno número de indivíduos é livre de sua ilusão digital. Esse pequeno grupo, liderado por Morpheus querem com a ajuda de Neo (o escolhido) destruir a Matrix e libertar todos os humanos. Mas o filme mostra que alguns humanos não querem ser libertados, preferem a ilusão à dura realidade. Cypher, por exemplo, mesmo de pois de sair, pede para voltar à Matriz. E no terceiro episódio, o próprio Neo se dá conta de que a Matrix não pode ser destruída, pois as máquinas e os seres humanos vivem numa espécie de simbiose. Então ele faz um acordo com a Matrix: Irá destruir Smith, que se tornou um problema para as máquinas, e a Matrix pertirá que a resistência (Zion) sobreviva. No final do filme, a oráculo pergunta ao arquiteto: E quanto àqueles que quiserem sair? E ele responde: Serão libertados, naturalmente.
Muitos filósofos já chegaram a esta mesma conclusão quanto a relação DOMINANTES vs DOMINADOS. Karl Max e Engels diziam que a organização das sociedades precisa ser em formato de pirâmide, de outo modo seria o caos. E os filósofos cristãos também chegaram a esta mesma conclusão. O sistema religioso precisa ser assim, com as duas classes (clérigos e leigos), para não permitir que as pessoas abandonem totalmente suas Bíblias. Acredito que quando Jesus falou da grande apostasia que viria já estava prevendo isso. Enquanto os cristãos eram minoria, a coisa funcionava como era para funcionar, dentro dos parâmetros bíblicos. Mas quando crescesse, iria mudar, com homens dominando homens, mas no final tudo seria resolvido, quando Jesus voltasse.
O mesmo acontecesse hoje. Todas as religiões começam bem. Enquanto o grupo é pequeno, as coisas seguem os moldes do primitivo cristianismo. Mas, para perdurar, tem de se estruturar. É preciso decidir de onde virá o dinheiro, quem será o líder, como se nomeará o líder seguinte, o que é verdade e quem a controla etc. Aí se iniciam os jogos do poder. Jesus sabia que seria assim, quando falou da grande apostasia.
Acho importante que pessoas, indivíduos sejam libertos do controle mental que as religiões exercem, mas entendo que algumas pessoas não podem ser libertos, e muitos não querem ser libertos.
A estrutura precisa existir, caso contrário, muitas pessoas deixariam suas bíblias de lado, esqueceriam Deus. Algumas não fariam isso, mas as grandes maiorias fariam. Por exemplo, a partir do ano que vem não teremos mais Estudo de Livro de Congregação. Alguns irmãos aproveitarão este horário livre em suas agendas para fazer estudo pessoal da Bíblia ou estudo em família, mas a grande maioria irá aproveitar para assistir televisão. As maioria das pessoas precisam de controle para servir a Deus, caso contrário, deixariam de servi-lo.
Mas essas
estruturas de governo eclesiástico precisam de rebeliões,
como as que vocês participam, para que seus governantes sejam
advertidos, de tempos em tempos, que não podem se transformar em
tiranos dominadores. Rebeliões são um remédio
necessário à saúde das religiões
cristãs. Se você observar, todas as religiões
cristãs estão paulatinamente aprimorando o seu modo de
servir a Deus. Quantas melhoras houve na Igreja Católica nos
últimos séculos! E quantas melhoras houve nas Testemunhas
de Jeová nas últimas décadas! E tudo isso
graças às rebeliões. A meu ver, uma pequena
rebelião de vez enquado é tão necessária no
mundo religioso quanto as tempestades no mundo físico. Portanto,
vocês bereanos e outros apóstatas prestam um grande
serviço à causa cristã, embora nenhuma das partes
entenda claramente isso.
Não sei me fiz entender, mas é mais ou menos isso que eu
penso. Um abraço a todos vocês e recebam minhas
saudações cristãs.
Josivan Cardoso
Tudo bem, Josivan. Lemos as variadas idéias que você apresentou acima e fizemos um sincero esforço de entender o que você pensa. Você cita o filme, alguns filósofos, certos raciocínios sobre a dialética das estruturas políticas e religiosas e a profecia bíblica, tudo dentro do seu entendimento de que tais informações dão base à idéia de que é necessário existir uma “estrutura”. De nossa parte, cremos que há idéias corretas, mas há também uma série de idéias colocadas aí que nós consideramos muito problemáticas, para não dizer totalmente erradas. Só que se tivéssemos de questionar minuciosamente cada ponto, para tentar lhe provar por que tais idéias são erradas, seria necessário escrever outro e-mail muitas vezes maior do que este. Como já lhe dissemos, não é objetivo nosso debater. Vamos comentar apenas uma frase que, a nosso ver, está no cerne da questão e parece ser a base do seu raciocínio. Você disse (com grifos acrescentados):
“A maioria das pessoas precisa de controle para servir a Deus, caso contrário, deixariam de servi-lo.”
Sem entrar no mérito de quão veraz é isso, gostaríamos de colocar outra idéia para você pensar. E tem relação com essa questão de “servir a Deus”.
Você com certeza conhece o relato bíblico de Jó, e sabe qual era o problema lá. No caso dele, o desafio lançado era que ele só servia a Deus por causa de certos fatores externos, e se tais fatores fossem retirados, ele deixaria de servi-Lo. Deus aceitou o desafio porque Ele tinha certeza que este não era o caso. E de fato ficou comprovado que Jó seria fiel a Ele de qualquer maneira, independentemente de qualquer fator.
Uma vez que a onisciência de Deus não diminuiu, cremos que você não teria problemas em aceitar a idéia de que Deus ainda sabe até hoje qual é a motivação do coração de cada homem ou mulher para servi-lo. Usando a sua frase, cremos que uma pergunta que Deus poderia muito bem se fazer no seu caso, no nosso e no de qualquer homem ou mulher da terra é a seguinte: “Está essa pessoa me servindo porque faria isso de qualquer maneira, ou é só porque ela está sendo ‘controlada’ por outros?”
Cremos que esse tipo de questionamento tem um grande potencial para fazê-lo reavaliar tudo o que você disse acima. Até porque nós não cremos de maneira alguma que o critério de julgamento de Deus tenha mudado, como se no tempo de Jó Ele avaliasse as pessoas individualmente, independentemente de qualquer fator e hoje as avalie de maneira diferente, dando alguma importância a fatores tais como elas estarem dentro de uma organização específica e sendo “controladas” por esta organização, como condição para servi-Lo. Por isso, achamos que este é um assunto para sua séria consideração. Ele está muito relacionado àquela questão da “responsabilidade individual” que lhe perguntamos no outro e-mail e que tentamos lhe explicar melhor acima. Fica aqui este raciocínio para você pensar.
Com estima cristã.
Seus irmãos do,
Mentes Bereanas
http://www.mentesbereanas.org
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