O Corpo Governante é "Maquiavélico"?

 

Em resposta, Josivan nos enviou o seguinte email:

Senhores,

Apreciei esta última mensagem também. Realmente entendo melhor o objetivo de vocês agora. Eu gostaria de comentar alguns pontos dela, mas não posso fazer isso agora, pois estou sem tempo para isso, e não quero escrever às pressas. Correspondência sobre assuntos espirituais requer reflexão. Mas assim que puder, lhes escreverei. Obrigado.

Josivan Cardoso

 

No mesmo dia ele escreveu uma resposta relativamente longa para o email do Daniel Phileleutherus:

(O membro do MB que enviou a segunda resposta ao Josivan fez algumas observações no email abaixo, as quais estão escritas em vermelho).

Olá Sr. Phileleutherus,

Minhas refutações estão no corpo de seu e-mail (que está em azul):

Prezado Josivan,

Desculpe a demora em responder-lhe. Como você estava aguardando resposta de dois membros do Mentes Bereanas, esperei até que o Carlos lhe respondesse para então responder ao seu e-mail.

Sobre o artigo que publiquei no site Mentes Bereanas

Acredito que minha exposição do assunto "confissões" tem sólido balizamento bíblico. Mesmo assim eu aprecio um intercâmbio de argumentos com respeito ao que escrevo. É um exercício necessário para o crescimento espiritual dos dois lados, como diz o provérbio bíblico:

 "Como duas lâminas de ferro ficam mais afiadas quando são esfregadas uma contra a outra, dois amigos que discutem seus problemas com sinceridade acabam mais amigos e mais maduros do que antes". -- Provérbios 27:17 (Bíblia Viva)

Mas para que este intercâmbio seja realmente produtivo, eu gostaria que você fosse mais específico em suas refutações. Que textos bíblicos dizem inequivocamente que temos que confessar nossos pecados aos anciãos (ou padres, pastores etc.)? Há algum texto aplicado de modo errado? Qual? E qual é a aplicação correta? Preciso dessas informações para poder analisar a validade da sua opinião sobre o que escrevi.

Não estou com tempo para fazer uma pesquisa  mais profunda sobre esse assunto agora. Mas apenas para que você possa perceber como passou por alto o sentido de certos textos, aqui vai algo para você analisar:

PROVÉRBIOS 28:13 diz:

"Quem encobre as suas transgressões não será bem sucedido, mas, ter-se-á misericórdia com aquele que [as] confessa e abandona."

Note: "Quem encobre suas transgressões..." Encobre de quem??? Não de Jeová, pois de diante de Jeová tudo está a descoberto, nada está escondido, conforme Hebreus 4:13: "E não há criação que não esteja manifesta à sua vista, mas todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma prestação de contas." Portanto, quando o texto diz: "Quem encobre...", se refere a encobrir dos anciãos, esconder deles suas transgressões.

E por que tal pessoa que encobre suas transgressões dos anciãos não será bem sucedida? Porque os anciãos poderiam ajudá-la a corrigir os seus erros e se restabelecer espiritualmente. Mas por esconder deles seus pecados, ela não recebe esta ajuda e acaba repetindo o erro.

*******************

Embora esse texto de Prov. 28:13 não diz se a confissão deve ser feita a Deus ou aos homens, ele não pode estar contra todos os demais, que dizem que a confissão se faz a Deus. Não há um texto que diga claramente que devamos confessar pecados a homens.

O texto de Heb. 4:13 também argumenta contra a idéia da confissão a homens. Assim, a pergunta e a resposta deveriam ser reformuladas do seguinte modo:

"E por que tal pessoa que encobre suas transgressões (não dos anciãos, mas de Deus) não será bem sucedida? Porque "não há criação que não esteja manifesta à sua vista, mas todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma prestação de contas."

**********************

Na parte B o texto diz: "ter-se-á misericórdia daquele que as confessa e abandona". Novamente te pergunto:  Confessar a quem? A Jeová? Não, pois ele já sabe dos nossos erros.

O dicionário Aurélio define "confessar":  "Contar (um segredo); revelar (o que antes ocultava).  [td. ] [tdi.  + a].

Nossos pecados não são segredos para Jeová. Portanto o texto quer dizer confessar àqueles que não sabem do nosso erro. Neste caso seriam os anciãos.

****************************************

Então o que significam textos como estes?:

Daniel 9:4:E comecei a orar a Jeová, meu Deus, e a fazer confissão e a dizer:. . .

Neemias 1:5-6 . . . E prossegui, dizendo: "Ai! Jeová, Deus dos céus, o Deus grande e atemorizante, guardando o pacto e a benevolência para com os que o amam e que guardam os seus mandamentos, por favor, fique teu ouvido atento e fiquem teus olhos abertos para escutar a oração de teu servo, com que hoje oro diante de ti, dia e noite, referente aos filhos de Israel, teus servos, ao passo que faço confissão quanto aos pecados dos filhos de Israel com que pecamos contra ti. Pecamos, tanto eu como a casa de meu pai. . .

2 Crônicas 30:22 . . . E passaram a comer o banquete designado, por sete dias, oferecendo sacrifícios de participação em comum e fazendo confissão a Jeová, o Deus de seus antepassados.

e outros...

Se, a questão principal é Deus saber ou não todas as coisas, qual seria o objetivo destas confissões?

*************************

Outro texto chave: TIAGO 5:14-15

"Há alguém doente entre vós? Chame a [si] os anciãos da congregação, e orem sobre ele, untando-o com óleo em nome de Jeová. E a oração de fé fará que o indisposto fique bom, e Jeová o levantará. Também, se ele tiver cometido pecados, ser-lhe-á isso perdoado."

Se a pessoa está doente (espiritualmente) deve chamar os anciãos. Para que? Para que eles possam untá-la com óleo (conselhos e admoestações e até repreensões se for necessário da Palavra de Deus). Agora eu lhe pergunto: Como os anciãos poderão untá-la com o óleo certo se não sabem quais são os seus pecados?

**********************

Esse texto não diz que a "doença" é necessariamente em resultado de algum pecado. O pecado é mencionado de maneira incidental ("se ele tiver cometido pecados"...) O objetivo de se chamar os anciãos não é a confissão de pecados e ouvir "conselhos, admoestações e repreensões" e sim a oração. Essa expressão "óleo certo" não tem cabimento aqui. Não existe maneira de tal oração de fé estar 'errada' de algum modo ou não ser eficaz para o problema, pois o texto diz claramente que ela "fará que o indisposto fique bom".

*******************************

Se uma pessoa está doente fisicamente e chama um médico, como o médico poderá dar a ela o remédio certo se ela não lhe disser o que está acontecendo com ela, o que comeu, se pegou chuva ou não, se fez alguma extravagância, etc.?

***************************

Pressupõe-se que os anciãos são os "médicos". O 'médico' citado no texto é Deus, não os anciãos... É a "oração de fé" que fará o indisposto ficar bom e é Jeová que o levantará. O texto não diz uma palavra sobre o "doente" ter de descrever detalhadamente seu problema ou a possível causa de sua "doença" (tal como um pecado) aos anciãos.

*******************************

Também a parte final do texto diz: "Se tiver cometido pecados ser-lhe-á perdoado". Você mesmo disse no seu artigo que um requisito para o perdão dos pecados é a confissão. Confissão a quem? Volte a Provérbios 28:13 acima.

******************************

"Se tiver cometido pecados ser-lhe-á perdoado", por Deus, para quem os pecados devem ser realmente confessados (e Prov. 28:13 não está contra os demais textos neste particular). Assim como a confissão deve ser feita a ele, o perdão por algum eventual pecado se origina dele; não depende das palavras ou ações de algum homem.

********************************

Também JOSUÉ 7:19 diz: "Josué disse então a Acã: "Meu filho, por favor, dá glória a Jeová, o Deus de Israel, e faze confissão a ele, e por favor, dize-me: O que fizeste? Não mo ocultes.""

*****************************

A quem o texto está dizendo que era para ser feita a confissão mesmo?

**************************************

Notou o que Josué disse a Acã: "O que fizeste? Não mo ocultes." Acã havia furtado algo de Jericó, desobedecendo as ordens de Jeová. Toda a nação de Israel estava sofrendo com aquilo. De Jeová ele não estava ocultando nada, pois Jeová sabia o que ele havia feito. Mas ele estava ocultando de Josué, que era o responsável designado por Jeová. Entende a analogia?

***********************

É preciso ler o capítulo 7 de Josué inteiro. Isolar um ou dois versículos do contexto comumente leva alguém a uma dedução que pode não ser a certa ou a uma falsa analogia. O castigo que Deus impôs à nação de Israel foi devido a Acã ter desobedecido à ordem expressa que havia sido dada e Deus sabia exatamente que o culpado era ele. O castigo não veio simplesmente porque Acã estava escondendo alguma coisa de Josué. E não foi Acã que "confessou" alguma coisa a Josué. Ao contrário, foi Deus quem denunciou claramente a Josué que o culpado era aquele homem. A resposta que Acã deu ("De fato, eu é que pequei contra Jeová, o Deus de Israel", no versículo 20 ) mostra que ele já havia sido identificado. No momento em que perguntou a ele, Josué já sabia disso. O que Josué quis saber foram os detalhes do caso. Mas, independentemente desses detalhes, o culpado na história já estava determinado e a sentença já havia sido proferida de antemão para qualquer um que fizesse isso. Não foi Josué que a estabeleceu; ele simplesmente a fez cumprir, na qualidade de representante designado.

**********************************

Os que pecam podem prejudicar a congregação inteira (pois Jeová retira o espirito santo da congregação) se ocultarem, não confessarem seus pecados aos anciãos.

****************************

É preciso apresentar algum texto que confirme isso! Qual é a evidência bíblica de que as coisas funcionam dessa maneira na congregação cristã?

Salmos 51:11 diz:."Não me lances fora de diante da tua face; E não tires de mim o teu espírito santo.. . ."

Esse texto indica que o espírito de Deus pode de fato ser retirado de pessoas. Mas não há qualquer referência bíblica a Deus retirar seu espírito de um grupo e desta forma prejudicar o grupo inteiro, por causa dos pecados de uma pessoa específica.

*********************************

Como disse, não posso me estender muito agora sobre o assunto, mas o que expus acima já dará para você perceber como torceu (inconscientemente, espero) o assunto no seu artigo.

Quem sou eu

Você disse que acha que sabe quem sou eu. Está enganado, meu irmão. Eu nunca pertenci à congregação Vila Angélica e nunca morei em Sorocaba-SP. Cuidado para não desconfiar das pessoas erradas neste assunto. Há alguns meses a Torre de Vigia desqualificou um ancião achando que ele fosse o autor de uma carta anônima que eles haviam recebido em Betel com duras críticas ao Corpo Governante. O verdadeiro autor da carta nos escreveu bastante chateado pelo que havia causado ao irmão. Não cometa o mesmo erro.

Tudo bem, posso ter me enganado. É que tinha um irmão na Congregação Vila Angélica que defendia esta mesma tese do seu artigo, usando a mesma linha de raciocínio. Achei que fossem a mesma pessoa. Quanto a esse caso que você menciona, não acredito. Se você já foi ancião, como diz, sabe muito bem como é difícil Betel desqualificar um ancião ou um servo ministerial por outro motivo que não seja um pecado muito grave. Betel não iria incriminá-lo sem provas contundentes de que cometeu uma falta gravíssima. Portanto se Betel realmente o desqualificou, com certeza ele deve ter escrito mesmo esta tal carta ou cometido outro tipo de pecado.

Não perca o seu tempo tentando adivinhar quem nós somos. Siga o conselho do livro Raciocínios, p. 394-5:

"Quando a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia doou os direitos autorais da tradução realizada, ela pediu que seus membros permanecessem no anonimato". A Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia, EUA, tem honrado seu pedido. [...] Visto que os tradutores preferiram ficar no anonimato, a pergunta não pode ser respondida aqui em termos da formação cultural deles. A tradução tem de ser avaliada pelos seus próprios méritos.

Portanto, avalie os artigos do Mentes Bereanas pelos seus próprios méritos e respeite a decisão dos escritores de permanecerem no anonimato. E já que você sabe de onde eu tirei a idéia para o meu pseudônimo, deve ter decifrado também o que DANIEL PHILELEUTHERUS significa, ou seja, que eu só aceito o julgamento de Deus para esta decisão que tomei. -- Gálatas 1:10

Você demonstrou no final do seu e-mail uma gana em desmascarar e expor aqueles que trabalham secretamente para o esclarecimento espiritual das Testemunhas de Jeová, para abrir-lhes os olhos para uma realidade que eles ignoram e que lhes é extremamente prejudicial. Acho paradoxal essa sua atitude, tendo em vista a resposta que você enviou ao Carlos, na qual reconhece que todos os podres da Torre de Vigia que expomos no Mentes Bereanas são fatos contra os quais não há argumentos.

Se nós estamos expondo os fatos que a Torre de Vigia tenta esconder de seus adeptos, então nós estamos tentando falar a verdade, e a Torre de Vigia está tentando sustentar mentiras. – João 8:44

Medite e ore sobre esse assunto. O que sua consciência cristã lhe diz? A quem você deve desmascarar e expor, àqueles que querem que a verdade venha à tona, ou àqueles que querem escondê-la das Testemunhas de Jeová?

Há um excelente artigo n'A Sentinela 15 de julho de 1974 que pode ajudá-lo nessa reflexão.  

"Pode-se ser fiel a Deus, todavia ocultar os fatos?

O QUE resulta quando se deixa uma mentira passar incontestada? Não ajuda o silêncio a passar a mentira como sendo verdade, a ter mais liberdade para influenciar muitos, talvez para prejuízo sério deles?

O que acontece quando se deixa que má conduta [...] fiquem sem serem expostas e condenadas? Não é como encobrir uma infecção, sem empenho para curá-la e impedir que se espalhe?

Quando há pessoas em grande perigo, duma fonte de que não suspeitam, ou quando são desencaminhadas por aqueles que consideram ser seus amigos, será que é desamoroso adverti-las, Talvez prefiram não acreditar na advertência. Podem até mesmo ressentir-se dela. Mas livra isso alguém da responsabilidade moral de dar tal advertência?

[...] Acredita que as mentiras não devem passar incontestadas? Então, que dizer das falsidades ditas a respeito de Deus, das deturpações de seus propósitos anunciados? Estas certamente não são menos sérias, mas sim mais sérias do que as mentiras gerais. Talvez concorde que se deva expor a transgressão. Mas que dizer quando a transgressão é praticada por pessoas religiosas, talvez por pessoas de sua própria igreja? Fará a fidelidade a Deus com que fale a favor do que é direito? [...]"

"A Sentinela", 15 de julho de 1974, p. 419

Jesus sempre foi fiel a seu Deus e Pai, todavia ocultou certos fatos de seus discípulos, pois eles não eram capazes de suportar. Sigo o exemplo dele. Eu sei de muita coisa realmente, já li quase tudo que havia para eu ler na Internet sobre a Torre de Vigia, mas sei que meus irmãos não suportarão se eu compartilhar com eles o que eu sei.  (João 16:12) Neste aspecto eu concordo com o que disse o R.L.O., na página 356 do livro "A Verdade Sobre as Testemunhas de Jeová", dos autores Willian do Vale Gadelha e Cid de Farias Miranda (A citação é muito longa para eu transcrevê-la aqui, mas tenho certeza que você tem este livro. Não deixe de conferir.)

*****************************

É possível comentar extensamente os problemas sérios dessa analogia. Mas, para não nos delongarmos muito, seria preferível conferir o que diz o texto, prestando atenção ao complemento da idéia:

"Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las. No entanto, quando esse chegar, o espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade, pois não falará de seu próprio impulso, mas falará as coisas que ouvir e vos declarará as coisas vindouras.

Note-se que Jesus disse que não revelaria as informações naquele momento, mas deixou bem claro que faria isso depois. Se esse texto é aplicável ao caso aqui, deveríamos pensar então que há um "momento certo" no futuro para revelar essas informações que estão "na internet" aos irmãos que não sabem delas? Se for assim, quem determinaria se chegou esse momento certo e quem é que daria as informações?

***********************************

Pense bem nisso, Josivan. O conhecimento nos torna responsáveis. E você tem um amplo conhecimento do que acontece nos bastidores da Torre de Vigia.

Vocês gostam de cobrar de todos aqueles que descobrem "a verdade sobre a verdade" (para usar o jargão de vocês) que tomem uma atitude com respeito ao que descobriram. Interessante que Jesus não agiu assim com Nicodemos e José de Arimatéia. Não encontramos no relato de João 3:1-21; 12:42; 19:38 Jesus ou os apóstolos dizendo: "E aí Nicodemos, você é responsável diante de Deus, agora que conhece os erros dos farizeus. Vai continuar como membro do Sinédrio? O que te diz a sua consciência? E você, José de Arimatéia, não sabe que os covardes não herdarão o Reino de Deus?

*****************************************

É verdade, Jesus nunca cobrou nesses termos. E tampouco nós fazemos isso. Simplesmente lembrar às pessoas que "o conhecimento traz responsabilidade" é muito diferente de "cobrar" delas alguma atitude. Jesus tinha esse direito. Nós não. Cada um é quem deve avaliar a si mesmo e determinar se aceitará essa responsabilidade ou não. No final, a boa-fé e as conseqüências da decisão que cada um tomar serão julgadas por Deus, não por nós, homens.

**********************************

Pense bem nisso você também, Richard Bentley. Eu também só aceito o julgamento de Cristo sobre minhas ações, o dos homens não tem importância para mim. 

***********************************

Então não parece ter cabimento ficar defendendo a todo custo essa idéia de que se devem confessar pecados a homens e se expor aos procedimentos "judicativos" deles, correto?

***********************************

Aguardo sua resposta.

Aceite minhas saudações cristãs.

Daniel Phileleutherus

Eu aceito suas saudações cristãs e lhe envio as minhas.

Josivan Cardoso

 



IR PARA A RESPOSTA A ESTA MENSAGEM
ou
VOLTAR PARA A PÁGINA DE INTRODUÇÃO