O Corpo Governante é "Maquiavélico"?

 

Réplica à segunda comunicação do Josivan:

 

Josivan,

O Carlos está indisponível no momento. Mas nós lemos com atenção sua resposta e pensamos nela, como pediu. Devemos dizer que num primeiro momento ela nos surpreendeu muito, por duas razões.

A primeira razão é que geralmente as pessoas que levantam questões quanto ao nosso trabalho dão toda a evidência de não saberem de fatos como os que lhe apresentamos em nossa primeira resposta. E mesmo quando estão a par de alguns deles, esforçam-se em contradizê-los ou em tentar achar justificativas para nos "explicar" determinadas situações. Você, ao contrário, dá toda a indicação de conhecer tais fatos muito bem, e ainda reconheceu prontamente que "não há como refutá-los". Nós nem vamos lhe perguntar como foi que você ficou sabendo de tudo isso e de que fonte você extraiu as informações que sabe, muitas das quais, aliás, atingem perfeitamente o alvo. Caso tivéssemos desconfiado que seu nível de informação era tão alto assim, certamente não teríamos gastado tempo reunindo aqueles dados para lhe enviar.

Mas o aspecto mais surpreendente de sua resposta é que, apesar do conhecimento e da visão perspicaz que demonstra, você cai na mesma armadilha de muitas Testemunhas e parece que ainda não enxergou onde está o problema básico. Insiste que nós não conhecemos nossa religião "de cima para baixo", unicamente com base na idéia de que a posição dos homens que lideram a organização, de terem de 'decidir fazer o que acreditam ser o mais correto' é uma posição muito difícil e que se nós estivéssemos no lugar deles (ou do Papa católico romano), 'não agiríamos diferente' e poderíamos agir 'igual ou até pior'.

Não vamos negar essas coisas, Josivan. Ao contrário do que você acha, conhecemos muito bem essa situação que ocorre "de cima para baixo" em qualquer estrutura que se possa imaginar. E você já devia saber que as críticas que fazemos a eles não têm a intenção de sugerir que os problemas em questão são fáceis de resolver ou que nós aqui temos mais competência para decidir as coisas do que as pessoas que ocupam essas posições. E cremos que, em sua mente pelo menos, você deve saber que a comparação que fez entre nós e a oposição a um governo é inválida e não tem qualquer aplicação à discussão aqui. As pessoas que fazem oposição a um governo político têm o objetivo claro de um dia serem elas mesmas os governantes. Esse certamente não é o nosso caso.

E nosso trabalho não visa a simplesmente provocar debates exegéticos e hermenêuticos com quem quer que seja. A única razão de estarmos respondendo agora a você é que, em sua resposta você mostrou que não entendeu bem qual é a verdadeira natureza de nossa "oposição", bem como da de muitos outros dissidentes. Isso precisa e deve ser esclarecido.

Na realidade, contrário ao que você pensa, o problema não está "de cima para baixo". Ele está é de baixo para cima. Como você deve saber muito bem, Josivan, tais estruturas de liderança humana só existem porque existem aqueles que as aceitam e se deixam dominar por elas. E por que razão? Será que é por tais estruturas serem indispensáveis para a vida ou é porque as pessoas que estão debaixo delas acreditam que elas são? Perguntamos ainda: Você acredita realmente que se o Corpo Governante não assumisse mais essa tarefa de 'decidir as coisas', outros homens teriam de fazer isso no lugar deles?

Muito relacionado com isso, existe um trecho de sua mensagem que chama a atenção. Você afirmou:

"Mesmo que o Corpo Governante decidisse corrigir tudo que está errado, penso que os homens abaixo do Corpo Governante não permitiriam isso e tomariam o poder em suas mãos. E mesmo que as esferas de poder abaixo do Corpo Governante fossem concordando, homens individuais assumiriam o poder, e nós teríamos uma organização de quase sete milhões de membros se transformando em milhares de pequenas organizações religiosas."

Sim, concordamos plenamente. Tudo isso que você descreve poderia ocorrer, sim. E pela seguinte razão: Não é só porque nesta e em qualquer organização política ou religiosa do mundo existem homens ávidos de poder. É porque existe um número muito maior ainda de pessoas que acreditam que tais estruturas devem existir e que homens devem 'assumir o poder', e que eles têm o direito de 'decidir as coisas para os outros do modo que eles acham ser o mais correto', e que, por mais 'imorais, anti-cristãs, erradas e horríveis' que tais decisões possam ser, as pessoas comandadas devem aceitá-las e até considerá-las como "as mais acertadas, politicamente".

Conhecemos as idéias apresentadas na obra "O Príncipe", de Maquiavel. E não podemos dizer que "odiamos" o que ele escreveu lá. Concordamos com você, inclusive, que esse livro dá uma boa amostra da complexidade que é para um homem ter o poder nas mãos. A leitura dele pode até ser recomendada para as pessoas que desejam ser consideradas como esclarecidas. O que nos parece verdadeiramente assustador é você ter incluído as idéias desse livro no contexto da discussão aqui. Falando francamente, ninguém aqui do Mentes Bereanas jamais se atreveu a afirmar que o Corpo Governante está 'agindo maquiavelicamente em alguns assuntos', fazendo isso de modo deliberado. É realmente espantoso que tais palavras tenham vindo de alguém que se apresenta como defensor deles! O que está em nossa pauta de discussão é a capacidade dos homens de assumir essas posições de autoridade sobre seus semelhantes, bem como a legitimidade disso. Diante disso, a boa-fé (ou falta dela) por parte deles no desempenho consciente dessa função (que é contrária ao propósito de Deus para os homens) torna-se o aspecto menos importante.

Embora você não tenha deixado claro se crê na Bíblia ou não, parece-nos que crê, sim. E esse é o nosso caso também. Por isso, em vez de tentar lutar com as complexidades decorrentes de se aceitar a idéia de que tais estruturas de liderança religiosa humana são absolutamente essenciais para a nossa vida espiritual e em lugar de ficar tentando arrumar incríveis explicações para de alguma maneira 'legitimar' a existência de posições de liderança humana (como o Corpo Governante), nós, aqui do Mentes Bereanas, cremos que um procedimento muito mais sábio é nos atermos a estas palavras simples que você conhece muito bem:

"Tudo isto eu tenho visto, e houve um empenho do meu coração em todo o trabalho que se tem feito debaixo do sol, [durante] o tempo em que homem tem dominado homem para seu prejuízo." (Ecle 8:9, TNM)

A partir do momento em que reconhecemos a verdade básica de que isso traz prejuízo mesmo, temos todo o motivo para aceitar e incentivar as pessoas a aceitar o seguinte conselho apostólico, que é o único que realmente resolve o problema:

"Vós fostes comprados por um preço; parai de vos tornardes escravos de homens." (1 Cor 7:23, TNM).

Portanto, Josivan, também queremos deixar uma pergunta final a você. E ela não é só de retórica, não. Pelo contrário, deveria ser da sua mais alta reflexão: Você aceitará a responsabilidade que o conhecimento destas realidades traz? Ou prefere ficar arranjando explicações alternativas para tentar atenuá-las ou até negá-las? A decisão é sua.

Só uma observação final: Nós realmente usamos pseudônimos, e nem precisamos lhe explicar o porquê disso. Mas é recomendável ter cuidado até mesmo quanto a isso. Ninguém aqui usa pseudônimos que poderiam trazer embaraços para os donos dos nomes verdadeiros. O Carlos (na verdade Carlos M. Silva, não Carlos A. Silva) nunca teve a intenção de ser confundido com um superintendente de circuito. O Miguel (na verdade Miguel Servet Jr.) homenageia o exemplo de um homem que está morto há séculos. E assim por diante. Se fosse realmente o caso de todos nós aqui termos achado que você era um superintendente de circuito, não haveria problema algum. Ele é quem poderia não gostar de ver alguém usando o nome dele dessa maneira...


Com estima cristã,

Mentes Bereanas
http://www.mentesbereanas.org



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