Artigo sobre a história de Johannes Kepler, um importante matemático e astrônomo alemão do século 16. Logo de início é dito o seguinte sobre Kepler: “Por trás da estatura pequena de Kepler havia uma extraordinária inteligência e um caráter decidido”. (p. 24, § 2). O que induziu a Torre de Vigia a tecer tais elogios a Kepler? Era ele realmente uma figura digna de admiração?

Kepler nasceu pobre, mas bolsas de estudo dadas por nobres locais garantiram a sua boa formação. Kepler estudou teologia na Universidade de Tubingen. De início ele queria ser pastor luterano. “Mas logo se tornou reconhecida sua genialidade para matemática.” (p. 24, § 3).
Uma pessoa que teve importante papel na vida de Kepler foi o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe. Embora ele não fosse tão genial como Kepler, fez importantes observações das órbitas dos planetas e esses estudos foram fundamentais para Kepler elaborar o modelo elíptico do sistema solar.
Por ter escrito a sua obra num latim difícil, ela não teve inicialmente um grande impacto na comunidade acadêmica. Posteriormente, porém, se tornou referência obrigatória no meio científico. Até Isaac Newton usou o trabalho de Kepler para elaborar os seus estudos sobre as leis do movimento e da gravidade.
.....................................
Um fato marcante na vida de Kepler foi a intolerância religiosa. Ele viveu numa época de intolerância, quando a religião tentava conter a liberdade do livre pensamento entre os seus membros. Por causa desse tipo de intolerância, ele foi obrigado a deixar a cidade de Graz (onde a Igreja Católica exercia forte influência). Por causa de suas idéias, Kepler foi também excomungado da Igreja Luterana (a Despertai! não menciona esse pormenor).
Que coisas terríveis teria dito Kepler para que ele fosse tão perseguido por religiosos? Como costuma ocorrer na história da religião o motivo básico era que as descobertas de Kepler contradiziam certos ensinos dogmáticos das igrejas. Kepler disse: “Cada planeta gira em volta do Sol numa órbita elíptica, a uma velocidade que varia em relação à sua distância do sol”. (p. 26, §1). Os religiosos influentes e em cargos de autoridade diziam que tudo girava em torno da Terra, e não do sol, tal como Aristóteles ensinara (até mesmo Martinho Lutero acreditava nisso). Como se vê, Kepler foi mais uma vítima do autoritarismo religioso, tanto católico como protestante, pois nada ele disse que merecesse uma punição “eclesiástica” (normalmente quem pune diz que está agindo de acordo com a vontade de Deus. Que é só um instrumento na mão Dele. E assim julgamentos inquisitoriais injustos vão se perpetrando ao longo dos séculos, e é uma realidade até os dias de hoje).

A vida de Kepler naquele período foi descrita na Despertai! da seguinte maneira: “Durante toda a sua vida, Kepler, que era luterano, sofreu perseguição e preconceito religiosos.... [Dentre os vários episódios de sua vida] foi expulso da Refeição Noturna do Senhor por discordar de seus colegas luteranos que acreditavam que Deus é onipresente.... a intolerância religiosa era um anátema para Kepler.” (p. 27, §1) Por causa da intolerância religiosa, Kepler escreveu: “Sofrer juntamente com muitos irmãos pela causa da religião e pela glória de Cristo, suportando o dano e a desgraça, abandonando casa, campos, amigos e lar – nunca pensei que tudo isso pudesse ser tão agradável.” (Johannes Kepler, de Ernst Zinner). Certamente Kepler não sentia literalmente prazer quando era perseguido, mas à vista de Deus se sentia bem, por saber que não fez nada de errado ao escrever sobre os fatos que descobrira.
Por causa do autoritarismo religioso Kepler perdeu amigos, abandonou casas, e foi densorado diante de seus irmãos de fé, muitos dos quais não percebiam que Jesus condenou a censura excessiva e a imposição de ensinos rígidos sob a égide da autoridade religiosa. A história do confronto de Jesus com os líderes religiosos judaicos foi uma lição não aprendida pelos perseguidores de Kepler, e por muitos ao longo da história da religião.
Obviamente a genialidade de Kepler por si só já é um motivo de admiração. No entanto, a postura dele diante da intolerância religiosa é o que deve ter motivado o escritor desse artigo da Despertai! a elogiá-lo. Como se viu, foi por contradizer certos ensinos supostamente factuais, defendidos pela Igreja, que Kepler se tornou uma pessoa de caráter admirável. Estava disposto a sofrer perdas por causa de suas opiniões.
Por esse artigo da Despertai! conclui-se que os que estão no topo da hierarquia religiosa deveriam refletir sobre como usam a sua autoridade. Deviam evitar a punição de membros que apresentam fatos que abalam o fundamento de algum ensino “oficial”. Deviam centrar-se no assunto, e não em quem o apresenta. Infelizmente até hoje muitos não aprenderam nada da história de Kepler, no quesito intolerância religiosa como forma de proteger dogmas infundados...
IR
PARA OS "DESTAQUES DAS REVISTAS"
ou
IR PARA A LISTA DE ARTIGOS