O Instrumento Usado Para a Execução de Cristo
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Representações
da Execução de Cristo em Publicações da Torre de Vigia |
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Alguns cristãos acreditam que o instrumento
no qual Jesus Cristo foi executado não era em forma de uma cruz – uma estaca
reta com uma barra transversal – e sim simplesmente a estaca reta. Os maiores
defensores desse conceito são as Testemunhas de Jeová (Associação Torre
de Vigia). Acerca do instrumento usado para executar Cristo, a enciclopédia
desta organização, intitulada Estudo Perspicaz das Escrituras, declara
no início do verbete “Estaca de Tortura” (Volume 2, pág. 43):
“Instrumento tal como
aquele em que Jesus Cristo morreu por ser pregado nele. (Mt 27:32-40; Mr
15:21-30; Lu 23:26; Jo 19:17-19, 25) No grego clássico, a palavra (stau·rós),
traduzida por “estaca de tortura” na Tradução do Novo
Mundo, denota primariamente uma estaca, ou poste, ereto, e não há nenhuma evidência de que os
escritores das Escrituras Gregas Cristãs a usassem para indicar uma estaca
com travessa.” [Grifo acrescentado. Daí o artigo faz uma citação
do livro A Cruz Não-Cristã, de John Denham Parsons,
para apoiar esta declaração.]
Tanto Israel como Judá desconsideraram a ordem expressa de Deus, de não erguer colunas sagradas e postes sagrados; eles os colocavam sobre “todo morro elevado e debaixo de cada árvore frondosa”, ao lado dos altares usados para sacrifícios. Tem-se sugerido que os postes representavam o princípio feminino, ao passo que as colunas representavam o princípio masculino. Estes itens de idolatria, provavelmente símbolos fálicos, estavam associados com orgias sexuais crassamente imorais, conforme se vê da indicação de que já no reinado de Roboão havia no país homens que se prostituíam. (1Rs 14:22-24; 2Rs 17:10) Só raramente surgiam reis, como Ezequias (e Josias), que ‘removeram os altos e despedaçaram as colunas sagradas, e deceparam o poste sagrado’. — 2Rs 18:4; 2Cr 34:7.
Enfatizemos estes comentários:
As Escrituras Gregas Cristãs foram escritas
em grego comum, não clássico. Portanto, mesmo sendo verdade que a palavra
stauros denota primariamente uma
estaca, ou poste ereto no grego clássico, isso não afeta o sentido de seu
uso nas Escrituras Gregas Cristãs, cujos escritores adaptaram termos gregos
para expressar conceitos não-gregos. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová
concordam prontamente que quando os escritores da Bíblia usaram a palavra
hades para expressar o conceito
hebraico embutido na palavra sheol,
eles não tinham a intenção de fazer o leitor incorporar o conceito pagão
de tormento consciente, que era normalmente associado com a palavra hades. A execução num stauros não era um método grego de punição,
e sim romano. Na língua romana
existe a palavra crux, termo que
é traduzido em português como cruz,
e pode se referir tanto a uma estaca vertical simples como a uma que tem
um patibulum, que é o termo latino correspondente
a uma viga transversal. Portanto, os romanos evidentemente usaram esse acessório
em certas ocasiões.
“Tomé,
chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu.
Os
outros discípulos lhe disseram: “Vimos o Senhor!” Mas ele lhes disse: "Se
eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar
o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu
lado, não crerei”.
Note-se que o texto fala em “pregos”
(plural). Verificando qualquer representação artística que as publicações
da Torre de Vigia fazem da execução de Jesus, vemos que apenas um prego
é usado em suas mãos, enquanto a representação artística tradicional sobre
uma cruz tem dois pregos, um em cada mão. É claro que isso não é totalmente
conclusivo, já que os romanos poderiam ter executado Jesus sobre uma estaca
reta, usando dois ou mais pregos para prender as mãos nela. Nem as Testemunhas
de Jeová, nem ninguém hoje pode fazer afirmações taxativas sobre o que teria
ocorrido ou não.
Mas esta não é a única peça de evidência
que a Bíblia apresenta. Consideremos Mateus 27:37:
“Por
cima de sua cabeça colocaram por escrito a acusação feita contra ele:
ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.”
Olhando novamente uma representação
da execução de Jesus nas publicações da Torre de Vigia, vemos que o sinal
proclamando a acusação contra ele é colocado acima de suas mãos, não acima
da cabeça. É claro que alguns poderiam argumentar que estando acima das
mãos de alguém pendurado numa estaca reta, o letreiro estaria automaticamente
acima da cabeça. Mas, se lermos a Bíblia sem imagens preconcebidas, com
a intenção de defender a todo custo as opiniões de líderes religiosos que
prezamos, em que posição situaríamos mentalmente o letreiro? Seria mais
natural situá-lo logo acima da cabeça ou logo acima das mãos?
No final das contas, todo o debate
acirrado em torno desse assunto, no qual se empenham certas organizações
religiosas é completamente sem propósito. Sabermos qual era a forma do instrumento
que foi usado para executar Jesus é totalmente irrelevante em relação ao
significado da morte dele. A verdade dessa questão é que nem a Torre de
Vigia, nem o Cristianismo em geral poderiam ser acusados de usar símbolos
sexuais em suas representações artísticas da morte de Cristo, uma vez que
nenhuma organização religiosa considera seus instrumentos preferidos dessa
maneira. Além disso, seja qual for o instrumento que tenha sido usado para
executar Jesus, não há qualquer instrução na Bíblia para que os cristãos
portem, adorem, beijem ou se curvem diante deste instrumento. O máximo que
se pode sugerir às lideranças religiosas, incluindo a das Testemunhas de
Jeová, é que prestem atenção a essas palavras de Jesus, registradas em Mateus
7:3-5:
A história de Jesus nada mais fez
que resgatar a cruz da associação pagã e vulgar que ela tinha no passado.
É pena que alguns cristãos, deixando de apreciar isso e na ânsia de apontar
erros nos outros, procuram desmerecer o testemunho silencioso do amor de
Deus que a cruz dá hoje, associando-o insistentemente com os poderes das
trevas, de onde foi libertado já há muitos séculos, com o objetivo único
de enaltecer uma organização religiosa e seus ensinos, em relação a todas
as demais.


