Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos?
CONCLUSÃO
O imperador Marco Aurélio, um filósofo que, assim
como Sócrates, está entre as mais nobres figuras da Antiguidade, também
percebeu o contraste. Como se sabe, ele abrigava o mais profundo desprezo
pelo Cristianismo.
Poderíamos imaginar que a morte dos mártires cristãos
inspiraria respeito neste grande estóico que considerava a morte com equanimidade.
Todavia, foi exatamente para com a morte dos mártires que ele demonstrou
menos simpatia. O fervor com que os cristãos encaravam a morte o desagradava.
(Marco Aurélio, Med. XI, 3. Na verdade, com o passar do tempo ele
foi desistindo da crença na imortalidade da alma). Os estóicos partiam
desta vida sem paixão, os mártires cristãos, por outro lado, morriam fervorosamente
pela causa de Cristo, pois sabiam que ao fazê-lo permaneciam dentro de
um poderoso processo de redenção. O primeiro mártir cristão, Estêvão,
mostra-nos (em Atos 7:55) quão diferente é a vitória sobre a morte daquele
que morre em Cristo, em comparação com o filósofo da antiguidade: Estevão
diz que viu ‘os céus abertos e Cristo em pé à direita de Deus’! Ele vê
Cristo, o Conquistador da Morte. Tendo esta fé de que a morte, à qual
ele deveria se submeter, já estava conquistada por aquele mesmo Jesus
que a tinha suportado, Estevão se deixou apedrejar.
A resposta à questão “imortalidade da alma ou ressurreição dos mortos” no Novo Testamento é inequívoca. Não há maneira de harmonizar o ensino dos grandes filósofos Sócrates e Platão com o ensino do Novo Testamento. Que as pessoas envolvidas, as vidas delas, e a atitude delas por ocasião da morte podem até ser respeitadas pelos cristãos, os apologistas do segundo século mostraram. Acredito que isto pode ser também demonstrado com base no Novo Testamento. Mas esta é uma questão com a qual não precisamos lidar aqui.