A Eucaristia - Os Fatos por Trás do Ritual
(A Sentinela, 01/04/2008)

 

Artigo que discorre a respeito da Eucaristia, um ritual católico relacionado à morte de Jesus Cristo. Nessa cerimônia "o padre abençoa o pão e o vinho e os fiéis são convidados a receber Cristo em Santa Comunhão". A Eucaristia também é chamada de Ceia do Senhor, Santa Missa, Comunhão etc. O termo "eucaristia" vem do grego eukharistía que significa gratidão, agradecimento e ação de graças.


Gravura da página 26

O autor anônimo desse artigo se propõe a explicar como a tradição da Eucaristia se desenvolveu, e em seguida pergunta: "A Eucaristisa realmente reflete a cerimônia instituída por Jesus Cristo há quase dois mil anos?".

O artigo prossegue: "A Igreja Católica ensina que o pão e o vinho são de maneira milagrosa transformados no corpo e no sangue literais de Cristo - uma doutrina chamada transubstanciação. Esse ensino surgiu aos poucos, e a palavra foi definida e usada oficialmente primeiro no século 13.... Lutero rejeitou a doutrina da transubstanciação e, no seu lugar, promoveu o ensino da consubstanciação.... [ou seja] o pão e o vinho coexistem com a carne e o sangue de Jesus, em vez de serem transformados nessas substâncias."

Depois da informação acima, o autor começa a explicar como era a Comemoração originalmente instituída por Jesus Cristo, no subtítulo "A instituição da 'refeição noturna do Senhor'". É dito que Jesus realmente disse que sua morte deveria ser celebrada, conforme 1 Coríntios 11:20, 24. No entanto, ele não instituiu um ritual misterioso, em que os seus seguidores comeriam literalmente seu corpo e seu sangue. Como Jesus inaugurou essa observância durante o evento da Páscoa judaica, ele aproveitou dois elementos presentes nessa celebração (o pão e o vinho) para usar como símbolos do seu corpo e do seu sangue. E como era costume entre o povo judeu pediu uma benção sobre o alimento, dizendo: "Tomou também um copo, e, tendo dado graças [eukharistésas], deu-lho, dizendo: 'Bebei dele, todos vós; pois isto significa meu 'sangue do pacto', que há de ser derramado em benefício de muitos, para os perdão de pecados.'" - Mateus 26:26-28.

No artigo se afirma que "algumas traduções da Bíblia" traduzem: "Tomai, comei, isto é o meu corpo" e "bebei dele todos. Pois isto é o meu corpo". (A Bíblia de Jerusalém). E também se admite que a palavra grega estin (uma forma do verbo grego "ser"), significa basicamente "é". Entretanto, segundo o autor do artigo, o contexto pode autorizar que se traduza a palavra estin por "significar" ou "representar", e que vários tradutores concordam com isso. Disse o autor: "É o contexto que determina a tradução mais exata. Por exemplo, em Mateus 12:7, estin foi vertido 'significa' em muitas traduções da Bíblia: 'Se vós soubésseis o que significa [grego, estin]: Misericórdia quero e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes'." - Almeida.

Segundo o artigo, "muitos eruditos bíblicos respeitados concordam que a palavra 'é' não traduz corretamente a idéia que Jesus estava expressando". A seguir, cita-se um erudito chamado Jacques Dupont, o qual teria dito que a 'maneira mais natural de traduzir esses versículos seria: "Isto significa meu corpo", ou "Isto representa meu corpo".'

Seguindo o padrão atual da Torre de Vigia, no que tange à menção de referências, o autor não mencionou de onde ele tirou essa declaração de Dupont e nem deu maiores informações sobre ele. Se o autor está se referindo ao exegeta Jacques Dupont*, autor da célebre obra "Les Béatitudes" (Paris: Cie Éditeurs, 1973), é possível que Dupont** tenha feito essa declaração em "Reflexions de saint Paul à l’adresse d’une Église divisée" (L. de Lorenzi, Paolo e una chiesa divisa, Rome, 1980), onde ele faz comentários sobre a primeira carta aos Coríntios. Ou então, pode ter sido no discurso "A Refeição de Emaús" (The Meal at Emmaus), feito por ocasião do Simpósio "A Eucaristia no Novo Testamento", posteriormente editado por J. Delorme (Baltimore: Helicon Press, 1964). Visto serem livros raros e fora de catálogo, os quais ainda não fazem parte do nosso acervo, não podemos conferir.

Por concordamos que "comer o corpo" e "beber o sangue" de Cristo ocorra em sentido figurado, achamos interessante encontrar afirmações de eruditos que concordem com esse ponto de vista à luz do grego original. No entanto, como Jacques Dupont era um sacerdote católico seria bom analisar em que contexto ele supostamente contradisse uma doutrina central do Catolicismo. Por isso o autor desse artigo da "Sentinela" tinha a obrigação de mencionar especificamente essa referência, para que leitores católicos ficassem mais seguros de que Dupont foi bem citado. Levando em consideração outros casos passados, essa averiguação se torna importante (Vide este exemplo: Citação 2). Mas, fica o dito pelo não dito - a maneira predileta da Torre de Vigia. Uma solução seria perguntar ao próprio Dumont a respeito. Mas, infelizmente, ele faleceu no dia 10 de setembro de 1998...

O artigo destaca que Jesus não estava dizendo que os discípulos beberiam literalmente seu sangue porque a Lei Mosaica proibia tal prática, e isso foi mantido no decreto apostólico registrado no livro de Atos. (Deuteronômio 12:23; 1 Pedro 2:22 e Atos 15:20, 29). Isso é, portanto, uma evidência de que Jesus meramente utilizou o vinho e o pão como símbolos do seu sangue e do seu corpo.

A última parte do artigo é dedicada a explicar a razão original da Última Ceia, chamada pela Torre de Vigia de "Refeição Noturna do Senhor". É dito que essa celebração tem haver com o sacrifício que Jesus fez, por dar "sua alma como resgate em troca de muitos". A seguir informa: "Mas, primeiramente, a Refeição Noturna do Senhor é uma refeição de participação em comum." E isso é verdade! E assim o foi através de todos os séculos da história do Cristianismo, ainda que tenham surgido variações no procedimento adotado, como é o caso da Eucaristia católica. No entanto, ao chegar o ano de 1935, a Torre de Vigia decidiu que os cristãos não deveriam mais participar dessa refeição, um decreto sem precedentes na história do Cristianismo. É por isso que na Comemoração da Morte de Cristo promovida pela Torre de Vigia, nos Salões do Reino, os presentes ficam apenas olhando a passagem do pão e do vinho. Para mais detalhes a respeito dessa peculiaridade e uma análise profunda do assunto leia o folheto "As Testemunhas de Jeová e a Comemoração da Morte de Cristo".

Por fim, o autor do artigo convida os leitores a serem observadores na Comemoração da Morte de Cristo que irá acontecer nos Salões do Reino do mundo inteiro no dia 22 de março de 2008. Sem dúvida é uma data a ser relembrada. Especialmente da maneira original instituída por Cristo, quando ele disse: 'Comei e bebei'. (1 Coríntios 11:20, 24). Por isso, parafraseando o que foi dito no início desse artigo da "Sentinela", cada irmão deveria se perguntar: A maneira que eu comemoro a morte de Jesus Cristo realmente reflete a cerimônia instituída por ele há quase dois mil anos?

 

* Em uma universidade de Versalles há um professor de História chamado Jacques Dupont. O email dele é: jacques.dupont50@wanadoo.fr

** Outras obras de Jacques Dupont são:

- "Le Sacerdoce de la Vierge: Le Puy d'Amiens en 1437", Gazette de des beaux-arts, ser. 6, VIII, 1932;
- "The Salvation of the Gentiles: Essays on the Acts of the Apostles" (New York: Paulist, 1979).
- "Études sur les Actes des Apôtres" (Paris: Les Études du Cerf, 1967).
Em português:
- Estudos sobre os Atos dos Apóstolos (S. Paulo: Paulinas, 1974).
- Por que Parábolas? (Petrópolis: Vozes, 1980).

 

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