Empenhe-se por alvos que honram a Deus
Essa é uma parte já tradicional nos congressos de distrito promovidos pela Torre de Vigia, e as Testemunhas de Jeová dão especial atenção a ela. Trata-se de uma encenação no palco que, normalmente, retrata histórias bíblicas adaptadas a situações atuais, vividas pelas Testemunhas. Por isso os que atuam no drama costumam se vestir a caráter, conforme os antigos trajes da época bíblica. Os “atores” e “atrizes” são pessoas da própria congregação. Quando a peça começa, as conversas paralelas na assistência cessam, ou diminuem quase completamente. Os olhos de todos passam a fitar o cenário. Os que interpretam não usam suas próprias vozes. Eles dublam gravações feitas previamente pela Torre de Vigia.
Os dramas tem sido poderosos instrumentos de ensino da Torre de Vigia. Através deles ela inculca nas Testemunhas de Jeová todos os preceitos que emanam do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, em Nova Iorque. O tema escolhido para 2005 foi o ‘empenhar-se por alvos espirituais’. Para uma Testemunha de Jeová isso significa trabalhar o máximo possível na pregação de porta em porta, seguir milimetricamente todos os regulamentos elaborados pelo Corpo Governante, e não se empenhar em atividades normalmente ambicionadas pelas “pessoas do mundo”, tais como faculdade e empregos lucrativos. No entanto, cada vez mais Testemunhas tem se empenhado por essas coisas, especialmente a busca pelo ensino superior. Provavelmente essa foi a razão desse drama ter sido elaborado.
Ao longo dos anos a Torre de Vigia vem desencorajando as Testemunhas de Jeová a cursarem faculdade, deixando implícito que os que buscam essa educação podem estar fracos espiritualmente, ou não estão dando o devido valor às provisões da Organização. No entanto, ultimamente ela parecia estar amenizando um pouco essa posição. Mas esse drama veio com força total para mostrar que nada mudou, pelo menos na teoria. Para a Torre, os jovens Testemunhas deveriam usar sua energia para se empenhar nas atividades congregacionais no Salão do Reino, e procurar atingir “alvos verdadeiramente espirituais”, tais como a atividade de pregação em tempo integral, como pioneiros ou missionários. Há também bastante incentivo para que os homens jovens sirvam como voluntários em uma das sedes da Torre de Vigia.
Destaques do drama
A encenação começa com as dúvidas de um adolescente do primeiro século, centradas na preocupação de como ele deve levar a vida, e que alvos para o futuro deve ter. O nome dele é Júlio. De início, ele está reunido alegremente com alguns amigos que perguntam se ele vai à festinha marcada para a noite. Com voz triste ele diz que não pode, porque está havendo a visita de um ancião viajante à congregação. O viajante não é outro senão Timóteo, braço direito do apóstolo Paulo. Por coincidência, Timóteo encontra Júlio e nota o seu semblante descaído. Daí pergunta o que está havendo, e se isso tem haver com os coleginhas dele que tinham acabado de sair. Júlio diz que sim, e revela que não se sente fiel a Deus, porque está dividido entre a congregação e as atividades mundanas. Diz ainda que só se dedica às atividades da congregação durante a visita de Timóteo, voltando ao normal quando ele vai embora. Os colegas de Júlio riem dele por causa disso. Timóteo começa então a relatar que quando era jovem se confrontou com as mesmas dúvidas e conflitos. Isso causa admiração em Júlio.
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Na parte que se segue, “Timóteo” conta que o pai de Júlio era seu amigo de infância. O nome dele é Jonatam, e este queria se empenhar numa promissora carreira no mundo. Fazia planos de ir para Atenas com o objetivo de estudar nas “escolas de ensino superior”. Como era amigo de Timóteo, o incentivava constantemente a fazer o mesmo. De fato, tudo já estava marcado para os dois irem juntos para Atenas. Mas as coisas mudaram depois que Timóteo teve uma encorajadora conversa com o apóstolo Paulo. Timóteo diz que resolveu servir a Deus por tempo integral, e não iria mais para Atenas. Jonatam não gosta nem um pouco do que ouve. Diz que também quer servir a Deus, mas que não vê nada de errado em fazer faculdade, casar e ter uma vida materialmente segura. Então Timóteo concorda que tais coisas realmente não são erradas.
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Para qualquer Testemunha de Jeová mediana, Jonatam representa aqueles que usam de argumentos para justificarem suas escolhas na vida, do motivo de “não se empenharem por alvos espirituais” e preferirem faculdade, carreira secular e casamento. Aspectos que “oficialmente” não são errados, mas que são vistos com reservas pelas Testemunhas mais “zelosas”.
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Chega o momento de Timóteo contar ao pai dele seus novos planos para o futuro. O pai dele não é cristão e tem grandes sonhos de sucesso para o filho. Por isso Timóteo sente muita dificuldade para contar a sua decisão.
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Os anos se passam. O pai de Timóteo morre. Jonatam, já formado, resolve fazer uma visitinha a Timóteo. Ele não vai sozinho. Leva a sua noiva, de nome Pérsede. É, não demoraria muito para que Julinho fosse “encomendado”. :) No reencontro, Jonatam protagoniza novamente aquele perfil não espiritual para uma Testemunha de Jeová, enaltecendo as vantagens da formação superior. Ainda menospreza a formação de Timóteo.
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Timóteo se defende mostrando que a escolha que fez foi mais acertada. Que a 'educação que recebeu na congregação foi a verdadeira educação'.
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Como se não bastasse, Jonatam escolhe trabalhar com um conhecido cristão proeminente de nome Fileto, que mais tarde se rebelaria e seria expulso da congregação. (Nessa versão dramatizada Fileto é um homem rico, simpático e que emprega muitos cristãos em seus negócios).
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A estória contada por “Timóteo” surte efeito em Júlio. Tão logo Timóteo termina o relato, Jonatam chega. Então Júlio diz: “O irmão Timóteo estava me contando sobre quando tinha a minha idade.” Jonatam comenta encabulado: “Isso significa que ele deve ter falado de mim, antes de eu levar a verdade à sério...”
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Assim termina a estória. Ah, sim! Evidentemente Jonatam não se desfez da prosperidade material que conquistou. Afinal de contas a educação superior que ele teve foi numa época em que ‘não levava a verdade à sério’. É perdoável. Pelo menos ele podia agora, já como pai de família, ajudar os seus irmãos espirituais em sentido material. O que certamente ele teria feito, caso tivesse existido.
O tipo de situação vivida pelo hipotético Jonatam é muito comum entre as Testemunhas de Jeová. Quando alguém se empenha por uma carreira secular é visto como “fraco espiritualmente”. Por isso há Testemunhas que assim que passam no vestibular tratam logo de ser pioneiros (pregadores de tempo integral). Na mentalidade desses, fazer assim é um tipo de antídoto para o preconceito dos irmãos. Uma maneira de fugir do estigma. De qualquer maneira, depois que se forma e consegue um bom emprego (os que conseguem) tudo é esquecido. O único requisito para isso é voltar a se empenhar plenamente nas atividades da congregação. Pessoas nessa situação normalmente são até mais respeitadas. Por exemplo, há poucos médicos entre as Testemunhas de Jeová (evidentemente por causa do desestímulo ao nível superior), mas os poucos que há são muito bem vistos pelas Testemunhas.
Uma outra particularidade é que a própria Torre de Vigia, em determinadas situações, só aceita em seu quadro funcional pessoas com nível superior. O que é lógico. Ninguém vai querer um pedreiro defendendo a Torre nos tribunais, ou um cozinheiro construindo um prédio. Essas funções são do advogado e do engenheiro civil.
Para refletir:
“O que for que fizerdes [em obras seculares], trabalhai nisso de toda a alma como para Jeová, e não como para homens, pois sabeis que é de Jeová que recebereis a devida recompensa da herança”. – Colossenses 3:23, 24; colchetes acrescentados.
“Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei todas as coisas para a glória de Deus”. – 1 Coríntios 10:31.
"Seja a vossa razoabilidade conhecida de todos os homens. O Senhor está perto". – Filipenses 4:5.
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