“Vinde a Mim”
Nos
séculos que se seguiram após a morte dos apóstolos, muitas organizações
religiosas foram formadas, geralmente com as mais sinceras das intenções,
tais como prover associação, o livramento da perseguição e proteger
os crentes contra falsos ensinos. Porém, com o passar do tempo,
os fundadores originais morrem e o grupo vai aumentando de tamanho.
Mais cedo ou mais tarde, alguns membros ativos e influentes da organização
podem perder de vista o propósito original que levou à formação
da associação ou organização. Devido à falta de fé na capacidade
de Jesus de suprir as necessidades de seus discípulos, ou talvez
movidos por um senso de responsabilidade, ou por oportunidades de
lucro financeiro, poder ou prestígio, eles passam a se utilizar
indevidamente dos grandiosos objetivos declarados pela organização,
e começam a manobrar as coisas de forma a exercer cada vez mais
controle sobre outras pessoas. As terríveis conseqüências que por
fim resultam da continuidade desse processo estão escritas com sangue
e lágrimas nas páginas da história. Os líderes dessas organizações
podem alegar que são representantes de Cristo e insistir que têm
autoridade para falar em nome dele. Por declararem que detêm o direito
exclusivo de interpretar a Bíblia, expulsam qualquer pessoa que
discorde de suas interpretações. Substituem as palavras simples
da Bíblia por seus próprios conceitos e aumentam o rol de membros
de suas igrejas por meios humanos, tais como promessas de segurança
dentro da organização ou liderança espiritual confiável. Eles conseguem
manter os membros cativos por meio de chantagem, coerção ou ameaças;
ditam regras e regulamentos aos seus membros, exigem lealdade e
apoio financeiro, além de intimidarem pessoas sinceras com a tirania
da autoridade.
Todas
estas ações trazem a maior desonra para Jesus Cristo. Depois de
descrever longamente o tipo de conduta que seus verdadeiros seguidores
teriam, Jesus advertiu: “Cuidado com os falsos profetas que vem
a vós em pele de ovelha, ao passo que por dentro são lobos.” Ele
disse que “tais homens” poderiam ser reconhecidos pela sua conduta
ou pelos seus “frutos”, não como uma organização, mas como indivíduos.
(Mateus 7:15-20) É por isso que o crescimento organizacional, em
si mesmo, não mostra as bênçãos ou a aprovação de Deus, pois Jesus
disse que “muitos falsos profetas surgirão e desencaminharão a muitos.” – Mateus 24:11.
As
organizações não são, em si mesmas, erradas. Elas provêem um meio
de canalizar e usar recursos tais como tempo, energia ou dinheiro.
No entanto, os líderes de qualquer organização religiosa podem se
corromper, e usar estes recursos para objetivos diferentes de honrar
a Cristo e sua obra de redenção. Se isso ocorrer, os indivíduos
dentro de uma organização que decidirem seguir sua consciência,
em vez de seguir a liderança da organização, poderão ter sérios
problemas com os líderes ou com outros membros da organização. Nesse
caso, os líderes podem fazer ameaças e taxá-los como “perigosos”
para os outros membros, e até mesmo expulsá-los.
Isso
não é nenhuma novidade. Se os membros duma organização religiosa
odeiam ou chamam tais pessoas de “apóstatas” pelo fato de elas terem,
conscienciosamente, preferido seguir a Deus e ao seu Filho, em vez
de aos líderes da organização e, em resultado disso, passam a excluí-las
de sua associação, esses excluídos podem se lembrar das palavras
reconfortantes de Jesus: “Felizes sois quando homens vos odiarem,
quando vos excluírem e
vos insultarem e rejeitarem vosso nome como mau por causa do Filho
do Homem. Alegrai-vos naquele dia e pulai de júbilo porque vossa
recompensa nos céus é grande.” – Lucas 6:22, 23, NVI,
compare com 3 João 9, 10.
Pedro
declarou: “Deus não é parcial, mas em cada nação o homem que o teme
e pratica obras justas é aceitável a Ele.” (Atos 10:34, 35) Paulo
acrescentou: “[Deus] não está distante de cada um de nós.” (Atos
17:26-27) Nosso serviço a Deus pode ser efetuado em qualquer lugar,
a qualquer tempo e deve ser feito em base pessoal, porque Deus comprou
cada um de nós, como indivíduos, com o sangue de seu Filho. Ele deseja que cada um
de nós se arrependa dos pecados, que aceite o perdão e que se achegue
pessoalmente a Jesus. “Vinde a mim”,
disse Jesus, “... e eu
vos aliviarei.” – Mateus 11:28.