Deus Trabalha Por Meio de Uma Organização?
Eram os Apóstolos Um “Corpo Governante”?
A vida, a morte e a ressurreição de Jesus
cumpriram muitas profecias das Escrituras Hebraicas de várias maneiras
não previstas pelos instrutores religiosos dos dias dos apóstolos.
Tais profecias precisavam de explicação para que os primitivos cristãos
pudessem entendê-las corretamente. Como foi revelado à primitiva
igreja este entendimento profundo acerca do papel de Jesus como
o Messias? Segundo Lucas 24:13-35, no mesmo dia em que foi ressuscitado,
Jesus apareceu a dois discípulos na estrada para Emaús, um homem
chamado Cléopas e outro discípulo. “E começando por Moisés e todos
os profetas, explicou-lhes
[não aos onze apóstolos] o que constava a respeito dele em todas
as Escrituras.” Essa inteira explicação de como as profecias hebraicas
se aplicavam a Jesus foi sem dúvida um exemplo notável de revelação
divina dentro do registro bíblico. Depois que Jesus tinha partilhado
uma refeição com eles e partido, eles se levantaram imediatamente
e retornaram a Jerusalém, onde encontraram os onze apóstolos e lhes
contaram tudo sobre seu encontro com Jesus. Enquanto ainda estavam
contando a história, o próprio Jesus apareceu a todo o grupo que
estava reunido lá.
Antes de sua morte, Jesus dissera a seus
discípulos que enviaria o ajudador ou conselheiro que tomaria seu
lugar na terra depois que ele retornasse ao céu: “E eu pedirei ao
Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para
sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque
não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com
vocês e estará em vocês.” (João 14:16, 17, NVI) Ao falar depois sobre a obra do espírito
santo, Jesus continuou: “Mas quando o Espírito da verdade vier,
ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas
o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. Ele me glorificará,
porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.” – João
16:13, 14.
Será que o espírito santo só agiria por
um pequeno intervalo, durante mais ou menos uma geração depois do
início da congregação cristã, até que Jesus pudesse organizar a
recém formada igreja para que esta assumisse a responsabilidade
do espírito santo, ou seja, alimentar os discípulos, “guiando-os
a toda a verdade” e ao mesmo tempo falando em nome de Jesus? Não.
Jesus disse que o espírito estaria com eles “para sempre”, sem qualquer
necessidade de ser substituído.
Jesus havia prometido que estaria com
eles “todos os dias, até a terminação do sistema de coisas”, por
isso não havia qualquer razão para que eles esperassem o desenvolvimento
de alguma organização humana centralizada, composta por representantes
humanos que seriam a fonte de liderança e direção. Mesmo que eles
se juntassem em pequenos grupos para encorajar uns aos outros, eles
poderiam estar absolutamente certos da
presença e bênçãos de Jesus, pois ele disse: “onde se reunirem dois
ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles.” – Mateus 18:20.
O “Concílio” de Jerusalém – Uma “Fonte
de Nova Luz”?
O relato que Paulo fez à congregação
na Galácia acerca dessa situação mostra que ele se reuniu em particular
com “aqueles que pareciam ser alguma coisa” na congregação, os anciãos
proeminentes. Ele “pôs diante deles o Evangelho que [ele pregava]
entre os gentios e não cedeu nem por um instante.” Aqueles homens
piedosos reconheceram que estavam errados, aceitaram a correção
de Cristo, dada por meio de Paulo, e falaram com os outros anciãos,
desta feita numa reunião maior, sob a liderança do espírito santo,
de modo que todos chegaram a um ponto de vista correto. Daí eles
escreveram uma carta se desculpando, dirigida
especificamente aos gentios de Antioquia (Atos 15:28), na qual
sugeriram algumas coisas que, se fossem evitadas, contribuiriam
para a paz entre os judeus e os gentios, bem como para a própria
saúde e prosperidade deles.
[4]
O Espírito de Deus Trabalha Junto com os Primitivos
Cristãos
O
livro de Atos está repleto de relatos que ilustram claramente o
cumprimento da profecia de Joel. Ele mostra o envolvimento bem ativo
e pessoal de Cristo, do espírito santo, de anjos, visões e sonhos
na obra da primitiva igreja cristã, inclusive a conversão de pessoas,
a expansão da congregação, seleção e envio de apóstolos e missionários,
a manutenção da congregação livre da corrupção ocasionada pela falsidade,
encorajamento e assistência aos cristãos durante aflições e provas,
e também o registro e a preservação de todas as informações essenciais
que os cristãos precisariam nos séculos vindouros, isto é, as Escrituras
Cristãs. Não houve qualquer parte essencial do Cristianismo na qual
Jesus não tenha se envolvido pessoalmente, ou dirigido por meio
do espírito santo.
Considere
o caso de Filipe e o etíope. Felipe estava pregando em Samaria quando
um anjo o enviou à estrada de Jerusalém a Gaza. No caminho ele encontrou
um eunuco etíope. O espírito enviou Filipe até a carruagem do eunuco.
Depois de Filipe ter batizado o etíope, o espírito de Deus levou
Filipe embora. – Atos 8:36, 39, 40.
[5]
Considere
também o caso de Cornélio, um homem devoto e temente a Deus. Ele
teve uma visão de um anjo de Deus, que lhe disse para enviar homens
a Jope para buscar Pedro. Nesse ínterim, Pedro, que estava orando
no terraço, caiu em transe e uma voz lhe disse que coisas anteriormente
consideradas impuras agora eram puras. O espírito contou a ele a
respeito dos homens enviados por Cornélio. Pedro foi até a casa
de Cornélio, onde proclamou o Evangelho a um grande grupo de pessoas,
e elas se tornaram cristãs. – Atos 10:1-46.
O
próprio Jesus apareceu a Saulo para efetuar a conversão dele. (Atos
9:3-6, 15) Saulo (Paulo), sob a influência do espírito santo, tornou-se
destacado entre os apóstolos por levar a mensagem cristã aos não-judeus.
Ele fundou muitas congregações. Quem o autorizou a fazer isso? Teria
sido a congregação de Jerusalém ou a congregação de Antioquia da
qual ele saía para suas viagens missionárias? Não. Saulo e Barnabé
foram comissionados e saíram como missionários sob a orientação
específica do espírito santo. – Atos 13:1-4.
[4]
Na carta,
registrada em Atos 15:23-29, os cristãos gentios são encorajados
a se abster de “coisas sacrificadas aos ídolos, de sangue, da
carne de animais estrangulados e da fornicação.” No entanto, mais
tarde Paulo considerou o assunto de comer carne sacrificada aos
ídolos e tornou claro que evitar comê-la era uma questão de consciência
e não uma regra rígida. Para os cristãos, evitar fazer outros
tropeçarem por meio de suas ações era o principal fator motivador.
(Compare com Romanos 14:14, 20, 21; 1 Coríntios 10:19-33).
[5]
Tem sido sugerido que os superintendentes eram “designados”
pelo espírito santo no sentido de que homens que estavam familiarizados
com as qualificações bíblicas para os superintendentes designavam
outros homens que preenchiam essas qualificações. Esta é uma explicação
razoável, e respeitados comentaristas sugerem que os superintendentes
em Éfeso foram designados por alguns representantes da igreja.
Mas a própria Bíblia não declara que Paulo ou alguma outra pessoa
tenha designado esses superintendentes em alguma ocasião. As cartas
de Paulo a Timóteo e a Tito que continham essas qualificações
ainda não tinham sido escritas. A Bíblia diz que os superintendentes
efésios foram designados pelo espírito santo. (Atos 20:28) Assim,
é provável que o espírito santo designou diretamente esses homens
para a posição de superintendentes. Se foi assim, é também possível
que foi por observar estes homens designados diretamente pelo
espírito santo que Paulo foi inspirado a registrar as qualificações
para esta função, para beneficiar diretamente Timóteo e Tito.