Deus Trabalha Por Meio de Uma Organização?
Jesus é Enviado às “Ovelhas Perdidas
de Israel”
Como Deus Se Comunicava Com Israel?
Geralmente os profetas apareciam em Israel
quando o povo se tornava infiel. A tarefa deles era simplesmente
transmitir mensagens de Deus (profecias), advertir o povo para deixar
a adoração falsa e encorajá-lo a obedecer à Lei e praticar a verdadeira
adoração. Quem designava esses profetas? Eles não eram escolhidos
pelos líderes da nação, pelos sacerdotes e nem mesmo por outros
profetas. Eram designados pelo próprio Deus, por meio do espírito
santo. (Números 11:24-29)
O trabalho de um profeta, conforme descrito
na Bíblia, oferecia pouco ou nenhum prestígio ou poder. Os profetas
eram malvistos. A maior parte deles foi tratada de maneira indigna
pelo povo escolhido de Deus. Muitos foram brutalmente perseguidos
ou mortos pelos líderes da nação.
Já que não havia qualquer arranjo na
Lei para designar profetas, nem qualquer procedimento oficial para
autorizá-los, cada israelita
individual tinha a responsabilidade de determinar se alguém
que se apresentava como profeta estava realmente falando em nome
de Deus. Por isso, a Lei especificava três sinais indicativos de
um profeta ou duma profecia verdadeira: 1) o profeta deveria falar
em nome de Jeová, 2) a profecia deveria se cumprir e 3) a profecia
deveria promover a adoração verdadeira. (Deuteronômio 18:20-22;
13:1-4)
Será que os profetas de Deus estavam organizados em um corpo central que dava diretrizes à nação de Israel? A Bíblia menciona grupos de profetas em alguns lugares, tais como 1 Samuel 10:5, 10; 2 Reis 2:3, 5 e 4:38, mas eles nunca agiram como um tipo de “canal de comunicação” regular de Deus. Na verdade, às vezes alguns profetas nem sabiam do paradeiro ou até da existência de outros profetas ou mesmo de outros adoradores verdadeiros.
Por exemplo, durante um dos períodos
de infidelidade do reino setentrional, o profeta Elias acreditava
ser a única pessoa em Israel que não havia se curvado diante de
Baal. No entanto, Deus revelou a ele: “E deixei sete mil remanescer
em Israel, todos os joelhos que não se dobraram diante de Baal e
toda boca que não o beijou.” (1 Reis 19:18) Sem dúvida, aquelas
pessoas fiéis teriam sido consideradas desleais ao rei ungido que
estava no poder. Contudo, ainda assim, elas não estavam obviamente
organizadas em algum tipo de grupo. Levavam uma vida discreta em
fidelidade pessoal a Deus, mesmo estando cercadas pelo povo infiel
(mas ainda escolhido) de Deus.
Durante
todo o período pré-cristão, a Bíblia menciona pessoas fiéis que
mantiveram lealdade a Deus, quer os líderes da nação estivessem
guiando o povo na adoração verdadeira, quer não. Foi assim até a
chegada de Jesus. Um justo profeta chamado Simeão viu o bebê Jesus,
em cumprimento de uma profecia transmitida a ele por meio do espírito
santo. Menciona-se também uma profetisa fiel chamada Ana. (Lucas
2:25-38)
Começa a Era Cristã
Na ocasião em que Jesus falou sobre manter
a vigilância, “Pedro perguntou: ‘Senhor, estás contando esta parábola
para nós ou para todos?’ O Senhor respondeu: ‘Quem é, pois, o
administrador fiel e sensato, a quem seu senhor encarrega dos
seus servos, para lhes dar sua porção de alimento no tempo devido?
Feliz o servo a quem o seu senhor encontrar fazendo assim quando
voltar. Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens.
Mas suponham que esse servo diga a si mesmo: ‘Meu senhor se demora
a voltar’, e então comece a bater nos servos e nas servas, a comer,
a beber e a embriagar-se. O senhor daquele servo virá num dia
em que ele não o espera e numa hora que não sabe, e o punirá severamente
e lhe dará um lugar com os infiéis. Aquele servo que conhece a
vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza,
receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica
coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites. A quem
muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado,
muito mais será pedido.’” (Lucas 12:41-48, NVI)
A
organização Torre de Vigia usa essa pergunta de retórica que Jesus
fez, de acordo com a passagem paralela em Mateus 24:44-51, como
autorização para assumir a responsabilidade “do [um e único] escravo
fiel e discreto” a cargo de “todos os bens [do Amo].” Contudo,
é difícil aceitar a idéia de que essa parábola se refere a múltiplas
organizações religiosas em operação no momento da chegada de Cristo
em poder, cada uma com uma responsabilidade maior ou menor, dependendo
do que cada uma delas fez com o conhecimento que tinha. Esta passagem
só faz sentido como uma exortação aos cristãos para que se mantenham
vigilantes e se comportem apropriadamente para com outros, principalmente
para com outros cristãos, sempre tendo em mente que um dia todos
terão de responder a uma Autoridade maior.