Deus Trabalha Por Meio de Uma Organização?
De Adão ao Dilúvio
Do
Dilúvio ao Monte Sinai
Centenas de anos depois, Deus fez uma
promessa pessoal a seu amigo Abraão, um notável homem de fé, de
que ele se tornaria “uma grande nação”. (Gênesis 12:2) Isso marcou
o início de uma coisa nova. Uma família favorecida receberia atenção
especial e produziria o prometido Messias. Será que isso deu início
a um modo mais “organizado” de comunicação divina com a humanidade?
À medida que a família de Abraão crescia,
Deus continuou a se comunicar diretamente com seus servos, incluindo
pessoas que agiam, temporária ou permanentemente, como profetas.
Contudo, é visível que naquela época, ninguém tinha entendimento
completo de tudo e nem Deus trabalhava unicamente por meio de um
só “canal” em algum momento. Por exemplo, José, enquanto ainda era
um jovem que vivia com seu pai, um patriarca e profeta, teve sonhos
inspirados que prediziam coisas futuras. José foi enviado por Jeová
ao Egito, para preparar o caminho da transformação da família de
Jacó numa nação. Mas Jeová não revelou a Jacó o que Ele estava fazendo,
embora Jacó fosse o patriarca e profeta. (Gênesis 42:36) Sob a liderança
de Deus, 75 descendentes de Abraão mudaram-se para o Egito. Quando
saíram de lá, uns 215 anos depois, já ascendiam a milhões.
Quando Deus estava prestes a libertar
seu povo da escravidão no Egito, Ele falou pessoalmente a Moisés
por meio dum arbusto ardente, e o comissionou a fazer milagres,
para mostrar aos israelitas e aos egípcios o significado e o poder
por trás do nome de Jeová. A prontidão com que os israelitas aceitaram
adorar um bezerro de ouro nas planícies do Sinai, por exemplo, além
de outros sinais de fé fraca, sugere que enquanto estavam no Egito
eles não tinham mantido, como
grupo, a adoração pura de Deus que fora praticada por seu ancestral,
Abraão.
Os israelitas entraram num pacto especial de relacionamento com Deus depois que saíram do Egito. Receberam a Lei que os guiaria em questões morais, civis e religiosas. A organização Torre de Vigia apresenta esses eventos como um paralelo de como as Testemunhas de Jeová foram tiradas do “mundo” da humanidade, especialmente da Cristandade, e têm recebido instruções e direção central por meio de um “canal de comunicação” terrestre, o que levou todas a serem unidas dentro da forma atual da organização delas. A nação de Israel é usada como um “tipo” ou quadro da altamente organizada Torre de Vigia. Será que a Lei Mosaica criou uma estrutura administrativa centralizada como a que existe entre as atuais Testemunhas de Jeová?
[2]
A revista A Sentinela
compara a organização Torre de Vigia com a arca de Noé, como ‘provisão
de Deus para a salvação’ dentro da qual todos os justos na terra
se juntaram, para serem salvos da destruição no dilúvio. (A Sentinela de 1º de março de 1997, pág. 12, e muitas outras publicações).
É interessante notar que o próprio Noé foi a única pessoa mencionada
como justa no relato em Gênesis, bem como nas referências feitas
a ele por Jesus e Pedro. (Gênesis 6:9; Mateus 24:38; 2 Pedro 2:5)
Embora sua esposa, três filhos e três noras tenham sido salvos
do dilúvio junto com ele, a Bíblia não dá qualquer ênfase à idéia
de que a família de Noé foi salva porque era justa ou que apenas pessoas justas tiveram a permissão
de entrar na arca. Depois do dilúvio, na época do pecado de Canaã,
Jeová é mencionado como “Deus de Sem”. (Gênesis 9:26), o que gera
a pergunta se Jeová era adorado por todos como Deus. Assim, é
possível que pelo menos alguns da família de Noé podem ter sido
poupados, não por serem justos, mas por causa de Noé e para dar
continuidade à raça humana. Mais tarde, foi oferecida a toda a
família do justo Ló, incluindo os genros, a oportunidade de salvação
da destruição de Sodoma e Gomorra, muito embora só o próprio Ló
parece ter demonstrado um forte compromisso com a adoração verdadeira,
com base no relato bíblico sobre suas ações. (Compare com Gênesis
19:12-36; 2 Pedro 2:7)
[3]
Um exemplo é Jó, que ‘... se levantava de manhã cedo
e oferecia sacrifícios queimados segundo o número de todos eles
[seus filhos]; pois, dizia Jó, “meus filhos talvez tenham pecado
e amaldiçoado a Deus no seu coração”. Assim Jó fazia sempre.’
(Jó 1:5)