Como a Morte de Cristo Proporciona Vida Eterna? – Parte 3
Quando a descendência de Abraão já estava bem numerosa, e tinha se fixado
no Egito, ela foi escravizada pelos egípcios. Isso causou grande sofrimento
ao povo hebreu. Foi aí que surgiu a figura de Moisés, como libertador do povo.
Ele foi convocado por Deus para tirar o povo daquela situação lastimável.
Por esse e outros detalhes, Moisés é visto como um “modelo profético” de Jesus.
Alguns chamam Jesus de o “Moisés-Maior”.
Não é preciso relatar aqui com detalhes porque é uma história muito conhecida. Como todos sabem, Jeová proporcionou uma libertação espetacular da terra do Egito e formou uma nova nação, uma nação “santa” e especial à vista de Deus. Depois dos grandiosos eventos vistos pelos hebreus, já no ermo, Deus perguntou se eles estavam dispostos a receber um código de leis (uma “constituição”), e cuidar de cumprir tudo que esse código determinava. Qual foi a resposta do povo?
“Todas as palavras que Jeová falou estamos dispostos a fazer.” – Êxodo 24:3.
Note só o teor dessa declaração. Aquela nação teria que cumprir “todas” as palavras de Jeová. Ao que parece, a empolgação após a fuga do Egito, obscureceu a mente dos israelitas, e eles não viram as implicações daquele compromisso. Estava então montado o cenário para Cristo entrar em cena.
Com o tempo os israelitas perceberam que não eram capazes de cumprir todos os cerca de 600 mandamentos contidos no que veio a ser conhecido como “a Lei”, ou simplesmente “lei” (hoje em dia é chamada também de lei mosaica). Note o que dizia um desses regulamentos: “Maldito aquele que não puser em vigor as palavras desta lei por cumpri-las.” (Deuteronômio 27:26.) Se eles não conseguiam cumprir na íntegra todos os requisitos dessa “lei”, o que eles se tornaram? Isso mesmo, se tornaram malditos. Sobre esse ponto, Paulo comentou:
“Pois todos os que dependem de obras da lei estão sob maldição; porque está escrito: ‘Maldito é todo aquele que não continuar em todas as coisas escritas no rolo da Lei, a fim de as fazer.’ Além disso, é evidente que pela lei ninguém é declarado justo diante de Deus, porque ‘o justo viverá em razão da fé’.” – Gálatas 3:10, 11.
Paulo disse também: “Não são os ouvintes da lei que são justos diante de Deus, mas os cumpridores da lei é que serão declarados justos.” (Romanos 2:13) A lei dizia que o israelita que ‘guardasse os mandamentos e decisões judiciais de Jeová ficaria vivo, e seria abençoado.’ (Deuteronômio 30:16; Gálatas 3:12) Combinando esses dois textos, e levando em consideração o que foi apresentado nas partes anteriores, nota-se que esses que seriam declarados justos pela lei viveriam para sempre, não morreriam.
No entanto, havia aquele requisito da lei que anulava a possibilidade de viver sem morrer, pois ele dizia que a lei tinha de ser seguida perfeitamente, e por inteiro (Deuteronômio 27:26). Esse detalhe foi posto ali de propósito, pois Deus sabia que o homem, por ser pecador, não tem o direito de viver sem morrer. Ele não podia dar vida eterna a quem não merecia. Pelo contrário, a lei reforçou ainda mais, e por escrito, essa condição lastimável do homem, naquele caso o homem israelita. A lei, que era para abençoar, se tornou maldição. Paulo confirmou esse fato, ao explicar os motivos da lei:
“Por que, então, a Lei? Ela foi acrescentada para tornar manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa.” – Gálatas 3:19
“O mandamento que era para a vida, este eu achei ser para a morte.” – Romanos 7:7.
Somente um homem perfeito e sem pecado conseguiria cumprir a lei, e este homem foi Jesus Cristo. (Hebreus 4:15; 1 Pedro 2:23; Tiago 3:2) E ele conseguiu cumprir toda a lei com perfeição. (Mateus 5:17-19; Hebreus 4:15, 7:22, 26; João 8:42, 46) Portanto, Jesus adquiriu o direito que nenhum outro humano tinha adquirido até então, o de viver na Terra sem morrer, porque cumpriu toda a lei. Isso é juridicamente coerente, pois concorda com a perfeição de Jesus. Se ele era justo e perfeito por natureza, ele já tinha esse direito de viver sem morrer, independentemente da “lei”, assim como qualquer homem tem que morrer, independentemente da “lei”. Percebe-se, então, que a lei foi montada de acordo com esses princípios de justiça.
Diversos detalhes ritualísticos da lei tiveram sua razão de ser. Muitas pessoas, por não entenderem esse caráter transcendental da lei, sentem repulsa por certas normas e procedimentos a que os israelitas estavam sujeitos. Por exemplo, a lei dizia: “Quem golpear um homem de modo que realmente morra, sem falta deve ser morto.... alma por alma, olho por olho.” (Êxodo 21:12, 23-24) Uma vida humana, mesmo pecadora, tinha que ser compensada por outra vida humana igualmente pecadora. Esse princípio de equivalência compensatória era uma “seta” apontando para o que Cristo faria no futuro. Mas como Cristo seria um humano perfeito, a morte dele não teria o valor apenas de uma vida qualquer – ela valeria muito mais. Na balança da justiça a vida de Jesus valeria a vida de um número indeterminado de humanos.
Vários outros ritos da lei também ilustravam o sacrifício que Jesus faria no futuro, e toda as novas perspectivas que ele ofereceria. Sacrifícios de animais, como o cordeiro, simbolizavam o sacrifício que Jesus faria. Várias passagens confirmam essas correlações proféticas:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” – João 1:29 (palavras de João Batista a Jesus Cristo).
”Ele nos perdoou bondosamente todas as nossas falhas e apagou o documento manuscrito [a Lei] que era contra nós, que consistia em decretos e que estava em oposição a nós.... estas coisas [da Lei] são sombra das coisas vindouras, mas a realidade pertence ao Cristo. “ – Colossenses 2:13-17.
No livro de Hebreus, Paulo fornece uma ampla explicação dos motivos da Lei ter existido. Ele disse:
“O pacto anterior [na época de Moisés] costumava ter ordenanças de serviço sagrado e o seu mundano lugar santo.... em que havia o candelabro, e também a mesa e a exposição dos pães; e este é chamado de “Lugar Santo”. Atrás da segunda cortina havia o [compartimento de] tenda chamado de “Santíssimo”. Este continha um incensário de ouro e a arca do pacto.... por cima dela havia os querubins gloriosos encobrindo a tampa.... Depois de se terem construído essas coisas .... o sumo sacerdote entra, uma vez por ano, não sem sangue, que ele oferece por si mesmo e pelos pecados de ignorância do povo.... Esta mesma tenda é uma ilustração para o tempo designado que agora chegou, e, em harmonia com isso, oferecem-se tanto dádivas como sacrifícios. No entanto, estes não são capazes de aperfeiçoar o homem.... [Essas coisas] eram exigências legais referentes à carne e foram impostas até o tempo designado para se endireitar as coisas..... Cristo veio como sumo sacerdote das boas coisas que se realizaram por intermédio da tenda maior e mais perfeita, não feita por mãos, isto é, não desta criação, ele entrou no lugar santo, não, não com o sangue de bodes e de novilhos, mas com o seu próprio sangue, de uma vez para sempre, e obteve para nós um livramento eterno.... De modo que é por isso que ele [Jesus] é mediador dum novo pacto, a fim de que.... os chamados recebessem a promessa da herança eterna.... Por isso era necessário que as representações típicas das coisas nos céus fossem purificadas por estes meios, mas, as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que tais sacrifícios. Porque Cristo entrou, não num lugar santo feito por mãos, que é uma cópia da realidade, mas no próprio céu, para aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus.... agora ele se manifestou uma vez para sempre, na terminação dos sistemas de coisas, para remover o pecado por intermédio do sacrifício de si mesmo. Pois, visto que a Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras, mas não a própria substância das coisas, os homens nunca podem, com os mesmos sacrifícios que oferecem continuamente, de ano em ano, aperfeiçoar os que se aproximam. Ao contrário, por meio destes sacrifícios há de ano em ano uma lembrança dos pecados, porque não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados.” – Hebreus 9:1-4, 6-12, 15, 23, 24, 26;10:1, 3, 4
Agora que está confirmado que até os regulamentos da Lei israelita apontavam para Cristo, leia a quarta e última parte desta série, e veja como a morte de Cristo dará vida eterna aos humanos, quer essa vida seja no céu, quer na terra.