Em Busca da Liberdade Cristã - Capítulo 5
| A apresentação
deste capítulo no Mentes Bereanas foi autorizada expressamente
pelo escritor do livro. Veja a autorização, o ponto de vista do escritor e outras informações relacionadas AQUI.
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O Escravo Fiel e Discreto
Quem
é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo
designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o seu alimento
no tempo
apropriado? Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar
fazendo
assim! Deveras, eu vos digo: Ele o designará sobre todos os seus
bens.
―
Mateus 24:45-47.
|
E |
M
SUAS
exortações
à lealdade e
submissão, nenhuma passagem das Escrituras é tão
citada pelo Corpo Governante
das Testemunhas de Jeová como a que se encontra nos
versículos acima.
Suas
pretensões de autoridade organizacional se
apóiam não só na interpretação desta
declaração ilustrativa de Jesus Cristo,
mas, especialmente, no modo como utilizam essa
interpretação. Ela é
primariamente usada em apoio ao conceito de uma autoridade
administrativa
centralizada, exercendo controle abrangente sobre todos os membros
da organização
cristã (que as Testemunhas de Jeová entendem aplicar-se
apenas a elas
próprias).
Conforme
vimos no Capítulo 4, na fase final da
gestão de Russell alguém aplicou à pessoa dele a
figura do “servo fiel e
prudente”. Ele aceitou claramente a designação,
como se vê em suas declarações.
Argumentou contra a idéia de aplicá-la aos membros do
corpo de Cristo como um
todo e a favor de que ela predizia o surgimento de um servo especial,
individual, no ‘tempo designado de Deus’. Rutherford,
durante a primeira década
de sua gestão, achou difícil conseguir algo parecido
à enorme influência que
tivera seu antecessor. Ao contrário de Russell, Rutherford
não fora escolhido
como único “Pastor” dos adeptos da Torre de Vigia.
Gastou boa parte da primeira
década lutando para obter apoio e controle, e lidando com o
temporal de dúvidas
trazido pelo fracasso das profecias de datas da Torre de Vigia. Durante
esses
anos, argumentou de modo veemente que Russell era mesmo “aquele
servo” e que
todas as coisas ensinadas por ele, inclusive as datas que marcou,
estavam
corretas e acima de dúvida. Logo que obteve o controle total
isto cessou, e
iniciou-se um processo inverso, com os conceitos de Russell sendo cada
vez mais
substituídos e até desacreditados. Fazia-se pouca
referência à parábola do
“escravo fiel e discreto”. Não era
necessária. Rutherford introduzira o termo
quase mágico “organização” e
também enfatizava a “Teocracia” (domínio de
Deus).
Suas declarações de que Deus governava a
organização “do alto para baixo, e não
de baixo para cima” são típicas do caráter
da sua gestão, pois na terra, sem
dúvida, “o alto” era ele.[1] O “servo fiel e
prudente” passou então a
ser identificado como ‘o corpo do povo consagrado de Deus’.
Já por muitos anos,
diz-se que ele é o corpo coletivo de todos os cristãos
“ungidos” vivendo na
terra em qualquer época, de Pentecostes em diante e
através dos séculos, até
hoje. A Sentinela de 1° de setembro de 1981,
página 24, diz
assim:
As
Testemunhas de Jeová entendem que o “escravo”
é composto por
todos os cristãos ungidos como grupo na terra em
qualquer tempo
determinado durante os 19 séculos desde Pentecostes. Por
conseguinte, os
“domésticos” são esses seguidores de Cristo como
indivíduos.
Em
si, nada há de objetável nesta explicação.
Com efeito, ela só diz que a aplicação da
parábola referente ao escravo
estende-se a todos os cristãos que vivem em qualquer
período, já que, nas
Escrituras, mostra-se que todos os cristãos verdadeiros
são ungidos de Deus.[2]
A Sociedade Torre de Vigia, é claro, não considera todos
os cristãos como
ungidos e divide os cristãos que hoje vivem em duas classes, uma
classe não
ungida com esperança terrestre, e uma classe ungida com
esperança celestial.
Como indivíduos, diz-se que os “ungidos”
são representados pelos
“domésticos” que são alimentados pelo
“escravo”, ao passo que o “escravo”
representa todos eles como um corpo coletivo. Mais uma vez,
isto não
deixa de ter, em si, algum paralelo bíblico, como no exemplo
muito citado de
Isaías 43:10-12,
Considere
como as publicações da Torre de Vigia
constroem o alicerce desta interpretação e os extremos a
que isso leva.
Torna-se evidente que a maior preocupação é
autenticar — e reforçar — o
conceito de que Deus e Cristo só tratam com as pessoas
através duma
organização, e que esta hoje está relacionada
à Sociedade Torre de Vigia.
Primeiro
observamos que o ensino da Sociedade
Torre de Vigia é que a “classe do escravo” vem tendo
uma existência
contínua, ininterrupta, desde seu início em
Jesus
dissera: “Eis que estou convosco todos os dias, até
à
terminação do sistema de coisas.” (Mat. 28:20)
Jesus Cristo é Cabeça da
congregação, seu escravo, e suas palavras mostram que ele
os fortaleceria para alimentarem
seus “domésticos” durante todos os séculos.
Evidentemente, uma geração da
classe do “escravo” alimentava a geração
seguinte, além de continuar a
alimentar a si mesma.
¾¾¾¾¾¾
Vemos
assim que o próprio Jesus Cristo trouxe à
atenção este método de alimentar seu
povo — não como pessoas isoladas e independentes, mas como
grupo muito unido de
cristãos, que têm verdadeiro amor e cuidado de uns para
com os outros.
É
inegável que existiram homens e mulheres que,
como indivíduos, foram verdadeiros cristãos durante todos
os séculos. As
palavras de Jesus em Mateus 28:20 deixam isto claro. Não
é nisto, porém, que
vem insistindo A Sentinela. Em vez disso, ela proclama a
existência
contínua de uma “classe do escravo” apenas na forma
de um “grupo muito unido”.
Ao longo dos séculos, foi apenas através deste grupo
muito unido que fluiu o
alimento espiritual. Não dão margem a que Cristo tenha
alimentado quaisquer
pessoas não ligadas a este grupo muito unido, indivíduos
que estavam isolados
ou em grupos esparsos de cristãos não ligados entre si.[4]
Isto resulta, em termos práticos, no conceito de que todas
estas pessoas
estavam ajuntadas numa organização. Isto fica
claro quando consideramos
a aplicação hodierna da identificação da
“classe do escravo”, a partir da
edição de 15 de abril de 1944 de A Sentinela, que
dizia (página 55):

A
realidade histórica desta premissa, de um corpo composto muito
unido, inter-relacionado, ao longo dos séculos, constituindo o
único receptáculo da alimentação vinda de
Cristo e conseqüentemente se tornando o único canal das
instruções de Deus para os cristãos em toda parte,
não está comprovada nem documentada em lugar algum.
É uma simples asserção. A
interpretação divulgada e a postura tomada pela
organização exigem isso. O que de fato revela a
história com respeito a esta premissa?
O
registro histórico
Alguém
poderia pensar que no período pós-apostólico este
canal
seria logicamente encontrado no corpo principal de professos
cristãos,
em vez de nos “grupos divididos”, isolados, fragmentados,
que foram se
separando desde então. Mas esse corpo principal é o que
eventualmente se
transformou na cristandade, a qual A Sentinela chama de
apóstata. A
“classe do escravo”, portanto, tem de ser encontrada fora
desse sistema. Os
cristãos deviam então ser encontrados numa área
bem espalhada da terra, em
muitas nações e países. Quem formava esta unida e
única “classe do escravo”,
este grupo coletivo especial servindo como canal exclusivo de
comunicação para
suprir “o mesmo alimento espiritual” aos cristãos
genuínos do segundo, terceiro
e quarto séculos em todos esses lugares?
As
publicações da Torre de Vigia não tentam
identificar este canal, apresentando o motivo de que o surgimento da
apostasia
fez “desaparecer da visão nítida” a clara
identificação da classe do “escravo
fiel e discreto”.[5] Assim, a existência
deste canal durante
aquele período é simplesmente uma
suposição. Que dizer do período desde então?
A
história de modo algum é omissa sobre os
acontecimentos religiosos no decorrer dos séculos. Ela nos
dá um quadro
razoavelmente completo não só do desenvolvimento gradual
da organização da
Igreja Católica, mas também das dissidências e
separações ocorridas a partir
dela e da criação dos diversos movimentos que levaram
à Reforma e à formação
das denominações protestantes. Porém, em todos
estes registros, nada
encontramos que se ajuste de modo aceitável à
descrição que A Sentinela
faz de uma classe singular, contínua, do “escravo fiel e
discreto”, um grupo
coletivo homogêneo, muito unido, atuando através dos
séculos, como fonte única
e exclusiva de alimento para as consecutivas gerações de
todos os genuínos
cristãos em todos os lugares.
A
Sentinela faz ocasionalmente referência a grupos da Idade
Média, como os valdenses, os lolardos, e similares, deixando
implícito, no
mínimo, que possam ter estado entre os cristãos
genuínos do tempo deles — o que
os teria tornado parte da “classe do escravo fiel e
discreto”.[6]
O fato de que esses agrupamentos religiosos muitas vezes acreditavam em
doutrinas como a trindade, a imortalidade da alma e outras similares,
é
geralmente encoberto. A Sociedade Torre de Vigia, no entanto, considera
estas
como as mais graves de todas as doutrinas falsas, erros capitais.
Além do mais,
estes agrupamentos eram basicamente regionais, geralmente restritos a
um país,
ou no máximo, a poucos países. Nenhum deles dá
evidência de ter servido de
canal especial de comunicação, provendo o “mesmo
alimento espiritual” às
pessoas em escala internacional, algo que seria indispensável a
menos que
presumamos que todo o “trigo” do campo mundial estivesse
restrito naquele tempo
a apenas um ou poucos países.
Ao
invés de recuar vários séculos, ao tempo em que
grupos como os anabatistas (apresentados há alguns anos de modo
a fazer supor que foram um provável elo da corrente), por que
não apresentam um elo do passado mais recente, dos
séculos dezoito ou dezenove, quando as informações
são bem mais abundantes?[7] Por que não mostram pelo menos os elos do
“escravo fiel e discreto” que levaram até Russell e
à fundação de sua Sociedade Torre de Vigia em
1881? Este seria o ponto de partida mais óbvio e lógico,
a partir do qual toda a cadeia retroativa poderia ser traçada.
Uma
cadeia de elos invisíveis
As
afirmações da Torre de Vigia requerem uma cadeia de
gerações
sucessivas da classe muito unida do escravo, tendo essa cadeia
eventualmente de
chegar a Charles Taze Russell e à Sociedade Torre de Vigia que
ele fundou.
Revendo sua história, descobrimos que, quando jovem, Russell
separou-se de
todos os grupos religiosos por ter perdido a fé neles. Mais
tarde, assistiu a
uma reunião do Segundo Advento, mas disse que os que lá
estavam conseguiram
apenas restabelecer sua “abalada fé” na
inspiração divina da Bíblia. Aos 18
anos, com alguns associados, Russell formou uma “pequena classe
de estudo
bíblico.”[8]
Alguém
poderia pensar que o movimento do Segundo
Advento da época do jovem Russell era o “escravo fiel e
discreto”, já que ele
escreveu que foi ajudado pelos segundo-adventistas, tais como George
Storrs e
George Stetson, reconhecendo ter recebido suas principais profecias de
datas
(inclusive a relacionada com 1914) do segundo-adventista N. H. Barbour.
Chegou
a tornar-se editor associado da revista de Barbour, o Arauto da
Aurora.[9]
No entanto, o livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos,
nas
páginas 185 e 186, destaca sobre o grupo inicial de estudo de
Russell:
Trinta
anos mais tarde, houve um pequeno grupo de homens, não
associados com os
adventistas, nem afiliados com qualquer das seitas religiosas da
cristandade,
que estudavam as Escrituras Sagradas, em Pittsburgh (Allegheny), na
Pennsilvânia, E. U. A. Estudavam independentemente, a fim de
evitar encarar a
Bíblia através de óculos sectários.
O
próprio Russell afirmava que o adventismo não
o tinha “ajudado em nenhuma verdade específica”, e
as publicações aprovadas da
Sociedade dizem que ele tirou sua Bíblia da estante e passou a
estudá-la por
conta própria, de modo particular e independente.[10]
Hoje, tal procedimento seria desaprovado como presunçoso,
ineficaz, uma
rejeição do canal de Deus, contrário ao modo
histórico de Deus prover
entendimento da sua Palavra mediante uma organização.
Recordemos a afirmação de
A Sentinela:
...a
Bíblia é um livro de organização e pertence
à congregação
cristã como organização, não a
indivíduos, não importa quão sinceramente creiam
poder interpretar a Bíblia. Por esta razão, a
Bíblia não pode ser
devidamente entendida sem se ter presente a organização
visível de Jeová.[11]
A
história oficial da Sociedade, Testemunhas
de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
(página 707) diz mais sobre
Russell:
Ele
não fundou uma nova religião, e nunca afirmou ter feito
isso. Restabeleceu as
grandes verdades ensinadas por Jesus e pelos Apóstolos, e voltou
a luz do
século vinte sobre elas. Não alegou ter
revelação especial de Deus, mas
sustentou que era o tempo devido de Deus para a Bíblia ser
entendida e que,
estando ele plenamente consagrado ao Senhor e ao Seu serviço,
teve permissão de
entendê-la.
É
esta
pois, a raiz do início da Sociedade Torre de Vigia de
Bíblias e Tratados
conforme explicado por suas próprias palavras. Ela repudia
claramente a
premissa cuidadosamente lançada com respeito à chamada
classe do escravo fiel e
discreto. Por volta do ano 1870, quando o jovem Russell iniciou seu
estudo
independente da Bíblia, a chamada classe do escravo fiel e
discreto estaria
então com mais de 1800 anos de existência.
Uma
pergunta tem de ser respondida: Onde estava esta classe do escravo fiel
e
discreto? Como poderia Russell ter ‘restabelecido as grandes
verdades ensinadas
por Jesus e pelos apóstolos’ independentemente do
canal de comunicação,
a organização terrestre de Jeová? Além do
mais, se como insiste a Sociedade
Torre de Vigia, o escravo fiel tem alimentado seus membros “de
modo
progressivo” através dos séculos, com cada
geração alimentando a geração
seguinte, por que precisariam os grandes ensinamentos de Jesus e
dos
apóstolos ser restabelecidos? Isto não teria sido
necessário caso fosse
verdadeira a premissa do escravo fiel e discreto.
A
evidência mais reveladora de tudo isso talvez seja a que se
encontra nos escritos do próprio Russell.
Apontando
o significado subjacente destes fatos, diz Ron Frye:
De
modo
claro, as raízes das Testemunhas de Jeová contradizem
categoricamente a
premissa da Sociedade Torre de Vigia com respeito ao dogma da chamada
classe do
escravo fiel e discreto. É evidente que a fim de justificar seu
sistema
autoritário, precisam argumentar que Jeová está
usando uma organização como seu
canal terrestre, ao qual todos devem submeter-se e aceitar. Mas para
insistir
nisso hoje, precisam consistentemente argumentar que a
situação sempre
foi esta desde o começo em
Assim,
no esforço de negar que Jesus esteja agora tratando, ou que
alguma vez trataria com indivíduos à parte de uma
organização, um “canal”
exclusivo, A Sentinela cria uma posição
insustentável. Alega que Cristo
fez precisamente isto ao tratar com Russell à parte de uma
organização. Se
admitirmos que o período pós-apostólico não
é particularmente fácil de
pesquisar, devemos admitir que os meados do século 19 são
muitíssimo mais
fáceis de pesquisar. E no entanto, não se consegue
encontrar nem um único elo
da suposta cadeia contínua de gerações do
“escravo” que se possa ligar a
Russell e à sua revista A Sentinela. As
publicações da Torre de Vigia,
portanto, só podem apontar para o primeiro elo (os
cristãos do primeiro século)
e para o último elo (com base nas alegações que a
organização Torre de Vigia
faz de si mesma) da cadeia. Quaisquer elos têm de ser presumidos
já que
se mostram invisíveis. Além de tudo, eles retiram a base
em que se apóia seu
próprio argumento, pois mostram que seu elo final começou
de modo totalmente
contrário à posição da
organização, que se iniciou com indivíduos,
desligados
de qualquer organização. Esta faceta de seu ensino
meticulosamente elaborado
quanto a uma “classe do escravo fiel e discreto” mostra ser
um mero “castelo de
cartas” que é demolido por suas próprias
afirmações.
Gerações
de uma “classe do escravo” que transmitem luz crescente?
Algo
que
agrava o problema em relação às
afirmações da organização Torre de Vigia,
como
reconheceu Ron Frye, é a constante aplicação de
Provérbios 4:18 (“Mas a vereda
dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até
o dia estar
firmemente estabelecido”) como se referindo a algum tipo de
avanço
continuamente progressivo no conhecimento doutrinário e no
entendimento das
Escrituras.[13]
Na
verdade, a organização apresenta duas
posições contraditórias.
Por um lado, diz que “a luz consistentemente torna-se cada vez
mais brilhante”,
e por outro diz que a apostasia criou uma escuridão tão
grande e prolongada por
tantos séculos que Russell e a Sociedade Torre de Vigia tiveram
de
“restabelecer as grandes verdades ensinadas
por Jesus e pelos apóstolos”. Ela nunca tenta resolver
esta contradição óbvia, mas persiste em falar
sobre a “luz brilhante que se
torna cada vez mais clara”. Como um exemplo apenas, encontramos
esta declaração

Sobre
isto, comenta Ron Frye:
Segundo
esta última citação, o escravo tem sido nutrido
não só com alimento espiritual
saudável, mas com alimento espiritual progressivo, que
não regride, não
permanece estático, mas que está sempre indo avante
espiritualmente com a
luz crescente da verdade. É esta, pois, a premissa
cuidadosamente lançada
pela Sociedade Torre de Vigia com respeito ao ensino da
ilustração do escravo
fiel e discreto do capítulo 24 de Mateus. Ele veio à
existência no dia de
Pentecostes de 33 [A.D.] e deveria ter uma história
contínua, ininterrupta através
dos séculos, até o fim do mundo e incluindo este;
enquanto isso, ele estaria
‘alimentando progressivamente’ os seus membros com alimento
espiritual,
tornando-se cada vez mais esclarecido à medida que o tempo
passava. A pergunta,
então, a ser respondida, é: como é que a
história da Sociedade Torre de Vigia
de Bíblias e Tratados se encaixa ou se enquadra nesta premissa?
Se sustentarmos
as conseqüências da interpretação que a
Sociedade faz de Mateus 24:45-47, o que
descobrimos? Se sua história não se enquadra em sua
própria premissa, esta
premissa então é comprovadamente falsa.
Se
a aplicação pretendida fosse válida, isto
significaria que cada
século sucessivo teria visto o crescimento do entendimento, da
claridade do
ensino doutrinário, com cada geração sucessiva da
classe do “escravo fiel e
discreto” transmitindo esta iluminação acrescida
para a geração seguinte. Por
volta da época dos valdenses e dos lolardos dos séculos
treze e quatorze
deveria haver um tremendo crescimento do entendimento. E por volta da
década de
1870, quando surgiu Charles Russell, a luz já usufruída
pela classe do
“escravo” deveria logicamente ter progredido a ponto de
brilhar de modo
ofuscante.
Recorde-se
a afirmação de Karl Klein, membro do Corpo Governante,
como depois expressou A Sentinela de 15 de agosto de 1981,
página 19:
Não
há
dúvida sobre isso. Todos nós precisamos de ajuda para
entender a Bíblia, e não
podemos encontrar a orientação bíblica de que
precisamos fora da organização do
“escravo fiel e discreto.”
Se
essa declaração expressa genuinamente um princípio
imutável
quanto ao modo de Deus dirigir Seus servos, tinha então de ser
válido e veraz
no tempo de Russell. Russell, pois, deveria certamente ter recorrido
à “classe
do escravo fiel e discreto” do tempo dele e recebido a luz clara
que então
brilhava, de acordo com a doutrina da ‘luz que clareia mais e
mais’. As
publicações da Sociedade Torre de Vigia dizem que ele
não fez tal coisa. Fez
exatamente o oposto e, inexplicavelmente, foi aparente e
excepcionalmente
eximido da necessidade de aderir a tal princípio, ficando apenas
ele habilitado
a estudar a Bíblia independentemente de qualquer
“organização do escravo fiel e
discreto” e ainda assim a compreender.
Obviamente,
não havia nenhuma classe do “escravo fiel e
discreto” já existente por dezoito séculos à
qual Russell e seus companheiros achassem que deviam recorrer e com a
qual se associassem para receber o grande acúmulo de luz
espiritual que devia ter sido gerada com o passar dos séculos. A
necessidade que tinham de um estudo independente é
enfatizada nas publicações da Torre de Vigia. Isto faria
parecer que, após dezoito séculos de cumprimento da
promessa que Jesus fez de estar com seus seguidores e guiá-los,
apoiá-los e abençoá-los, o verdadeiro cristianismo
na terra estava reduzido apenas a este punhado de americanos que se
reuniam em Pittsburgh, Pensilvânia! Para levar a sério o
ensino da organização, é a este extremo que
teríamos de chegar.
O
ensino
oficial é de que, por volta de 1919, Cristo Jesus designou as
pessoas filiadas
à organização Torre de Vigia como sua
“classe do escravo fiel e discreto”, seu
canal escolhido. Sobre os fatores envolvidos nesta escolha, o livro Aproximou-se
o Reino de Deus de Mil Anos (escrito por Fred Franz e publicado em
1975)
diz (páginas 350, 351):
A
questão era servir alimento, a espécie correta de
alimento no tempo
apropriado. Tinha de ser sobre isso que o retornado amo precisava fazer
uma
decisão. Pois bem, que dizer daquele grupo de
cristãos odiados e
perseguidos internacionalmente? (Mateus 24:9) Até o ano de 1919
E.C., eles se
haviam esforçado a dar “alimento no tempo
apropriado” aos da “família da fé” ou
aos “domésticos” do Amo celestial. Fizeram isso
apesar da interferência por
parte de perseguidores e de nações
Em
toda a terra, de todos os grupos religiosos, só a
organização
que produzia as publicações da Torre de Vigia
“enfrentou a prova”. Não só
tinham servido alimento espiritual, mas “a espécie correta
de alimento no tempo
apropriado”. Não só a regularidade, mas
“também se devia considerar a qualidade
do próprio alimento.” Que prova dá a
organização de que demonstrou “excepcional
fidelidade e discrição” para com a Palavra de Deus?
Que prova dá de que a
“qualidade” do seu alimento era claramente superior a
qualquer outro fornecido,
sendo este exatamente da “espécie correta” e no
“tempo apropriado”?
Considere
agora alguns exemplos do que realmente estava sendo servido pela
organização Torre de Vigia como alimento espiritual
durante o período que abrangeu o suposto ano da prova, 1919.
Discrição
exemplar ou indiscrição lamentável?
Na
abundância de palavras não
falta transgressão, mas quem refreia seus lábios age com
discrição. —
Provérbios 10:19.
No
livro Crise
de Consciência apresentou-se documentação
detalhada mostrando que após a
morte de Russell em
Considere
agora o que ocorreu em 1917. Lembremo-nos de que,
segundo o ensino “reajustado” atual da Torre de Vigia,
Cristo Jesus estava
então oficialmente reinando como rei entronizado havia
três anos. Em
Observe
algumas das predições feitas para os anos de 1918 e 1920
nestes trechos que tratam do capítulo 16 de
Revelação e dos capítulos 24 e 35
de Ezequiel:
258
O Mistério Consumado
REV. 16
Para
dar-lhe o cálice do vinho do furor da [Sua] ira. — O
vinho da videira da
terra. — Rev. 14:17-20; Jer. 8:14; Isa.51:17-20; Jer. 25:26-28;
Rev. 18:6.
16:20. E
toda ilha fugiu. — Até
as repúblicas desaparecerão no outono de 1920.
E
não se acharam os montes. — Todos
os reinos da terra passarão, serão tragados pela
anarquia.
16:21. E
caiu sobre os homens. — Em
grego, “Os Homens”, os adoradores da fera e da sua imagem,
isto é, o clero.
Uma
grande saraiva do céu. — A
verdade, compacta, chegando com força esmagadora. Uma
declaração concludente de como o sétimo volume dos
Estudos das Escrituras
parece aos adoradores da fera e da sua imagem. — Rev. 1:19;
Isa. 28:17;
30:30; Eze. 13:11; Josué 10:11.
Cada
pedra pesando cerca de um talento. —
---------------------
Os três
dias nos quais as
hostes de Faraó perseguiram os israelitas no deserto,
representam os três anos
de
---------------------
24:24. Assim
Ezequiel é para vós um sinal: segundo tudo o que ele fez,
vós fareis: e quando
isto chegar, sabereis que eu sou o Senhor Deus. ¾ Assim,
a silenciosa
dor do coração do Pastor Russell devia ser um sinal para
a Cristandade. As
dolorosas experiências do Pastor Russell com respeito a isto se
tornarão mais
tarde as de toda a Cristandade; e “quando isto chegar”
saberão que Jeová
Deus é supremo, e está por trás de todos os
julgamentos da época da tribulação.
O PASTOR RUSSEL MORTO, MAS FALANDO
OUTRA VEZ
24:25, 26. Também
tu, filho do homem, não será no dia em que tirarei deles
a sua força, o júbilo de sua glória, o desejo de
seus olhos, e aquilo em que fixam suas mentes, e seus filhos e suas
filhas. Que aquele que escapar naquele dia virá a ti para
fazer-te ouvir com teus ouvidos? ¾ Também,
no ano de 1918, quando Deus destruir as igrejas em escala total e os
membros das igrejas aos milhões, ocorrerá que qualquer um
que escapar se voltará para as obras do Pastor Russell para
aprender o significado da derrocada do “Cristianismo”.
---------------------
35:14.
Assim diz o
Senhor Deus: Quando toda a terra se regozijar eu te causarei
desolação. ¾
Quando vierem os Tempos da Restituição de todas as
coisas, uma das coisas que não será restaurada é o
movimento Socialista, trabalhista. Quando toda a sociedade se regozijar
na nova ordem de coisas instituída por Deus, o estado Socialista
terá sido então desolado completamente e para sempre.
35:15.
Assim
como te regozijaste diante da herança da casa de Israel, por ter
sido desolada, assim farei a ti; serás desolado, ó monte
Seir, e todo o Edom, sim, todo ele: e saberão que eu sou o Senhor. - Assim como os
apóstatas de mentalidade carnal do cristianismo, aliando-se aos
radicais e revolucionários, regozijar-se-ão diante da herança
de desolação que virá a ser da Cristandade depois
de 1918, assim fará Deus ao movimento revolucionário
triunfante; será completamente desolado, “sim, todo
ele”. Não sobreviverá dele nenhum vestígio
nas ruínas da anarquia mundialmente abrangente no outono de 1920.
(Rev.11:7-13.)[15]
Usando a
tradução de Rotherham (em inglês) que diz
“mil e duzentos
estádios” (em vez de mil e seiscentos), esta é a
explicação que o livro (página
230) dá como cumprimento do texto:
Pelo
espaço de mil e [seiscentos] DUZENTOS estádios.
- Isto não pode ser interpretado como uma referência
às
Um
estádio é 606 ¾ de um pé
inglês; 1200 estádios são, em milhas, 137,9
O
trabalho deste volume foi
realizado em Scranton, Pensilvânia. Tão logo foi
concluído enviaram-no para
Betel. Metade do trabalho foi feito a uma distância média
de 5 quadras da
estação Lackawanna, e a outra metade a uma
distância de 25 quadras. As quadras
em Scranton são de 10 por milha. Deste modo a distância
média até a estação
é de 15 quadras, ou . . . . . . . . . . . . . . . . .
.
A
distância em milhas de
Scranton para o Terminal de Hoboken aparece nas tabelas como sendo
143,8, e
esta é a distância que é cobrada dos passageiros,
mas em 1911, ao custo de
$12.000.000, a Ferrovia Lackawanna concluiu o seu famoso atalho,
economizando
seja, uma
distância reduzida para. . . . . . . . . 132,8
“
De
Hoboken Ferry para
Barclay Street
Ferry,
Nova
York, são . . . . . . . . . . . . . . . .
2,0 “
De
Barclay Street Ferry para Fulton
Ferry, Nova
York, são
De
Fulton Ferry, Nova York, para Fulton
Ferry,Brooklyn,
são
De Fulton Ferry, Brooklyn, para Betel,
são
A distância mais curta do local em que o
lagar foi pisado pelos Pés Membros do Senhor, cuja
direção e ajuda apenas,
tornaram possível este volume.
João 6:60, 61; Mat.20:11.). . . . . . . . . . .
. . . . . . . . .137,9 milhas
[O
original dessa matéria acha-se no apêndice.]
De
“qualidade” similar é o que o livro chama de
“tradução
corrigida de Jó 40:15 a 41:34,” com os respectivos
comentários, apresentados
nas páginas
O
que
segue é uma tradução corrigida de Jó 40:15
a 41:34, com os respectivos
comentários de um dos seguidores do Pastor Russell:
“Contempla agora algo que
tem grande calor [a máquina a vapor imóvel], que eu criei
para estar contigo;
ele consumirá forragem [turfa, madeira, carvão] como o
gado. Olha agora, sua
força está nos seus lombos [as chapas da caldeira], e seu
poder está dentro das
partes curvas [concha da caldeira] de seu ventre. Sua cauda
[chaminé — defronte
à extremidade de abastecimento] se empina como o cedro; as
junções de suas
partes separadas [barras de conexão, bielas] são pregadas
juntas. Seus ossos
são tubos de cobre; seus ossos sólidos [barras da grelha]
são como barras de
ferro batidas com martelo. Ele é o maior dos meios de
força. Aquele que o criou
[o Senhor] pode fazer Sua espada [a Palavra] achegar-se [revelar-se] a
ele.
[Isa. 27:1, 2] Repousará sob fino abrigo [colunas de vapor]
dentro de uma cobertura
de juncos fibrosos [juta] e argila [almofariz]. Os salgueiros do vale
[as
árvores acima] o cercam. Contempla [como um sistema de
captação de água], ele
bebe um rio transbordante sem muito esforço; fará o povo
confiar [que seus
celeiros manter-se-ão secos], ainda que o Jordão se
levante até sua boca. Ele o
ajuntará em suas fontes por meio de armadilhas e com a narina
perfurada.
O
redator da Torre de Vigia dá em seguida esta
explicação
definindo “leviatã”, não como uma
máquina a vapor imóvel, tal como as
que se utilizam nos moinhos e nas fábricas, mas como uma locomotiva:
“Puxarás
para fora o leviatã [a locomotiva] com um anzol [engate
automático] ou com um
laço [pino de engate] prender-lhe-ás a língua
[conexão de engate]? Acaso
colocar-lhe-ás uma argola [pistão] nas narinas
[cilindros] ou furar-lhe-ás as
bochechas [pontas dos pistões] com uma vara [barra do
pistão]? Far-te-á ele
repetidas súplicas [para que te afastes dos trilhos]? Acaso
proferir-te-á ele
sons suaves [quando faz guinchar o apito]? Fará ele um pacto
contigo, para que
o tomes como servo para sempre [sem consertos]? Brincarás com
ele como se fosse
um pássaro [fazendo-o apitar à vontade]? Ou o
deixarás amarrado [escravizado]
para tuas moças [de modo a levá-las aos piqueniques e
congressos]? Companheiros
[acionistas] regalar-se-ão com ele [os lucros]?
Partilhá-lo-ão entre os
especuladores. [Sal.74:14] Acaso encher-lhe-ás a pele de
arpões [parafusos], e
por-lhe-ás a cabeça numa cabina de pescadores [como as
cabinas dos barcos de
pesca]? Põe tua mão sobre ele, lembra-te da peleja [o
furor da caldeira] e não
farás mais perguntas. Contempla sua confiança [a
caldeira] sendo enganada [por
não ter sido devidamente abastecida com água], não
será sua poderosa imagem
espalhada de uma só vez [por uma explosão]?
Ninguém há tão audaz que venha a
incitá-lo [a correr à maior velocidade possível],
e ninguém que lhe possa fazer
frente [para atropelá-lo]. Quem competirá com este e
resistir-lhe-á
[ultrapassando-o nos trilhos]? Debaixo de todos os céus,
ninguém, senão [alguém
como] ele próprio.
“Não
silenciarei a respeito de seus membros, nem da causa de suas
forças poderosas, nem da beleza de seu equipamento. Quem
poderá abrir-lhe as vestes? Quem poderá penetrar entre as
dobras duras de seu escudo [as seções sobrepostas das
chapas da caldeira]? Quem pode forçar as portas de seu escudo
[extremidades da caldeira]? Os círculos de seus dentes [fileiras
de rebites] são formidáveis. Sua força reside em
fileiras de escudos [seções de chapas] bem encostados com
um selo [vedados]. Estarão tão juntos uns aos outros que
nem um sopro [vapor] passará entre eles. Colar-se-ão uns
aos outros. Tão ligados uns aos outros ficarão que
não se poderão separar. Seus espirros [as lufadas dos
cilindros] relampejam faíscas, torrentes de luz varam a massa de
fumaça: e seus olhos [faróis] serão como as
pestanas da aurora [os raios de luz do sol nascente]. De sua boca [boca
da fornalha] saltarão tochas acesas, e [da chaminé]
prorromperão centelhas incandescentes. De suas narinas
[cilindros] irromperá o vapor como que de uma
fundição ou caldeirão. Sua inalação
[refluxo da chaminé] reavivará carvões acesos, e
uma chama saltará de sua boca. Em seu pescoço reside a
força, e diante dele festejará a desolação
[tornando-se uma comunidade próspera]. As partes separadas de
seu corpo ajuntar-se-ão; comprimir-se-ão todas contra
ele; nada se move. Seu coração estará rijo como
pedra, estará sólido como a mó de baixo [rocha].
Quando em sua plena velocidade, os mais bravos temerão
[acidentes], perder-se-ão. Quando a seca o exalta [ou o torna
furioso], não se pode deter; faz-se romper a abóbada
curva [o forno], e também a couraça. Prezará o
ferro como se fosse palha, e o latão como madeira apodrecida. O
arqueiro não consegue pô-lo em fuga; projéteis [de
guerra] virar-se-ão contra ele como refugo. O [batidas de um]
martelo será prezado como um refugo; regozijar-se-á com
os empurrões do foguista. Vigas lavradas [ou entalhadas] de
artesão estarão por baixo dele; estenderá uma
barragem sobre o lodo. Fará [como uma máquina
marítima] das profundezas [lugares] uma panela fervente [sob
seus propulsores]; fará o mar assemelhar-se a ungüento
fervente. Fará a vereda brilhar após ele;
pensar-se-á que a profundeza da terra se torna cinza. [Sal.
104:26; Isa. 27:1.] Sobre a terra nada há que se lhe assemelhe -
ele que é [tão] construído de modo que nada pode
temer. Ele pode superintender [controlar por sua obra] tudo que
é grandioso; é sem dúvida rei sobre todas as
concepções de poder.”
A
profecia de Naum, capítulo 2, versículos
O
escudo
dos seus poderosos torna-se vermelho, os homens valentes vestem
escarlate; os
carros estarão com tochas flamejantes no dia de seu
aparelhamento, e vibrarão
terrivelmente as lanças. Os carros troarão nas ruas,
cruzarão uns com os outros
pelas vias largas; parecerão tochas, correrão como os
relâmpagos. Recontará
seus valorosos; tropeçarão em seu caminho;
apressar-se-ão para chegar ao
próprio muro, e a defesa estará preparada. As comportas
dos rios serão abertas,
e o palácio se dissolverá.
Neste tão aguardado “Sétimo Volume”, na
página 93, o autor de O Mistério
Consumado dá esta explicação acerca da
passagem acima:
(18)
Naum veio em seguida como um dos santos Profetas; e após
profetizar no último versículo do capítulo
anterior acerca da vinda do Rei com Sua boa nova de paz para a terra
sobrecarregada de pecados, ele fala em seguida (Naum 2:3-6) sobre uma
coisa interessante que será uma questão de
experiência diária costumeira na época em que o
Reino estiver estabelecido. Ele descreve uma composição
ferroviária em movimento [não um automóvel, como
alguns pensam], e se fizermos o esforço de colocarmo-nos no
lugar do Profeta, poderemos ver exatamente o que ele viu em sua
visão e o que de modo tão interessante descreveu.
Primeiro, o Profeta fica olhando para a máquina que vem em sua
direção, e então diz: “O escudo [o objeto
à frente deste grande guerreiro - o farol] torna-se rubro
[brilha com força], os homens valentes [o maquinista e o
foguista] são tingidos de escarlate [quando as chamas da
fornalha iluminam o interior da cabina à noite, enquanto o
foguista abre a tampa da fornalha para jogar carvão]. Os carros
[os vagões do trem] estarão com [serão precedidos
pelas locomotivas que, à noite, têm a aparência de]
tochas ardentes, no dia da Preparação.”
A
seguir,
o Profeta toma seu lugar no trem e olha pela janela, e aparentemente,
“Os
abetos serão terrivelmente agitados [os postes de
telégrafo ao longo dos
trilhos parecem estar dançando um pouco]. Os carros
enfurecer-se-ão nas ruas
[uma ferrovia não passa de uma rua elaborada, cientificamente
construída, ou
uma rodovia], colidirão uns contra os outros nas vias largas [o
chacoalhar e o ranger]
dos vagões juntos é um dos aspectos mais significativos
das viagens
ferroviárias]. Assemelhar-se-ão a tochas [um comboio
ferroviário à noite,
correndo ao longo de um campo distante, parece nada mais que uma vasta
tocha,
correndo como se voasse], correrão como os
relâmpagos.” A seguir, o Profeta vê
o condutor em busca de sua passagem e diz: “Ele recontará
seus valorosos [o
condutor passa quase todo o seu tempo contando e recontando os
passageiros, conferindo-os, etc.]; tropeçarão em seu
caminho [tentando andar
num trem que se move rapidamente]; apressar-se-ão para chegar ao
próprio muro
[a próxima cidade ou vila] e a cobertura [o abrigo do trem, a
estação] estará
preparada [o carregador de bagagens, o conferente, carro postal, o
ônibus do
hotel, passageiros que embarcam, e amigos que lá estão
para receber os
passageiros que desembarcam, todos estarão lá aguardando
o trem que chega]. As
comportas dos rios serão abertas [as portas dos vagões
serão abertas e as
pessoas fluirão para fora] e o palácio [vagão] se
dissolverá [se esvaziará].”
Em
Revelação capítulo 19, versículo 10, lemos
que: “Dar-se
testemunho de Jesus é o que inspira o profetizar.” Sendo
assim, o ‘recém
entronizado Rei’ razoavelmente teria considerado com grande
interesse as
explicações da profecia e as predições
anunciadas nesta publicação,
provenientes da organização que se proclama seu
mensageiro escolhido, seu
“canal” de informação. Em sua obra de
julgamento ele naturalmente examinaria
esta mensagem “oportuna”, supostamente vinda de Deus, uma
publicação oferecida
a toda a humanidade no período de grande crise e sofrimento da
Primeira Guerra
Mundial. Conforme declara A Sentinela de 15 de março de
1978 (página
15):
Sua
fidelidade e sabedoria espiritual no serviço do Amo decidem seu
merecimento de
ser encarregada de todos os bens terrenos de seu Amo.
Os
exemplos mostrados não são exceções. Basta
ler o livro O Mistério Consumado para ver que eles
são típicos da matéria encontrada no livro como um
todo. Não são apresentados simplesmente para mostrar de
que tolices incrivelmente imaginárias - e não acho que o
termo seja aqui mal aplicado ou injusto - os homens são capazes
quando têm o conceito religioso que tinham estes autores.
São apresentados porque as Testemunhas - lendo as
alegações da organização Torre de Vigia, de
clara superioridade em “sabedoria espiritual” sobre todas
as outras fontes religiosas de “alimento espiritual”
daquele período - têm ouvido uma versão muito
tendenciosa. A maioria delas não tem absolutamente nenhum meio
para investigar a realidade, já que as publicações
da Torre de Vigia daquela época não estão
disponíveis para elas. Deve-se recordar que, segundo a Sociedade
Torre de Vigia, este foi um período de grande significado
histórico e divino, tanto para a organização como
para o mundo, um período crucial no qual estava em jogo a
escolha da organização por Deus como Seu canal para toda
a humanidade, estando isso na enorme dependência do que o Amo
encontraria ao inspecionar a alimentação que se produzia.
Este livro teve um papel de destaque nessa história.[17] A publicação
de 1988 Revelação - Seu Grandioso Clímax
Está Próximo! (página 165) descreve O
Mistério Consumado como “um poderoso comentário
sobre Revelação e Ezequiel”! Uma revisão do
seu conteúdo força a pessoa a imaginar se o autor destas
palavras chegou sequer a ler o livro ou a considerá-lo
seriamente. Duvido muito que hoje a organização cogitasse
reimprimir um só capítulo, ou mesmo qualquer trecho dele
que fosse. Isto seria penosamente embaraçoso. No entanto, o
lançamento de O Mistério Consumado é com
freqüência mencionado em publicações
posteriores como um evento notável.[18] Relata-se que o
lançamento do livro para a “família de Betel”
resultou numa “granada” que precipitou uma
controvérsia que durou cinco horas.[19] Em
publicações posteriores da Torre de Vigia, o livro
é apresentado como uma espécie de “prova
decisiva” de lealdade para aquele período.[20]
Foi
a publicação do livro O Mistério Consumado que
levou a
julgamento, num tribunal federal, o presidente da Torre de Vigia,
Rutherford, e
outros encarregados da Sociedade, e à sua subseqüente
prisão.[21]
Parece incrível que homens estivessem dispostos a suportar a
perda da liberdade
por causa de uma publicação tão repleta de
matéria que só pode ser chamada de
absurda. No entanto, a pena de prisão causada por esse livro foi
mais tarde
apresentada como acontecimento de grande importância
profética, retratado por
um lado, como a causa da morte injusta imposta às “duas
testemunhas” descritas
em Revelação 11:3-7, e por outro, como algo relacionado
com ‘partir para o
cativeiro em Babilônia, a Grande’.[22] Uma história
oficial, As Testemunhas
de Jeová no Propósito Divino (em inglês), na
página 91, diz que em 1919
(quando veio sua alegada libertação de
“Babilônia, a Grande”) os “irmãos
reconheceram que tinha havido uma transigência [em 1918] por
terem cortado as
páginas 247-253 de O Mistério Consumado a fim
de agradar àqueles
que haviam assumido a posição de censor”. A
organização hoje, com efeito,
cortou não só essas páginas, mas o livro inteiro.
Assim mesmo, a ação então
tomada é apresentada nesta história oficial como uma
“transigência” que
desagradou ao Rei recém-entronizado.[23]
Na
época
Estas
publicações, todavia, não informam seus leitores
de que a
mensagem principal do discurso e a base para o seu tema tão
sensacional era que
1925 assinalaria o início do milênio. Na
versão impressa a matéria
afirmava que “o grande ciclo do júbilo deve principiar em
Lembremo-nos
de que, junto com o livro O Mistério Consumado, este
folheto foi, até 1923, uma das principais
publicações na proclamação mundial
então
Uma
investigação direta nas publicações da
organização Torre de Vigia dos anos
Muito
bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te
colocarei. -
Mat. 25:21, Bíblia de Jerusalém.
O
escravo da parábola de Jesus devia ter não só uma discrição
exemplar, mas também uma fidelidade exemplar, o que
levaria seu Amo a
recompensá-lo. De acordo com a organização Torre
de Vigia isto se cumpriu em
1919, quando Cristo designou essa organização para
administrar todos os seus
interesses terrenos.
Pondo
à prova as alegações da organização
Torre
de Vigia, Ron Frye fez uma revisão do que a
organização agora diz sobre o
seu próprio histórico no período de
1914-1918, período em que, segundo
eles, “estavam sendo avaliados para maiores privilégios de
serviço pelo
glorificado Jesus Cristo”.
Assim
como os israelitas dos dias de Isaías, os israelitas
espirituais venderam-se por causa de práticas erradas e
passaram a estar em
servidão ao império mundial da religião falsa,
a saber, Babilônia, a Grande,
e aos amantes mundanos dela. Um caso notável disso ocorreu
durante a Primeira
Guerra mundial de 1914-1918.
O
artigo prossegue, então, dizendo:


Frye
observou que eles descreviam a si mesmos durante este período
como tendo “vestes impuras”, estando contaminados com
apostasia, práticas
erradas, características que eram “como joio”, tendo
medo dos homens,
‘vendendo-se’ por causa destas práticas erradas.
Ele
achou tudo isto paradoxal. Aqui o recém-entronizado Rei,
Cristo Jesus, está supostamente avaliando a fidelidade e
a discrição desta
organização e, ao mesmo tempo, ela é encontrada
seguindo um proceder como o que
levou o Israel apóstata ao cativeiro babilônico!
Embora
tenha sinceramente tentado, jamais consegui entender o
raciocínio por trás deste ensino. Por um lado descreve-se
Cristo Jesus
assumindo seu grande poder real em 1914 e saindo “vencendo e para
vencer”
(Revelação 6:2), enquanto por outro se retrata o
próprio início deste reinado
como rapidamente seguido da captura em escala quase total de seus
servos
terrestres por inimigos que os levam para a escravidão em
“Babilônia”. Um
começo certamente não muito promissor para o Rei
vitorioso.
Comparar
os adeptos da Torre de Vigia aos israelitas
espiritualmente impuros da antiguidade também traz algumas
dificuldades. As
Testemunhas de Jeová no Propósito Divino (em
inglês), página 91, alista
alguns dos fatores supostamente causadores desta “impureza”
durante o período
de 1914-1918, incluindo estes:
a
crença de que os governos
terrestres são as “altas potestades” ou
“autoridades superiores” descritas em
Romanos 13:1, com o resultante temor do homem;
enfatizar
o “desenvolvimento do
caráter”;
“considerável
adoração de
criaturas na organização”;
a
comemoração de feriados pagãos
tais como o Natal;
o
uso do símbolo da cruz;[27]
não
usar o nome “Jeová” do modo
tão freqüente como se fez em épocas posteriores;
praticar
uma forma democrática de
governo congregacional.[28]
Se
estas coisas os tornavam “impuros” - tão
drasticamente que o Rei recém-entronizado foi obrigado a
abandoná-los ao cativeiro, o que se deve concluir? Que eles
certamente deveriam ter se purificado destas coisas antes de
poderem recuperar seu favor e de estarem habilitados a voltar à
liberdade. E com maior razão se, como dizem, eles foram
prontamente premiados com altos “privilégios, responsabilidades,
dignidades e honras,” com “categoria,
autoridade e poder maiores,” como “escravo
promovido” do Rei.[29]
No
entanto, inexplicavelmente, em 1919, quando se diz que
“retornaram de Babilônia”, eles ainda estavam
crendo e pondo em prática as
mesmas coisas que supostamente os tinham tornado impuros e que os
tinham levado
ao cativeiro!
Continuaram
a fazer isso por dois anos depois disso, e em alguns
aspectos (como a “adoração de criaturas”)
foram até mais longe, como no louvor
ao Pastor Russell e na insistência absoluta de que os ensinos
dele eram o único
meio de compreender a Palavra de Deus.[30]
Quanto
à primeira evidência alistada de “impureza”, a
saber, o
conceito sobre os “poderes superiores” de Romanos
capítulo 13 serem os governos
políticos, este ensino continuou em vigor por mais dez anos,
até 1929,
quando Rutherford declarou que os “poderes superiores”
referiam-se a Deus e a
Cristo e não aos governos terrestres. Uns trinta anos depois,
esta
interpretação foi rejeitada e o conceito
“impuro” da época anterior foi
restabelecido como verdadeiro, não sendo assim tão
“impuro” afinal de contas.[31]
Quanto
à causa seguinte de “impureza”, é verdade que
algum tempo
depois Rutherford descartou durante muitos anos quaisquer artigos sobre
amor,
bondade, misericórdia, generosidade e outras qualidades
cristãs, que ele
considerava tratarem de “desenvolvimento do caráter”
(a eliminação destes assuntos
permitia, em vez disso, enfatizar o “serviço de
campo” e programas da
organização relacionados, e a interpretação
profética). No entanto, após a
morte dele tais artigos começaram a reaparecer, dizendo-se
então que ajudavam
os membros a “revestir-se da nova personalidade”, em vez de
“desenvolver um
caráter cristão”, certamente uma
distinção sem diferença alguma.
Quanto
à comemoração do Natal, recordo que nossa
família o
festejou até 1930 ou por volta disso. Era comemorado até
na sede de Brooklyn
(com presentes de Natal, ouropel, guirlandas e todos os enfeites
tradicionais)
pelo menos até 1926. Do mesmo modo, a cruz (agora vista como
símbolo de origem
puramente pagã) apareceu na capa de cada número de A
Sentinela até 15 de
outubro de 1931! (Veja as páginas seguintes.)
É
verdade que a chamada “forma democrática de governo
congregacional” (com os anciãos sendo eleitos pela
congregação) terminou quando
Rutherford eliminou os anciãos eletivos em 1932, mas isto
ocorreu treze anos
após 1919. E resultou numa virtual ditadura em que toda a
autoridade final era
exercida por uma única pessoa, o presidente da Sociedade Torre
de Vigia, o Juiz
Rutherford. Conforme explicado em Crise de Consciência,
também esta
diretriz foi rejeitada mais de quarenta anos depois com o
restabelecimento dos
corpos de anciãos (embora não eletivos) em 1972 e com a
presidência da
sociedade perdendo seu atributo de autoridade suprema em 1975-76.[32]


Capa de A
Sentinela de 15 de julho de 1930. O uso da cruz
supostamente contribuiu para que os associados da Torre de Vigia fossem
vistos
por Cristo como “impuros” no período de 1914-1918.
No entanto, a capa de A
Sentinela ainda exibiu a cruz com destaque até 15 de
outubro de 1931, quase
doze anos após Cristo ter supostamente designado a
organização Torre de
Vigia como seu canal aprovado em
Só
se pode perguntar: Por que o suposto “cativeiro em
Babilônia” de 1918-1919? Por que a
“libertação de Babilônia” na primavera
de 1919, se os encarregados e adeptos da Torre de Vigia saíram
dele na mesma condição em que tinham entrado? Por que
teria Cristo apontado esta fonte de informações
confessadamente assolada por erros como exemplo de fidelidade e
discrição, como a única a passar pela prova e a
ser escolhida como exclusiva via de comunicação por meio
da qual o Rei entronizado enviaria todas as suas
orientações para a humanidade? E por que embarcaria
imediatamente este “canal escolhido” numa nova falsa
profecia de data, empreendendo uma grande campanha (a “campanha
dos Milhões”) para falar ao mundo sobre 1925 e sobre o
início do milênio que deveria ocorrer naquela época
- com o homem que dirigia o “canal” escolhido sendo mais
tarde obrigado a admitir (segundo suas próprias palavras) ter
‘feito papel de tolo’ em relação à
profecia não cumprida baseada naquele ano?[33]
Achei
tudo isso não só desconcertante, mas também
depreciativo da
Palavra de Deus, e da sabedoria, do poder e da realeza de seu Filho.
Parecia
ser um esforço confuso de explicar as Escrituras à base
das experiências da
organização, ao invés de visualizar as
experiências da organização de modo
franco e honesto à luz brilhante, poderosa e esclarecedora das
Escrituras.
Para
Ron Frye e outros, pareceu incompreensível dizer —
após quarenta anos de predições errôneas
baseadas em especulações cronológicas (algumas
envolvendo medições das pirâmides do Egito), e
já que os membros da organização estavam ou tinham
se tornado “impuros” e apóstatas ao ponto de Deus
abandoná-los ao cativeiro em Babilônia - que estas mesmas
pessoas foram, daí em diante, tão rapidamente
glorificadas em novo e elevado privilégio de serviço que
lhes foi confiado, o de tratar de todos os incrementados interesses do
Amo, Jesus Cristo. Conforme Frye expressou:
É
como se
você fosse a um negociante que, devido à própria
insensatez, meteu-se em dificuldades
financeiras e perdeu uma grande soma de dinheiro seu, tendo de declarar
falência. E você então lhe dissesse: “Muito
bem! Você perdeu uma pequena
fortuna minha. Portanto, vou agora confiar aos seus cuidados toda a
minha
fortuna.”
Isto
é, em essência, o que dizem que Cristo fez.
Que
dizer da “classe do escravo” hodierna?
Indo
além
da situação da época de Russell e do
período de 1919 e início dos anos 20, que
dizer das circunstâncias agora existentes daquela que a
Torre de Vigia
descreve como a “classe do escravo”? É isto, afinal
de contas, tudo o que a
maioria das Testemunhas de Jeová atuais conhece, tudo o que elas
sempre
souberam.
Há
muito tempo o entendimento das Testemunhas de Jeová tem sido de
que todos os indivíduos (os 8.600 “ungidos”) que
formam o composto “escravo”
participam da distribuição simbólica de alimento.
E também que, como
coletividade, todos eles acham-se agora à frente dos
‘bens do amo’ para
administrar seus interesses terrestres.[34]
Quão
veraz é este quadro em que todos estes membros
“ungidos” participam na “obra de
alimentação”, e participam hoje em
supervisionar todos os “bens do amo”? Precisamos primeiro
perguntar como é que
a própria organização apresenta esta obra de
“alimentação” e as próprias
declarações dela quanto ao que é o
“alimento” espiritual ministrado.
Não
há a menor dúvida de que nas mentes das Testemunhas de
Jeová
em geral o “alimento no tempo apropriado” provido pelo
“escravo” é a informação
fornecida pela sede da organização Torre de Vigia em
Brooklyn, contida em suas
publicações e diretrizes. Esse entendimento vem sendo
consistentemente
desenvolvido por eles ao longo dum período de vários
anos. Típica é esta
afirmação na Sentinela de novembro de
...não
tratemos de assumir os deveres do escravo. Devemos comer, digerir e
assimilar o
que se coloca diante de nós, sem rejeitar certas partes do
alimento porque
talvez não convenha ao capricho do nosso gosto mental. As
verdades que havemos
de publicar são aquelas que a organização do
escravo discreto fornece, não
algumas opiniões pessoais contrárias ao que o escravo
providenciou como sendo
sustento conveniente.
Mais
de 30 anos depois, o número de 1º de janeiro de 1986 de A
Sentinela fez esta mesma aplicação e mostrou
claramente a opinião oficial
de que o “alimento” provido pela “classe do
escravo” é o que se encontra nas
publicações da Torre de Vigia. Após descrever
planos e projetos para a
construção de grandes prédios e
instalações gráficas em vários
países,
incluindo a proposta de um edifício alto, de 35 andares, em
Brooklyn, o artigo
declara (página 25):
É
toda essa construção e organização
realmente necessária? É, se é que “o escravo
fiel e discreto” há de continuar a prover o
“alimento [espiritual] no tempo
apropriado”. Tal alimento é vitalmente necessário
para o desenvolvimento da
“família de Deus” e para a pregação
global em mais de 200 línguas.
O
“alimento”, então, é evidentemente
apresentado como a informação
impressa publicada e distribuída pela Sociedade Torre de Vigia,
com sede
Já
que se diz que o “escravo” é formado por todos
os
cristãos “ungidos”, muitas Testemunhas de
Jeová não entendem como este
“fornecimento de alimento” feito por eles (os ungidos)
funciona na prática. Eu
mesmo, desde muito tempo, não conseguia entender exatamente como
era que estes
“ungidos” (pelo menos os que viviam fora da sede de
Brooklyn) de algum modo
participavam na elaboração e no suprimento do
“alimento” espiritual
apresentado. Meu pai fora batizado em 1913 e professava ser
“ungido”, assim
como minha mãe e outros que conheci. Todavia, os novos ensinos e
idéias que
eram periodicamente publicados (substituindo os anteriores)
surpreendiam tanto
a eles quanto a mim e outros que não professavam ser desse grupo.[35]
Dizer,
como dizem alguns, que os “ungidos” em geral participavam
da distribuição do “alimento”
simbólico simplesmente por ‘aceitar estes ensinos
à medida que saíam e por falar deles para os
outros’, parecia uma explicação
artificial, já que os que não eram “ungidos”
faziam exatamente a mesma coisa.
Entre
as Testemunhas de Jeová que não têm idéia
alguma do modo
como funciona a sede internacional da organização,
há, sem dúvida, uma vaga
idéia de que o pensamento, as pesquisas bíblicas e as
conclusões destes 8.600
ungidos de algum modo abrem caminho para chegar à sede de
Brooklyn e receber a
atenção do Corpo Governante, que diz ser o
“porta-voz” da “classe do escravo
fiel e discreto”, bem como seu braço administrativo.
Já que o processo de
elaboração de doutrinas da organização
é muito reservado, isto dá margem a
muita conjectura por parte dos que tentam entender o mistério do
relacionamento
entre os 8.600 e a sede mundial em Brooklyn. (Alguns chegaram a pensar
que se
fazem pesquisas periódicas para colher as opiniões dos
ungidos de todo o
mundo.)
O
mistério desaparece à medida que nos aproximamos do
centro da organização. A idéia de que uma
coletividade de 8.600 “ungidos” fornece o
“alimento” espiritual, e que, como corpo, partilha a
direção dos interesses e assuntos da casa do Amo, mostra
ser totalmente teórica, e em nenhum sentido uma realidade. Esta
talvez seja a ficção mais evidente encontrada em todo o
conjunto de explicações bíblicas publicadas pela
organização. O fato é que nem 1 por cento desse
número de “ungidos” tem a mínima
participação em determinar aquilo que as Testemunhas de
Jeová vão receber em termos de matéria
bíblica ou em dirigir as atividades dessas pessoas.
Comecei
em
parte a perceber isto após cursar a Escola de Gileade da Torre
de Vigia em 1944
e depois quando servi em posições administrativas no
Caribe. Meus contatos
pessoais com o Escritório do Presidente deixavam pouca
dúvida quanto a quem
decidia o que devia ser lido e estudado pelas
congregações em toda a terra e
como se devia empreender a proclamação das boas novas.
Isso de modo algum era
feito por pessoas de fora da sede mundial em Brooklyn.
Isto
se confirmou com mais precisão quando, em 1965, atendendo ao
pedido do presidente (Nathan Knorr) para ir a Brooklyn, fui designado a
fazer
parte do Departamento de Redação. Além de mim, e
sem incluir o vice-presidente
Fred Franz (nominalmente membro do Departamento de
Redação, mas de fato
separado dele e sendo superior a ele), havia naquela época
apenas mais um
membro do Departamento de Redação que professava ser
“ungido”, Karl Klein.[36]
Os
outros, seis mais ou menos, eram todos das chamadas “outras
ovelhas”, não ungidas para a vida celestial mas com
esperança terrestre, não
sendo, portanto, da “classe do escravo fiel e discreto”. A
imensa maioria dos
artigos publicados
Havia,
naturalmente, artigos que de fato procediam de irmãos
“ungidos” de diversos países.[37] Estes, contudo, estavam
sujeitos a serem
reconsiderados, revistos, e até totalmente reescritos de
acordo com o
julgamento do superintendente do Departamento de Redação,
Karl Adams. Karl
Adams, porém, não era “ungido”. Ele
não hesitava em entregar um artigo escrito
por um dos “ungidos” a alguém das “outras
ovelhas” para ser revisado ou
reescrito, e o fazia com freqüência. Nenhum de seus
superiores fazia objeção a
que ele agisse assim.
A
única exceção a esta regra eram os escritos
elaborados pelo
vice-presidente, Fred Franz. Conforme Karl me disse, Knorr deixara
claro que os
escritos do vice-presidente só podiam ser alterados com a
permissão do próprio.
Em
uma reunião do Corpo Governante, quando se suscitou este
assunto da preparação do “alimento
espiritual”, o presidente Knorr admitiu
espontaneamente que a maior parte da redação era feita
pelos da classe das
“outras ovelhas”. Para quaisquer dos que trabalhavam no
Departamento de Redação
isto era óbvio. Embora, desde então, o Departamento de
Redação tenha sido
bastante expandido, a situação permanece essencialmente a
mesma.[38]
A
razão geralmente dada para explicar esta anomalia é que,
embora
os membros não-ungidos pensem, desenvolvam e
escrevam a
matéria, esta é sempre lida e aprovada por pessoas
“ungidas” antes de ser
impressa. Isto evidentemente acrescenta um toque ou qualidade
“ungidos” à
matéria.[39] O
próprio fato de que seja
necessário recorrer a tal raciocínio demonstra em si a
dificultosa natureza da
afirmação que se faz sobre a parte da parábola de
Jesus que trata da provisão
de alimento.
Ocasionalmente
chegavam ao Departamento de Redação cartas de
pessoas da classe “ungida”, trazendo
considerações bíblicas ou levantando
certas questões sobre pontos doutrinários.[40]
Estas eram e ainda são cuidadas pelos encarregados do trabalho
nas “mesas de
correspondência”. Os que realizam esta tarefa têm
sido, principalmente, homens
que não afirmam ser da classe “ungida” (tais como
Fred Rusk, Gene Smalley,
Russell Dixon, Raymond Richardson). Estes homens rotineiramente
lêem e
respondem estas cartas, e elas não passam daí. Apenas se
houver algo
excepcional que o encarregado da mesa de correspondência ache que
está fora de
sua alçada é que a carta segue caminho até uma das
comissões do Corpo
Governante. Exatamente a mesma coisa se aplica, contudo, às
cartas que chegam
dos que não são da classe “ungida”. O fato de
uma carta vir de um “ungido” raramente,
se é que tanto, resulta em ela receber um tratamento diferente
ou maior
consideração de qualquer espécie do que receberia
uma remetida por alguém que
não professa ser dessa classe. Esta prática não
parte dos encarregados das
mesas de correspondência; é um procedimento padrão
da organização.
O
que poderia atrair mais atenção para a carta seria a posição
organizacional ocupada pelo seu remetente, e isto independente de
ele professar ou não ser “ungido”. Assim, a carta de
um superintendente de distrito ou de um membro duma Comissão de
Filial receberia automaticamente atenção especial mesmo
que seu autor não fosse um “ungido”. Tal carta
chegaria muito mais facilmente a uma comissão do Corpo
Governante do que a carta de alguém que professe ser
“ungido”, mas que não ocupe nenhum cargo além
do de ancião. Sei disto, não só por ter ficado
quinze anos no Departamento de Redação, mas também
por ter servido por nove anos na Comissão de
Redação do Corpo Governante e ter visto o fluxo de temas
trazidos à nossa atenção, tanto do Departamento de
Redação e do Departamento de Serviço da sede
mundial, como dos mais de noventa escritórios de filial ao redor
do globo. Posso afirmar sem hesitação que, na sede
mundial ou no Corpo Governante, ninguém expressava qualquer
interesse especial ou fazia qualquer indagação quanto a
se a fonte da informação era de “ungidos” ou
não. Raramente se sabia disso. Isto simplesmente não era
tratado como fator relevante ou significativo.
Em
1976,
após a reorganização da
administração então existente na sede mundial,
três
séries distintas de reuniões foram realizadas em Brooklyn
com grupos de homens
convidados do “campo” para que se expressassem sobre grande
número de assuntos
relacionados com a alimentação espiritual e a atividade
das Testemunhas. Os
grupos, cada um com cerca de cem homens, eram compostos respectivamente
de
representantes dos escritórios de filial, em seguida, de
superintendentes
viajantes de todos os Estados Unidos, e, finalmente, um grupo de
anciãos
congregacionais selecionados, também dos Estados Unidos. Quando
foram
convidados para essas reuniões especiais, não se deu
consideração, preferência
ou atenção à questão de se selecionarem
homens que professassem ser “ungidos”.
Os membros do corpo Governante e outros que presidiam os debates
não tinham
geralmente conhecimento de quem era dos “ungidos” ou
não (pouquíssimos eram).
Isto simplesmente não era visto como um fator importante.
Cada
ano, por meio de sua Comissão de Serviço, o Corpo
Governante
programa e faz arranjos para “visitas de zona”, nas quais
os membros do Corpo
Governante e alguns outros viajam individualmente a vários
países e fazem
visitas oficiais aos escritórios de filial. Cada
escritório de filial ao redor
do mundo é atendido anualmente deste modo. O programa destas
visitas é
revelador.
Como
membro do Corpo Governante, quando dirigia tais visitas de
zona, esperava-se que eu falasse a certo número de pessoas e as
ouvisse. Em
alguns países o número de Testemunhas podia chegar
às dezenas de milhares.
Sendo assim, como “superintendente de zona”, quem eram
aqueles em quem eu devia
me concentrar e a quem devia escutar? Na maioria dos casos, cada dia eu
tinha
de me reunir com a família de Betel da filial (o pessoal que
trabalha na
filial) para a consideração matinal do texto. Eu recebia
uma “tabela de escuta”
de todos os membros da equipe da filial, e cada manhã alguns
destes eram
designados a dar comentários sobre o texto bíblico
diário. Em tudo isto, porém,
não se dava nenhuma atenção especial aos que
fossem “ungidos” e portanto,
membros da “classe do escravo fiel e discreto”. Se algum da
equipe ou dos que
eram designados a dar comentários eram “ungidos”
isto só chegava ao meu
conhecimento por acaso, geralmente se alguém mencionasse isso
Durante
a visita, fazia parte do programa uma reunião com os que
eram missionários. Durante uma refeição e antes da
refeição eu devia falar a
estes. Mais uma vez, não se fazia arranjo algum para que os
missionários que
professassem ser “ungidos” conversassem comigo.
Em
outra reunião eu tinha de conversar com um ou dois
superintendentes viajantes (superintendentes de circuito e de
distrito),
selecionados pela Comissão da Filial. Raramente algum destes era
“ungido”.
A
principal reunião da visita era realizada com a própria
Comissão
de Filial (composta de cerca de três a sete homens) e, novamente,
na maioria
dos países essa comissão era inteiramente formada de
não “ungidos”.
Excetuando
um discurso que podia ou não ser programado com o
comparecimento de uma assistência de Testemunhas em geral,
não havia mais
nenhum arranjo para reuniões ou contatos. Como ressaltava
regularmente Milton
Henschel, membro do Corpo Governante, a visita de zona visava a
primariamente
inspecionar as atividades do escritório da filial. A natureza da
visita era do
tipo empresarial, basicamente organizacional, administrativa, e o
trabalho da
equipe e da Comissão de Filial detinham a maior parte do tempo e
da atenção do
representante visitante do Corpo Governante. Simplesmente não
fazia parte da
agenda qualquer demonstração de interesse nas
idéias, opiniões bíblicas ou
preocupações dos “ungidos”.
Se
a grande ênfase que se dá, nas declarações
públicas de A
Sentinela e de outras fontes, à classe do “escravo
fiel e discreto”
(composta hoje de 8.600 pessoas) a quem o Rei reinante Cristo Jesus
confiou a
supervisão de todos os seus bens, fosse deveras genuína
e significativa,
certamente a “visita de zona” feita a cada país
teria como um de seus pontos
principais uma reunião do membro visitante do Corpo Governante
com estes
“ungidos” da classe do “escravo”. Diz-se que o
Corpo Governante atua como
porta-voz de todos estes ungidos. Como pode o Corpo falar por eles a
menos que
saiba com exatidão o que eles pensam? Seria de esperar que o
Corpo Governante
estivesse profundamente interessado no que eles pensam de quaisquer e
de todos
os assuntos espirituais, dos ensinos e do modo como se faz a atividade
de
pregação. Mas o que vemos? Fazem-se arranjos para que o
membro visitante do
Corpo Governante converse com os membros da Comissão de Filial,
membros da
equipe da filial, superintendentes viajantes e missionários
(muitas vezes
dando-lhes ajuda financeira para viajarem ao local do encontro), mas
não se
faz nenhum arranjo para contatos com os membros “ungidos”
da classe do “escravo
fiel e discreto”.
Se
a proclamada importância desta classe tivesse alguma
substância
real, o Corpo Governante teria em cada país uma lista dos dessa
classe do
“escravo fiel e discreto” que ele diz representar. Em vez
disso, as únicas
listas de nomes que eles têm são as dos membros das
sociedades jurídicas da
organização (tais como a Sociedade Torre de Vigia de
Bíblias e Tratados de
Pensilvânia), ou dos membros do pessoal dos escritórios de
filial, ou dos
homens nos cargos de superintendente viajante. Não é o
fato de alguém ser dos
“ungidos”, mas a posição organizacional
é que é o fator determinante dos
nomes que são alistados, e apenas se servirem numa destas
funções é que os
“ungidos” terão seus nomes incluídos entre os
de não-ungidos.
Quando,
em algumas poucas ocasiões, o Corpo Governante decidiu
selecionar membros adicionais para o Corpo, estas listas eram as
únicas que nós tínhamos das quais retirar nomes de
“ungidos” que pudessem ser candidatos ao Corpo Governante.
Todavia, os nomes de provavelmente 95 por cento dos
“ungidos” não estão nestas listas.[41]
As
Testemunhas são ocasionalmente lembradas de que ‘a maior
concentração de
ungidos em um só lugar da terra’ se acha na sede
internacional em Brooklyn.[42]
Isto é um fato. Mas é um fato totalmente insignificante
no que diz
respeito à real direção da obra das Testemunhas de
Jeová ao redor da terra ou
com respeito ao “alimento” provido, às
explicações bíblicas e às
informações
doutrinárias que as Testemunhas recebem da sede internacional.
Quaisquer
membros do pessoal da sede que sejam dos “ungidos”, mas que
não tenham o privilégio de ser membros do círculo
íntimo do Corpo Governante, nunca são - com base no fato
de serem “ungidos” - convocados às reuniões
do Corpo Governante para expressarem suas opiniões. Nunca
são entrevistados com base nisso e raramente se conversa com
eles sobre assuntos importantes. Estão tão desinformados
do que se passa nas reuniões do Corpo Governante quanto o rapaz
de 19 anos da família do Betel da sede. No entanto, supostamente
fazem parte da classe do “escravo fiel e discreto” a quem o
Amo encarregou de todos os seus bens![43]
Quando
o Corpo Governante busca saber opiniões, ele geralmente
procura as de homens como os secretários dos
“Escritórios Executivos”, alguns
dos quais também servem como secretários das
comissões individuais do Corpo
Governante (e nessa condição permite-se que se expressem
nas reuniões das
comissões, embora não assistam às reuniões
plenárias do Corpo), ou podem ser
solicitadas opiniões das Comissões de Filial, do
Departamento de Serviço de
Brooklyn ou de fontes similares. No entanto, estas fontes são
quase que
inteiramente compostas de homens que não professam ser
“ungidos”.
De
que modo é possível harmonizar isto com as
declarações feitas? Se o Corpo Governante não tem
a pretensão de ser, ele próprio, “o escravo fiel e
discreto”, e se é veraz a afirmação de que
ele simplesmente atua em nome do conjunto de todos os
“ungidos” - como representante e porta-voz deles - como
podem seus membros terem ao redor deles na sede de Brooklyn a
‘maior concentração de ungidos em um só
lugar da terra’ e mesmo assim nenhum arranjo para que se
consultem estes co-membros da classe do “escravo fiel e
discreto”, para que se recebam informações deles? O
fato é que eles simplesmente não fazem isso. Nunca
fizeram.
O
exaltado papel e privilégio dos aproximadamente 8.600
“ungidos” conforme descrito nos ensinos publicados
é, como se declara, tanto teórico como fictício,
não é real nem concreto. No final das contas, o grande
respeito, a deferência, a lealdade e a submissão que os
mais de seis milhões de membros não-ungidos são
convocados a mostrar a esta classe do “escravo fiel e
discreto”, são na realidade restringidos à
fração de um pequeno grupo de homens, os cerca de
quatorze que formam o Corpo Governante. Se um deles estiver em qualquer
outra posição - ancião de
congregação, superintendente de circuito ou de distrito,
missionário, membro da equipe de escritório de filial,
membro de Comissão de Filial, ou membro da equipe da sede
internacional - o fato de ele ser “ungido”, membro da
classe do “escravo fiel e discreto”, não fará
com que mostrem maior consideração pelas suas
opiniões, ou que lhe dêem voz mais ativa naquilo que se
publica e se faz do que ocorreria no caso de qualquer um de seus
colegas não-ungidos.
Se
fosse possível reunir todos os 8.600 membros
“ungidos”, ou
mesmo a maioria deles, de modo que se pudesse fazer a pergunta,
“Em que
acredita e o que ensina o ‘escravo fiel e discreto’ acerca
deste ou daquele
ponto?”, não há a menor dúvida de que a
reação de praticamente todos seria
citar as publicações da Torre de Vigia ou referir-se a
estas como a fonte de
respostas autênticas. Esta resposta não seria realmente a
deles próprios,
estariam simplesmente repetindo, fazendo eco ao que lhes foi dito,
já que eles
mesmos nada tiveram que ver com a elaboração ou a
apresentação dessa resposta,
em nenhuma das etapas do processo de publicação. Muito
embora representassem a
grande maioria da chamada “classe do escravo”, não
poderiam falar por si
próprios como tal classe, não poderiam fazer mais do que
citar aquilo que lhes
foi dado. Teriam receio de agir de outro modo.
Na
realidade, há apenas uma coisa que distingue estes
“ungidos”. É o fato de uma vez por ano participarem
do pão e do vinho enquanto
os outros em volta deles se abstêm. Durante o resto do ano, fazer
parte da
“classe do escravo” não tem para eles nenhum
significado genuíno. Só quando
acontece de um deles ser membro do Corpo Governante é que ser
ungido torna-se
um fator decisivo, visto que ser um deles é
condição obrigatória para fazer
parte do Corpo. Se a pessoa estiver fora deste pequeno e poderoso grupo
administrativo, descobrirá que o fato de ela professar ser
“ungida”
simplesmente não conta quanto ao que ela fará, que voz
terá nas decisões, que
consideração se dará às suas
opiniões, ou que designações receberá da
organização. Os 8.600 “ungidos” que
não são do Corpo Governante sabem que isto
é verdade. Os atuais membros do Corpo Governante também
sabem, mas isso
evidentemente não os preocupa muito.
Sem
admitir franca ou abertamente a verdadeira situação, o
artigo
na Sentinela de 1º de setembro de 1981, já
mencionado, faz o aparente
esforço de justificar a situação existente na
organização Torre de Vigia, na
qual uma fração ínfima da “classe do
escravo” exerce total autoridade sobre o
tipo de “alimento” espiritual que é preparado e
servido, e sobre a direção das
atividades e práticas de todas as Testemunhas de Jeová,
ao mesmo tempo em que a
vasta maioria dos “ungidos” que não fazem parte
desse grupo de autoridade não
tem voz alguma nas questões, esperando-se deles que aceitem de
modo submisso
qualquer coisa que venha do pequeno grupo de autoridade. Após
citar o conhecido
texto de Isaías 43:10-12, no qual Jeová refere-se a
Israel tanto como “meu
servo” como “minhas testemunhas”, o artigo faz o
esforço um tanto sutil de
justificar esta situação por dizer (página 25):
Embora
nem cada pessoa participasse na administração dos
assuntos da nação, todas as
pessoas constituíam um só povo, o “servo” de
Deus. Apenas uns poucos
participavam em escrever e em copiar as Escrituras Sagradas, mas o
apóstolo
Paulo podia dizer do povo de Israel: “Foram incumbidos das
proclamações
sagradas de Deus.” (Rom. 3:1, 2)
Os
exemplos dados aqui, porém, só servem realmente para
confundir
e obscurecer a questão. Jeová falou de Israel como seu
“servo” e suas
“testemunhas”, não como seus
“administradores” ou “escritores inspirados”. Todos
deviam servir, cada indivíduo. Todos deviam ser
testemunhas por pessoalmente
depositarem Nele sua fé e confiança, dando deste modo
testemunho de que ele é
Deus. A questão não tinha que ver com
administração e escrita inspirada. A
congregação cristã não foi modelada segundo
a nação de Israel, com uma
administração terrestre exercida por um rei e seus
ministros. Ela tem apenas um
Rei e Administrador celestial, Cristo Jesus, a Cabeça de cada
homem e mulher
cristãos.[44] E a escrita inspirada da
Bíblia já foi
completada, não havendo provisão alguma para que
alguém a continuasse na época
pós-apostólica. Estes fatores, portanto, não
têm nenhum paralelo real para os
cristãos do nosso tempo. E eles com certeza não
dão justificativa para que se
use a parábola de Jesus sobre o mordomo fiel para sustentar como
válida a
autoridade de um pequeno grupo de pessoas para controlar e determinar o
que os
outros membros devem acatar como o entendimento e a
aplicação da Palavra de
Deus.
Há
uma clara inconsistência neste uso da parábola. Quando
interpretam muitas das outras parábolas de Jesus, as
publicações da Sociedade
Torre de Vigia normalmente admitem o fato de que determinada atitude ou
ação
descrita se aplica a todos os cristãos ungidos, sendo
cumprida por cada
um deles de modo figurativo. Assim, se a parábola fala de
pescadores que
usam rede de arrasto, admite-se que todos os cristãos
ungidos fazem uma
‘obra de pescaria’, e não só alguns deles.
(Mateus 13:47-50) Se a parábola fala
de convidados numa festa de casamento, diz-se que, embora se descubra
que
alguns são convidados indignos, todos os
cristãos ungidos estão
figurativamente presentes, e não só alguns deles. (Lucas
14:16-24) Se a
parábola fala de servos que são incumbidos das coisas
valiosas de seu amo, com
as quais devem produzir aumento, mesmo que a “quantidade”
possa variar (de
acordo com a apresentação da parábola),
entende-se, não obstante, que todos os
cristãos ungidos recebem valores com os quais produzir aumentos,
nenhum está
isento. (Lucas 19:11-27; Mateus 25:14-30) Se a parábola fala de
virgens
prudentes que mantêm suas lâmpadas acesas na expectativa da
chegada do amo, a
explicação é que isto indica que todos os
cristãos ungidos devem
permanecer alertas, e manter seu suprimento do
“óleo” do Espírito santo de modo
a continuarem como portadores de luz. (Mateus 25:1-10) Cristo tinha
claramente
a intenção de que suas parábolas fossem tomadas a
peito por cada pessoa e
aplicadas de modo pessoal. Mas quando se trata do “escravo fiel e
discreto”, a
organização Torre de Vigia deixa implicitamente claro que
apenas alguns
da “classe do escravo” podem efetivamente preparar e suprir
o alimento, que
apenas alguns podem de fato administrar os interesses
terrestres do amo.
Houve
no artigo uma breve tentativa de provar que todos os membros
“ungidos” participam realmente do cumprimento da figura do
mordomo fiel e sua
obra de alimentação. Assim é que, na página
26, o referido artigo de A
Sentinela de 1º de setembro de 1981 diz:
Enquanto
os apóstolos fiéis de Jesus ainda estavam vivos na terra,
eles tinham a responsabilidade especial de prover ensino espiritual
à “família de Deus” Os ‘pastores’
designados do “rebanho”, bem como outros, também
tinham responsabilidade similar. Todavia, o apóstolo Pedro
mostrou que ser assim mordomo das verdades divinas fora realmente
confiado a todos os ‘escolhidos’. Portanto, cada
membro respectivo da congregação contribuía algo
para a edificação do corpo. (Efé. 4:11-16; 1 Ped.
1:1, 2; 4:10, 11; 5:1-3) Vemos assim que há uma clara base
bíblica para se dizer que todos os seguidores ungidos de Cristo
Jesus constituem o “servo” de Deus, tendo a Jesus por seu
Amo. Por conseguinte, este servo ou “escravo”, como corpo
coletivo, fornece alimento espiritual a todas as pessoas individuais
dessa congregação, que constituem a família de
“domésticos”. Eles são individualmente
beneficiados com tal alimento. - 1 Cor. 12:12, 19-27; Heb. 3:5, 6;
5:11-14.
É
uma verdade bíblica que todos os cristãos participam em
‘edificar o corpo’ dos crentes em Cristo, como demonstra
este parágrafo. A questão é: Como é que
todos esses dos 8.600 “ungidos” que não fazem
parte da estrutura de autoridade participam no cumprimento da
figura do “escravo fiel” da maneira que se apresenta em
todas as outras publicações da Sociedade Torre de Vigia?
Dizer brevemente que “cada membro respectivo” contribui
“algo para a edificação do corpo” não
resolve a questão. Se todos os “ungidos” fazem parte
da “classe do escravo” e os outros 6.000.000 de Testemunhas
de Jeová não fazem, onde está a diferença
entre a “contribuição” da vasta maioria dos
“ungidos” e a da classe “não-ungida”?
Não dão todas as Testemunhas algum tipo de
“contribuição” para a
“edificação” de toda a sua comunidade -
incluindo a edificação dos “ungidos” que
estão no seu meio? O que é, então, que distingue
a “contribuição” dos
“ungidos” que estão fora da estrutura de autoridade
que faz com que a parábola se cumpra neles, mas não
nas Testemunhas “não-ungidas”?
Como
foi provado, quando se trata da parábola do mordomo fiel e de
ele prover “alimento no tempo apropriado”, a
alimentação está consistentemente relacionada com
a informação recebida através do
“canal” da organização central.
Inegavelmente, na mente das Testemunhas de Jeová este alimento
significa apenas uma coisa: o ensino suprido a partir da Sociedade
Torre de Vigia e por meio de suas publicações, que emanam
de sua sede internacional, um conceito que lhes foi cuidadosamente
inculcado pela organização. Quando as Testemunhas falam
que algo vem do “escravo fiel”, elas querem dizer que
isso se origina e vem da sede mundial
A
que visa, então, o ensino fictício acerca de uma classe
do escravo com poder administrativo em todo o mundo e que supre
alimento espiritual? Ele provê a principal base de apoio à
autoridade da organização, pela qual um pequeno grupo de
homens, cujo número representa apenas um sétimo de um
por cento (0,0014) dos 8.600 “ungidos”, assume o
direito de determinar o que lerão, estudarão, em que
acreditarão e o que praticarão não só os
“ungidos”, mas de fato todas as Testemunhas. Por meio do
destaque dado a uma “classe”, o ensino serve também
para encobrir a verdadeira estrutura de autoridade com o manto do
anonimato, dando-lhe a aparência de grande diversidade de
membros, de procedência global, o que simplesmente não
é verdade. Este conceito fictício habilita a verdadeira
estrutura de autoridade - os cerca de quatorze membros do Corpo
Governante - a pedir a obediência quase total às suas
diretrizes sem que pareçam arrogantes ou que buscam ser
servidos. Se eles, por exemplo, dissessem, “Qualquer pessoa
empregada num tipo de trabalho que nós, os quatorze homens aqui
de Brooklyn, decidimos que é errado, deve largá-lo ou ser
desassociado”, a atenção viria sobre eles e sobre o
tremendo poder que exercem sobre as vidas dos membros individuais da
comunidade mundial das Testemunhas. Por se falar da “classe do
escravo fiel e discreto”, a atenção é
desviada do pequeno grupo que é a verdadeira estrutura de
autoridade. Como “classe do escravo”, essa fonte de
autoridade torna-se um tanto vaga, assume um caráter amorfo e
uma elasticidade que se aplicam a um agrupamento essencialmente sem
rosto, que não é definível nem
identificável em algum sentido real aos olhos do adepto mediano
da organização. O uso eufemístico da
expressão, e surpreendentemente, a própria
crença deles no conceito, também habilitam os membros
do Corpo Governante a publicar declarações que pedem a
submissão quase que total às decisões deles sem se
sentirem perturbados por alguma sensação de
arrogância.
As
alegações multiformes da Torre de Vigia com respeito a
uma “classe do escravo” formada de um corpo coletivo de
“ungidos” mostram ser, uma após outra,
insustentáveis e até fictícias. Que mensagem,
pois, é que nos traz genuinamente a parábola do Amo?
Na
proporção em que cada um recebeu um dom, usai-o em
ministrar uns aos outros como mordomos excelentes da benignidade
imerecida de Deus, expressa de vários modos. -
1 Pedro 4:10.
A
maior
objeção que se faz à constante e pesada
ênfase da Sociedade Torre de Vigia a um
“escravo” organizacional em cumprimento da parábola
de Cristo, é que ela rouba
muito da força da parábola. Perde-se a verdadeira
lição e a parábola só serve a
um objetivo principal, ser escora de apoio ao exercício da
autoridade religiosa
por parte do pequeno grupo de homens que constitui o Corpo Governante.
Em si, nada há de errado em descrever como uma
“classe” os cristãos que cumprem
em suas vidas as coisas que Jesus ensinou na sua parábola do
escravo fiel e
discreto. Uma “classe” pode referir-se a um grande
número de pessoas que têm
características similares, que partilham de qualidades
similares, ou guardam
certos princípios em comum, ou que se empenham num proceder
semelhante de vida.
Isto, porém, não exige que façam parte de algum
grupo ou sistema estruturado ou
se prendam a ele. Eles são dessa “classe” por causa
do que são como pessoas,
não porque pertencem a certa organização
ou estão em sua lista de
membros. O termo é muitas vezes usado, por exemplo, para
referir-se às
pessoas que partilham a mesma condição econômica ou
social (a “classe rica”, ou
a “classe instruída”, ou a “classe dos
desprivilegiados”, e assim por diante)
independentemente de elas serem filiadas a qualquer
organização ou não. Neste
sentido todos os cristãos estão na mesma
“classe”. Todos têm de partilhar
certas características identificadoras, apoiar crenças e
princípios em comum,
seguir um proceder de vida similar, estar sujeitos à mesma
liderança. As
pessoas que manifestam uma mesma qualidade sempre se associam, buscam
umas às
outras motivadas por um ponto de vista ou aspiração
comum, ou em virtude de
padrões mútuos. De modo similar, os cristãos
têm de buscar uns aos outros por
essas razões e por causa do amor mútuo. Mas permanece o
fato de que, por terem
essas qualidades como indivíduos, é que existe
entre eles semelhança e
afinidade, não por serem membros de alguma
organização visível ou
associação institucionalizada. O “corpo de
Cristo”, que é a “classe” à qual
todos os cristãos ungidos pertencem, é um corpo espiritual,
e seus
membros não são identificados por meio da
filiação a uma organização terrestre.
A
organização Torre de Vigia usa o termo
“classe” de modo muito
diferente. Ela põe de lado o sentido normal do termo e lhe
dá o seu próprio
significado especial. Declara que a designação do
“escravo fiel e discreto”
aplica-se a pessoas apenas enquanto parte de uma classe vinculada a
uma
organização, e portanto a designação
não tem e nem pode ter aplicação
individual a qualquer um que não seja filiado a essa
organização visível
específica. Não importa que características,
crenças, qualidades e conduta de
vida cristãs a pessoa manifeste, estas não são
determinantes para identificá-la
como da “classe do escravo”. Estar ligada à
organização Torre de Vigia é um
requisito indispensável. Sem esse, todos os outros fatores
perdem a força que
identifica alguém como sendo da classe do “escravo fiel e
discreto”. Assim a
organização estabelece, não só sua
própria definição de “classe”, mas
também
seus próprios parâmetros para determinar quem pode
qualificar-se para estar
dentro da “classe” e quem fica de fora.
Um
aspecto particularmente prejudicial da forte ênfase a uma
“classe” é que ela influencia as pessoas a pensar em
termos de cumprir o que se
ensina na parábola através da filiação
a um grupo, em vez de se
preocupar em demonstrar pessoalmente as qualidades
cristãs que nela se
colocam, incluindo a fé, a discrição, o senso de
responsabilidade individual, a
vigilância ou qualquer outra das qualidades que as
parábolas de Jesus
freqüentemente destacam. Restringem a aplicação da
parábola a 8.600 pessoas e
negam sua aplicação a milhões de outros membros
como não sendo da classe; este
é o dano causado.
A
organização apresenta, na teoria, um ponto de vista,
enquanto na
prática segue outra norma (em que o Corpo Governante
torna-se, para todos
os efeitos, o “mordomo” encarregado de todos os interesses
terrestres de
Cristo), e isto resulta na distorção do objetivo da
parábola. Em vez de servir
de exortação à modéstia, ao serviço
fiel do Amo e dos conservos, ela é
utilizada principalmente como meio de impor aos membros a
submissão
inquestionável à direção do Corpo
Governante.
Para
ilustrar, numa reunião do Corpo Governante, Grant Suiter citou
um missionário da Torre de Vigia como lhe tendo dito:
“Há um escravo fiel e discreto. Uma vez que descobrimos
quem ele é, daí por diante é simples: apenas
faça o que ele disser. Se estiver errado, ele é
responsável diante de Deus.”[45] Suiter, membro
do Corpo Governante, manifestou evidente aprovação desta
atitude. No entanto, a idéia de que um grupo coletivo, por meio
de sua liderança, pode levar a responsabilidade por aquilo que
fazemos como indivíduos - simplesmente por que seguimos suas
orientações sem questionar - é totalmente falsa e
contrária ao ensino das Escrituras. É a mesma filosofia
que possibilita aos homens cometerem ações
contrárias ao que é verdadeiro e correto, e até
contrário à sua consciência, e depois procurarem
eximir-se da responsabilidade dizendo que seus líderes
políticos, militares ou comerciais lhes disseram que fizessem
assim. As Escrituras são claras quando dizem que quando ficarmos
diante da cadeira de juiz de Deus e Cristo, estaremos de pé como
indivíduos, e como indivíduos
responderemos pelo que tivermos feito.[46]
Quando
este tema geral foi discutido numa reunião do Corpo
Governante, perguntei se era válido insistir em restringir a
aplicação das
parábolas de Jesus a “classes” (do modo que a
organização usa o termo). Se isto
estivesse certo, tal aplicação deveria então ser
coerente, não arbitrária.
Dizemos, então, que há uma “classe das dez
minas” e uma “classe das
cinco minas” quando aplicamos a parábola que se acha em
Lucas 19:12-27? Se
dizemos isso, então quem eram ou quem são elas?
Certamente que essa
identificação tem de ser determinada, não numa
base grupal, mas numa
base individual, e na verdade apenas Cristo poderia proceder a
tal
identificação. O mesmo poderia se afirmar com respeito a
Lucas 12:47, 48, onde
Jesus diz:
Então,
aquele escravo, que entendeu a vontade de seu amo, mas não se
aprontou, nem fez
em harmonia com a sua vontade, será espancado com muitos golpes.
Mas aquele que
não entendeu, e assim fez coisas que merecem golpes, será
espancado com poucos.
Devemos
então dizer que existe uma “classe dos muitos
golpes” e uma “classe dos poucos golpes”? Se
for assim, quem eram ou
quem são estes? Mais uma vez, isto teria de ser determinado,
não na base de um
grupo, mas em base individual, sendo isto discernido e determinado
apenas pelo
Amo, que pode ler os corações humanos e que
“recompensará a cada um
segundo o seu comportamento”. (Mateus 16:27) Certamente
ninguém pode afirmar
que existe, ou existiu, alguma “classe” ou grupo
específico, identificável,
reunido por laços organizacionais, sendo a
filiação a este grupo o meio de
identificar quem faz parte da “classe dos muitos golpes” ou
da “classe dos
poucos golpes”. A Sociedade Torre de Vigia prefere não
usar aqui sua prática
costumeira de fazer a aplicação a uma
“classe”, e todavia, esta parte de Lucas
é a mesma em que este apresenta a parábola do
“escravo fiel e discreto”
que está no capítulo 24 de Mateus. A lógica
certamente exigiria uma aplicação
coerente do termo “classe”.[47]
Eu
trouxe estes pontos à atenção na reunião,
mas não houve reação de nenhum dos membros do
Corpo Governante. Como ocorreu tantas vezes, a conversa simplesmente
foi desviada para outros assuntos.
Inegavelmente,
ao longo das Escrituras o foco é lançado firmemente sobre
o indivíduo e no que
ele faz, e não primariamente no que uma “classe”
faz. Há um apelo constante
para que apliquemos os ensinos de Cristo a nós mesmos, de modo
pessoal.
A carreira cristã, afinal de contas, começa com o ato
pessoal, individual, de
depositar fé no sacrifício resgatador de Cristo e com a
entrega pessoal,
individual, de si próprio ao serviço de Deus mediante
Cristo. Alcançamos a fé
numa base pessoal, não numa base grupal. Como é
possível que, mais tarde, algo
altere esta relação pessoal, convertendo-a em algo
baseado numa organização,
validado e governado por ela, em resultado de ser membro de uma
“classe”, no
sentido que a Torre de Vigia usa o termo?
Diz-se
repetidamente que o julgamento de Deus e Cristo, e a
conseqüente recompensa, não ocorrem com base na
associação com alguma “classe”
ou num julgamento em grupo, mas numa base estritamente individual. Na Tradução
do Novo Mundo, da Sociedade, lemos:
E
ele dará
a cada um segundo as suas obras: vida eterna aos que
estão buscando
glória, e honra e incorruptibilidade, pela perseverança
na obra que é boa.
Porque
nós
ficaremos postados diante da cadeira de juiz de Deus; pois está
escrito: “Por
minha vida”, diz Jeová, “todo joelho se
dobrará diante de mim e toda língua
reconhecerá abertamente a Deus”. Assim, pois, cada um
de nós prestará
contas de si mesmo a Deus.
Todas
as congregações saberão que sou eu quem pesquisa
os rins e os corações, e eu vos darei individualmente
segundo as vossas ações.[48]
É
verdade
que as parábolas de Jesus devem ser aplicadas à igreja ou
congregação dele em
sua inteireza, e os princípios que elas defendem devem ser
verazes para todos
aqueles que genuinamente fazem parte desse “corpo de
Cristo”. Mas opor-se à
aplicação dessa parábola a indivíduos e
argumentar contra isso como algo que
não merece consideração é argumentar contra
o que dizem as próprias Escrituras.
Elas mostram que, como cristãos, cada um de nós deve
esforçar-se para
mostrar ser um mordomo fiel do Amo. Isto é bem claro na
própria parábola do
“escravo fiel e discreto”.
O
relato de Mateus, o mais citado pela Sociedade Torre de Vigia, é
paralelo ao que se acha no capítulo 12 de Lucas. Este dá
uma designação mais
específica ao “escravo”. Um “escravo”
(em grego, doulos) pode ser
qualquer tipo de servo. O relato de Lucas identifica o escravo como
“mordomo”
(em grego, oikonomos). Este fator ajuda a lançar luz
sobre o sentido e a
aplicação da parábola de Jesus devido a outro
ensino bíblico relativo à
mordomia dos cristãos.
Na
realidade, segundo o contexto, a pergunta inicial de Jesus,
“Quem é realmente o escravo fiel e discreto”,
é apresentada primariamente, não
com o objetivo de identificar alguma pessoa ou grupo, mas de
introduzir
uma lição moral centrada na conduta e
no proceder que
demonstram que alguém é um mordomo fiel e prudente do
Amo. Veja as palavras
dele em Lucas 12:42:
Quem
é,
pois, o
mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus
conservos para
dar-lhes o sustento a seu tempo? (Almeida Revista e Atualizada)
.Portanto,
Jesus estava essencialmente dizendo: ‘Quem dentre vós
discípulos mostrará ser
este mordomo fiel e discreto?’[49] A resposta dependeria
daquilo que cada
um fizesse, não daquilo a que ele pertencia ou de que
fazia parte.
Adicionalmente,
o relato de Lucas dá seqüência imediata a esta
parábola com as palavras de Jesus sobre o escravo que entende
mas não faz, e
por isso recebe muitos golpes, e o que não entende, e portanto
não faz, e por
isso recebe poucos golpes. Jesus conclui com esta
aplicação da lição:
Deveras,
de
todo aquele a quem muito foi dado, muito se reclamará dele;
e a quem
encarregaram de muito, deste reclamarão mais do que o usual.[50]
Em
vez de falar de um grupo ou “classe”, a
aplicação primária feita
pelo próprio Cristo é ao cristão individual,
ao que ele faz qual indivíduo
e ao que ele próprio demonstra ser.
Tampouco
é esta a única indicação. De modo similar,
os apóstolos
inspirados de Jesus trataram da mordomia fiel em seus escritos. Seria
de
esperar que ao fazê-lo eles refletissem o próprio ensino
de Jesus acerca do
assunto. É notável que a consideração feita
por eles ocorre consistentemente no
nível pessoal e com uma aplicação pessoal. Em sua
primeira carta à congregação
de Corinto, o apóstolo Paulo escreve acerca do serviço
prestado por ele e seus
companheiros, dizendo:
Avalie-nos
o homem como sendo subordinados de Cristo e mordomos dos segredos
sagrados de
Deus. Além disso, neste caso, o que se procura nos mordomos
é que o homem seja
achado fiel.[51]
O
princípio idêntico visto na parábola de Jesus
conforme
registrado por Lucas, pelo qual alguém mostra ser um mordomo
fiel do
Senhor, está aqui declarado. Paulo prosseguiu mostrando que isto
não era algo a
respeito do qual os humanos pudessem decidir ou julgar; eles não
tinham
capacidade de fazer uma identificação definitiva,
determinante e válida, de
quem era ou não era um “mordomo fiel”. Paulo mostra
então quem podia fazê-lo e
o faria, quando e em que base, dizendo:
Ora,
para
mim é um assunto muito trivial o de eu ser examinado por
vós ou por um tribunal
humano. Até mesmo eu não me examino a mim mesmo. Pois
não estou cônscio de nada
contra mim mesmo. Contudo, não é por isso que eu seja
mostrado justo, mas quem
me examina é Jeová. Por isso, não julgueis nada
antes do tempo devido, até
que venha o Senhor, que tanto trará da escuridão para
a luz as coisas
secretas, como tornará manifestos os conselhos dos
corações, e então cada um
terá o seu louvor da parte de Deus.[52]
Mais
uma vez, a referência é ao indivíduo, a “cada
um”. Quando
rejeita a aplicação do cumprimento da parábola a
indivíduos (não vinculados a
uma organização), o argumento principal da Torre de Vigia
é de que pessoa
alguma poderia viver por 1900 anos e assim estar viva até a
volta do Amo.[53]
Não
dá margem ao fato de que um princípio pode estar
em
vigor por 1900 anos e pode aplicar-se uniformemente a todos os
indivíduos
cujo período de vida transcorra dentro desse período.
Parece também esquecer
que as pessoas podem ser ressuscitadas e depois julgadas e
recompensadas
(juntamente com os que já viviam) com base no que fizeram
durante seu período
de vida até a morte.[54]
Paulo
não viveu 1900 anos e tampouco algum de seus associados e
colaboradores. No entanto, se eles individualmente se mostrassem
mordomos fiéis
de Cristo até a morte, este os recompensaria por ocasião
de sua vinda. Onde é
que isso diverge do que Jesus apresenta em sua parábola?
Além disso, Paulo não
fala de “classe” alguma, limitando-se, em vez disso, ao seu
próprio caso e
proceder pessoal como “mordomo” e ao que “cada
um” faria e receberia. A
explicação da Sentinela faz parecer que o Amo,
por ocasião de sua vinda,
inspeciona o registro apenas de um “restante” da
“classe do mordomo” então
vivendo na terra, aprovando e promovendo a estes para “cuidar
de
todos os seus interesses terrestres”. As palavras de Paulo
mostram que não é
assim, e que o Amo, ao vir, profere seu julgamento e dá sua
recompensa a todos
os seus servos, todos os que serviram como “mordomos”,
sejam os que viverem
nessa ocasião ou os que morreram no passado.[55]
As
palavras do apóstolo são também contra empenhar-se
em auto-autenticação, auto-aprovação e
autopromoção, realizadas de modo a criar e manter uma
base de poder, e contra alguém se elevar - por elevar o grupo
religioso específico do qual faz parte - sobre os outros que
buscam demonstrar sua fé como cristãos. Tudo o que
qualquer um de nós pode corretamente afirmar é que, como
Paulo, estamos nos esforçando para ser mordomos
fiéis, e que o nosso verdadeiro julgamento nesta questão
está nas mãos de Deus e de Cristo, e este só
será revelado no dia em que eles tornarem conhecido esse
julgamento.
O
mesmo apóstolo, escrevendo a Tito em Creta, deu conselho
relativo aos anciãos, dizendo entre outras coisas:
Porque
o
superintendente tem de estar livre de acusação como
mordomo de Deus, não
obstinado, não irascível, não brigão
bêbedo, não espancador, não ávido de ganho
desonesto.[56]
Cada
ancião devia individualmente estar à altura
dessas
qualificações para ser “mordomo” de Deus. A
avaliação destes homens seria
logicamente feita nessa base, não por serem membros de alguma
“classe do
escravo” ou de algum grupo distintamente organizado. Qualquer
varão cristão
individual que agisse como o mordomo violento, arrogante, bêbedo,
do final da
parábola de Jesus seria inadequado, rejeitado. Caberia a cada um
pessoalmente
mostrar o que era. Ele tinha também de apegar-se
“firmemente à palavra fiel com
respeito à sua arte de ensino”, o que implica a sua
própria fidelidade como
mordomo em aderir à Palavra de Deus, bem como a
discrição do seu ensino.[57]
Encontramos, mais uma vez, um paralelo preciso com os elementos do
mordomo fiel
e discreto e do mordomo iníquo, bêbedo. No entanto, a
aplicação faz-se
claramente em base individual.
Ao
passo que Paulo faz a aplicação individual a si
próprio e a seus trabalhadores associados e aos anciãos
individuais, que dizer dos demais cristãos, todos os outros que
formam o que Paulo chama de “família de Deus”?[58] Podem todos eles ser
“mordomos”? E podem sê-lo em base individual ou
têm de ser membros de uma “classe” do mordomo
orientada como organização? O que dizer de todas as mulheres
que fazem igualmente parte dessa família - têm elas uma
mordomia? E se todos são mordomos, como podem existir quaisquer
“domésticos” a quem ministrar como mordomos? O que
dizem as próprias Escrituras?
O
apóstolo Pedro faz esta relevante afirmação em sua
primeira
carta, conforme registrado no capítulo 4, versículos 10 e
11:
Na
proporção em que cada um recebeu um dom, usai-o
em ministrar uns aos
outros como mordomos excelentes da benignidade imerecida de Deus
expressa
de vários modos. Se alguém falar, fale
como que as proclamações
sagradas de Deus; se alguém ministrar, ministre ele como
dependente da força
que Deus fornece; para quê, em todas as coisas, Deus seja
glorificado por
intermédio de Jesus Cristo.
Pedro
não está falando aqui, com certeza, em termos de algum
conglomerado, um mordomo “composto”, e sim pondo
ênfase nos indivíduos e na
mordomia pessoal deles. Deixa claro que cada cristão recebe
de Deus
algum dom particular, o qual pode usar em prestar serviço aos
conservos da
família de Deus. Isto ocorre porque a graça ou
benignidade imerecida de Deus é
expressa “de vários modos”, tal como destacam outros
textos.[59]
Tampouco têm todos o mesmo dom. Desta forma, qualquer que seja
este, podem
usá-lo para o benefício de outros, os quais, por sua vez,
usarão aquele que eles
têm para o bem de outros, inclusive os que os beneficiam.
Fazendo assim,
não se tornam auto-importantes, arrogantes, como que dominando
sobre os outros.
Fiel e discretamente usam sua concessão divina de benignidade
imerecida para a
honra de Deus, na dependência Dele, falando não de suas
próprias teorias ou de
dogmas organizacionais, mas das “proclamações
sagradas de Deus”, Sua Palavra
não adulterada.
A
declaração de Pedro está certamente em perfeito
paralelo com a
parábola de Jesus sobre o escravo ou mordomo que ministra
fielmente aos
conservos da família de seu amo. Ressalta também,
claramente, a
responsabilidade pessoal de cada cristão e sua
obrigação pessoal para com Deus
e Cristo de demonstrar fidelidade e discrição ao usar em
favor dos conservos
quaisquer dons úteis que tenha recebido. Ao longo dos
últimos dezenove séculos
existiram com certeza muitos homens e mulheres que foram
individualmente
mordomos fiéis e discretos de seus dons cristãos e que
serão achados aprovados
pelo Amo quando de sua chegada, ainda que necessitando de uma
ressurreição
pessoal (não de “ressurreição em
classe”) dos mortos para receber seu prêmio.
Não há nada, a mínima evidência sequer, que
prove que tais pessoas dos séculos
passados fizeram isso como que num amálgama, sendo todos
ajuntados pelos laços
de uma organização ou “classe”. Embora
semelhantes ao trigo encontrado entre o
joio, sempre vigorou o princípio afirmado em 2 Timóteo
2:19, a saber, “Jeová
conhece os que lhe pertencem”.
Muito
do equívoco é fruto dos significados arbitrários
atrelados à
alimentação “simbólica” realizada pelo
mordomo e à sua “designação sobre todos
os bens do amo”. Nas publicações da Torre de Vigia
apresenta-se a “alimentação”
como a produção de literatura feita por meio de uma
agência editora. É
altamente improvável que Jesus usasse qualquer
ação figurativa para representar
esta atividade. Por prover aos conservos porções
regulares de alimento, o
mordomo estaria cuidando das necessidades deles. Em nossa vida
espiritual podemos ser “alimentados” de muitíssimos
modos. Nossa fé não é
alimentada apenas por palavras, mas pelo exemplo, pela bondade e pelo
interesse
pessoal demonstrados, pelo encorajamento dado, pelas
ações de amor. Todas estas
coisas nos alimentam, edificam-nos para mais servir ao nosso Amo. As
palavras
de Pedro, já citadas, comprovam isto, mostrando que todos
nós temos de ser
mordomos da benignidade imerecida de Deus, “expressa de
vários modos”. A “graça
de Deus em suas variadas formas” (New English Bible) que
cada um tem o
privilégio de distribuir, com certeza não se limita
apenas a fornecer certo
tipo de informação publicada. Ela abrange toda a
variedade da benignidade e dos
dons de Deus.
O
mesmo se dá com o prêmio concedido ao mordomo
fiel. Que base há para se afirmar que os cristãos na
terra têm de ser promovidos para formar uma espécie de
corpo administrativo ou subgerente composto (um administrador
substituto) com autoridade sobre todos os interesses de Cristo no
planeta? Em seu todo, as Escrituras dão testemunho do fato de
que é só no julgamento final que se dá a
recompensa final, e não antes. Esse julgamento final ainda
virá. Se não fosse assim, deveríamos crer
então que certos dos servos do Amo estariam neste exato momento
exercendo um poder comparável ao da autoridade “sobre dez
cidades” ou “sobre cinco cidades” em cumprimento
à parábola das minas.[60] Esta parábola segue
o mesmíssimo padrão ou fórmula da
parábola do escravo fiel e discreto - um amo parte em viagem,
deixando um servo ou servos com designações
específicas, e daí, ao retornar, avalia a fidelidade
deles no desempenho de suas atribuições e os recompensa
concordemente. É razoável que ambas as parábolas
se correspondam na parte do que ocorre quando o homem retorna.
No entanto, a organização Torre de Vigia explica a
parábola das minas de modo completamente diferente do da
parábola do escravo fiel e discreto. Na explicação
da parábola do mordomo fiel, o Amo, Cristo, volta em 1914 e em
1919 aprova o mordomo e o recompensa promovendo-o a uma
autoridade sobre todos os bens. Em contraste, quando explica a
parábola das minas, A Sentinela de 1º de julho de
1974 (página 399), declara que - ao contrário do que o
próprio Jesus apresenta na parábola - em sua volta (em
1914) o Amo não recompensa seus servos fiéis dando-lhes
‘domínio’ sobre 5 e 10 cidades, mas em vez disso,
cinco anos depois, passa a dar-lhes uma prorrogação de
tempo para que façam negócios com os talentos dele! A
Sentinela nos informa que “o que aconteceu era como que uma nova
consignação das simbólicas minas de prata, no
ano 1919 aos do restante ungido das testemunhas cristãs de
Jeová” e que eles puseram-se “novamente a fazer
negócios ou a negociar com as simbólicas minas de prata, recém-recebidas
do Senhor Jesus Cristo, então revestido de poder régio.”
O livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos (páginas
Quando
trata da parábola das minas, A Sentinela não faz
esforço algum de apontar a data em que o Amo confere a
recompensa como sendo em
1919 ou qualquer outra época desde então; o mesmo se
dá em Aproximou-se o
Reino de Deus de Mil Anos e sua explicação da
parábola relacionada dos
talentos. Em ambos os casos eles reconhecem que o prêmio é
conferido no
julgamento final, quando os cristãos fiéis
reinarão “com Cristo acima”, com
aqueles que tiverem morrido sendo ressuscitados e os que então
viverem passando
por uma “transformação instantânea de
corrupção para incorrupção”.[62]
Que justificativa pode haver para a aplicação
arbitrária e desigual com
respeito à recompensa que se dá na parábola do
mordomo discreto em comparação
com a parábola das minas e a dos talentos?
Nas
parábolas do mordomo fiel e na das minas, o prêmio sem
dúvida se refere à mesma coisa. Na primeira, o homem
é proprietário de uma casa e seus pertences; na outra o
homem controla certo número de cidades (evidentemente 15) Em
cada caso, o homem recompensa a fidelidade em seu serviço com a
concessão de autoridade sobre seus domínios. Há
toda razão para crer que isto simplesmente traduz em forma
alegórica a promessa de Jesus de que, “Ao vencedor darei o
direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também
venci e sentei-me com meu Pai em seu trono.”[63] Por sua fidelidade é
que estes juntam-se ao Amo em seu trono celestial como co-herdeiros com
ele no reino de seu Pai.[64]
E
quanto
ao simbolismo do outro escravo encontrado na mesma parábola, o
qual, em vez de
provar-se fiel e discreto, mostra-se infiel? O relato reza:
Mas,
se é
que aquele escravo mau disser no seu coração, “Meu
amo demora,” e principiar a
espancar os seus co-escravos, e a comer e a beber com os
beberrões inveterados,
o amo daquele escravo virá num dia em que não espera e
numa hora que não sabe,
e o punirá com a maior severidade e lhe determinará a sua
parte como os
hipócritas.[65]
A
organização Torre de Vigia tem aplicado isto a qualquer
de seus
adeptos que não aceite totalmente os ensinos dela, inclusive as
profecias de
data sobre 1914.[66] Estes, dizem eles, acham
que a vinda do
Amo está “demorando”. Se estas pessoas questionam a
validade bíblica de
qualquer interpretação publicada, expressam qualquer
opinião diferente do que a
organização estiver ensinando no momento, ou questionam a
criação duma
estrutura de autoridade que atribui a si própria o direito de
formular à
vontade um leque de normas e regulamentos que não se encontram
nas Escrituras,
isto é classificado pela Torre de Vigia como
“espancar” os seus conservos.
Embora
talvez pareça plausível a alguns, este é mais um
caso em
que se fazem as Escrituras concordarem com a organização
em vez de deixar que
elas falem por si próprias. Cristo Jesus, o Amo da
família cristã, enfatizou
repetidamente que sua volta seria imprevisível, inesperada, sem
aviso, não
dando meios, portanto, para predizer um retorno iminente, nada que de
antemão
alerte seus servos a preparar-se para a chegada dele. Por isso é
que eles
precisariam estar em constante vigília, quer vivessem no
primeiro século, no
sétimo, no treze ou no vinte. Essa vigilância, contudo, não
depende de
se crer em alguma data ou da urgência criada a partir de um
esquema
estabelecido de datas, dentro de cujos limites o fim possa ser
aguardado com
certeza. Os cristãos do passado ficaram alertas, vigilantes, na
expectativa,
sem quaisquer cronogramas fixados e interpretados por homens, e os
cristãos de
hoje podem fazer o mesmo.[67]
Devemos
nos perguntar: Dos dois escravos descritos na parábola, qual
deles indica que tinha alguma idéia pré-concebida
duma certa época em que o
amo deveria chegar? Não era o escravo fiel, mas o escravo
mau.
Este último não podia ter achado que o amo estava
‘demorando’ a menos que o
aguardasse dentro de certo período de tempo. O escravo fiel
não é
representado como tendo alguma idéia em particular de quanto
tempo o amo
ficaria ausente. Ele parece simplesmente estar servindo de modo fiel
sem tentar
fazer estimativas ou estabelecer limites quanto à
duração do período de
ausência. Isto é bastante diferente duma
organização que declara como um fato
absoluto que a chegada ocorrerá e tem de ocorrer dentro
do período de
vida de pessoas que nasceram antes ou dentro de certa data.
É
verdade que, como muitas outras religiões, a
organização Torre
de Vigia fala continuamente de sua confiança na iminência
da volta do Amo. Mas
vale a pena notar que não é com a boca que o
escravo infiel acha que a
vinda do seu Senhor demora; é “no seu
coração”. Sua opinião de que a vinda
‘demora’ certamente não se expressa por ele
discordar abertamente daquilo que
algum outro servo afirma ser o cronograma correto para a
ocorrência da vinda
(como faz a organização Torre de Vigia). Não
são as palavras do escravo,
necessariamente, que demonstram que ele está intimamente achando
que a volta
‘demora’. É o que ele faz e o modo
como faz que revelam isso.
Segundo
a parábola, este escravo começa a agir como se fosse ele
que mandasse na casa, como se ele próprio fosse o amo. Sua
designação era
simplesmente de prover alimento, fazendo-o pontualmente nas horas
indicadas;
mas ele passa então a tomar para si próprio o direito de
castigar os conservos.
Isto é muito diferente do caso dum servo que pede alívio
dos abusos de
autoridade por parte de quem se afirma superior, como é a
situação de muitos
que fazem objeção a que uma organização
lhes imponha suas próprias normas, como
se fossem inferiores, uma organização que lhes pede e
até exige que acatem sua
palavra como se fosse do Senhor.
Com
certeza há pessoas que, ao deixarem a organização
Torre de Vigia, empenham-se em falar dela de modo rude e abusivo, e
que, com ataques verbais igualmente rudes falam dos homens que a
dirigem. Como exemplificam as cartas citadas no
“Prefácio” deste livro e em outras partes, há
muitas outras que rejeitam tal prática - e espero que estas
sejam a maioria. Por outro lado, deve ficar claro que simplesmente
expressar para outras pessoas uma objeção honesta e
conscienciosa aos decretos e ações duma
organização não constitui de modo algum um
“espancamento” de tais encarregados. Se fosse assim, os
apóstolos teriam “espancado” o Sinédrio
quando expuseram publicamente os fatos. E na atualidade a Sociedade
Torre de Vigia seria culpada de “espancar” os governantes e
as autoridades quando tornaram públicos o tratamento injusto por
parte deles e protestaram pelas ações ditatoriais contra
as Testemunhas de Jeová em seus domínios, ou quando
prestaram depoimento destes fatos perante os tribunais, como têm
feito em numerosas ocasiões.
No
caso da parábola, está claro que alguém
“denunciou” o escravo
arrogante, pois o amo soube o que havia ocorrido durante sua
ausência. Não é,
portanto, “espancar” um conservo se outro dos servos do amo
traz à atenção a
conduta infiel daquele servo em particular, dando testemunho de suas
ações
erradas ao lidar com os demais servos da casa. Ao invés, se
feito com a
motivação correta, isso reflete preocupação
com o bem-estar dos outros,
representa um esforço justo e apropriado visando à
reparação do erro, a
correção duma situação injusta.
O
“espancamento” da parábola é muito diferente
disto. É o caso de
alguém que tem, ou considera a si próprio como
tendo, uma posição
superior e que a usa para dominar os outros quais inferiores. Age como
se
pudesse fazê-lo impunemente, como se para ele não houvesse
um “dia de ajuste de
contas”, pela atitude dominadora, de superioridade, demonstrada
para com
outros, aos quais ele devia supostamente servir, humilde e fielmente.
Age como
se qualquer coisa que fizer, ainda que errada (até servir
alimento adulterado),
será desculpada ou ignorada pelo amo. Esta pessoa, com tal
mentalidade e
espírito, parece achar que ninguém jamais lhe deve
queixar-se, e que qualquer
um que o faça deve ser tratado como alguém que mostra
desrespeito por sua
autoridade constituída, tornando-se, desta forma,
passível de punição,
merecedor de ser espancado. Creio que a reflexão e a
meditação neste respeito
nos convencerá de que existem hoje muitos exemplos disso, e em
muitas
religiões.
Fala-se
que o escravo infiel come e bebe com os beberrões. Na
Bíblia, a bebedice é muitas vezes usada de modo
figurativo, além da embriaguez
literal. Alguns homens são literalmente “brigões
bêbedos”. (1 Timóteo 3:3) Mas
alguém pode estar figurativamente “bêbado” de
vários modos. O profeta Isaías
retrata como figurativos ‘bêbedos’ os líderes
religiosos do antigo Israel,
homens a quem descreveu como “fanfarrões”,
autoconfiantes, que tiranizavam os
outros, mas que se sentiam seguros, imunes a qualquer julgamento
adverso da
parte de Deus.[68]
Portanto,
alguém pode ficar “embriagado” pelo poder, pela
auto-importância. Além da embriaguez literal, o escravo
infiel mostrava-se
inebriado com sua própria autoridade de tratar de modo dominador
aqueles a quem
supostamente servia. Esta é uma falha comum nos que
alcançam posições de
autoridade e poder. É um laço que só pode ser
evitado pelo esforço constante,
consciente. Isto acontece com os indivíduos. Também
acontece com as
organizações.
Como
demonstramos, o problema, no seu todo, não está tanto na
insistência da organização Torre de Vigia em
restringir toda a aplicação da parábola a uma
“classe”. Está principalmente na maneira como a
parábola é usada - para assegurar o controle duma
estrutura de autoridade, como meio de intimidação,
suprimindo qualquer objeção de consciência aos
ditames e declarações vindos de um grupo de elite, bem
como para revestir esses ditames e declarações de uma
força divina, quer estejam em harmonia com as reais
afirmações bíblicas quer não. Usar a
parábola desta forma é violar seu tema básico, que
é servir, com consideração, humildade,
responsabilidade e fidelidade, às necessidades dos outros como
conservos do Amo.
A
parábola deveria induzir a um sério e escrutinador
auto-exame.
Qualquer postura de autoconfiança, qualquer atitude
autoritária ou que exiba a
posição superior de alguém, qualquer
inclinação para tomar ação punitiva contra
os que não se submetem à vontade ou opinião de
alguém, é, com certeza, uma
evidência de achar, no próprio coração, que
o dia de ajuste de contas está
“demorando”. Há muito, no primeiro século,
Diótrefes mostrou tal atitude pelas
suas ações, dominando sobre outros na
congregação, expulsando aqueles que ele
via como ameaça à sua autoridade.[69]
Através
dos séculos, muitos indivíduos, líderes e
organizações
religiosas deram exemplo deste padrão, insistindo para que as
pessoas se
alinhassem com seus conceitos e dogmas ou então enfrentassem
acusações de
insubordinação espiritual, independência
voluntariosa e egoísta, deslealdade a
Deus e a Cristo, destarte precisando serem ‘jogadas fora da
família’ de Deus.
Seguir o proceder deles atualmente é, com efeito,
associar-se com tais
homens, ‘comendo e bebendo com os beberrões’,
aqueles que, como os
“bêbedos” religiosos do antigo Israel, estão
inebriados com sua própria
importância.
Em
contraste, outros, embora injustamente acusados e lançados
fora, embora espalhados e limitados nas suas associações
a alguns poucos
companheiros, podem ter, não obstante, ‘mantido seu
lugar’, por nunca perder de
vista sua relação pessoal com seu Amo e a
responsabilidade para com ele.[70]
Dentro de qualquer esfera de influência que Deus lhes conceda,
ainda que
pequena, eles entendem corretamente sua “mordomia”,
não como uma base de poder
ou meio de intimidar outros, mas como oportunidade e dever de servir
aos outros
no espírito de seu compassivo Amo. Este, no seu devido tempo, e
na base de
pessoa por pessoa, promete tornar evidente quem entendeu e aplicou
corretamente
a lição de sua parábola e quem não o fez.
[1]
Veja o capítulo 4 deste livro; veja também a
documentação referente a este assunto no apêndice
ao capítulo 4 de Crise de
Consciência.
[2]
2 Coríntios 1:21, 22; 1 João 2:20; confira
Romanos 8:8, 9, 12-14.
[3]
A Sentinela, 1° de janeiro de 2001,
página 21 (número após “Participantes da
Comemoração no Mundo Inteiro”).
[4]
A Sentinela de 15 de junho de 1984,
páginas 19 e 20, afirma que, desde Pentecostes, por meio de uma
“classe do
‘mordomo fiel’, um corpo coletivo”, Cristo cuida de
que todos recebam “o mesmo
alimento espiritual”.
[5]
A Sentinela, 1° de setembro de 1981,
página 26.
[6]
Veja A Sentinela, 1° de fevereiro de
1981, páginas 24-28; 1° de fevereiro de 1982, páginas
12-16. Uma publicação
mais antiga, Auxílio Teocrático aos Publicadores do
Reino (em inglês),
página 307, chegou ao ponto de dizer sobre os valdenses:
“É bem evidente que os
primitivos valdenses eram fiéis Testemunhas de
Jeová” — servindo aparentemente
de evidência o fato de que eles se opunham a ensinos da Igreja
Católica tais
como os dos santos, purgatório, missas, tradição,
supremacia papal, perdões e
indulgências papais e o celibato dos sacerdotes. No entanto, essa
oposição
existe em quase todas as religiões protestantes.
[7]
A Sentinela de 15 de novembro de 1987,
páginas 21-23, fala sobre os anabatistas, enfatizando as
semelhanças e
minimizando ou ignorando as principais diferenças entre eles e
as Testemunhas.
[8]
Veja o livro Testemunhas de Jeová —
Proclamadores do Reino de Deus, página 44, e A Fé
em Marcha (em
inglês), páginas 19 e 20.
[9]
O movimento do Segundo Advento não chegou a
formar uma organização unificada, mas era essencialmente
um movimento
fragmentado com vínculos apenas tênues entre os diferentes
grupos. Muitas
fontes publicavam informações em revistas diferentes,
não relacionadas.
[10]
Testemunhas de Jeová — Proclamadores do
Reino de Deus, página 44; A Fé em Marcha (em
inglês), páginas 19,
20. Embora possa ser verdade que os segundo-adventistas não
tenham ajudado
Russell em nenhuma verdade específica, eles certamente
o proveram com
vários dos conceitos deles, inclusive o de 1914. Além do
mais, havia outras
revistas publicadas pelos segundo-adventistas, tais como o Bible
Examiner
de Storrs, ou o Arauto da Aurora de Barbour, que eram muito
semelhantes
em conteúdo à Torre de Vigia de Sião de
Russell.
[11]
A Sentinela, 1° de junho de 1968,
página 327, parágrafo 9.
[12]
Na Sentinela de 15 de abril de 1904,
Russell argumenta detalhadamente contra a idéia de um
“mordomo composto” ou
“classe” e a favor de que um indivíduo em particular
fosse o “servo fiel e
prudente”.
[13]
Um exame do contexto mostra que o texto não
tem realmente tal aplicação, mas refere-se ao proceder
de vida do justo,
sua vereda de conduta piedosa, em contraste com o “caminho
dos iníquos”.
Veja os versículos 14-17, 19.
[14]
Crise de Consciência, capítulo 8.
[15]
O Mistério Consumado, edição de 1918,
páginas 258, 485, 542. Quando se publicou a edição
de 1924 deste livro, as
datas que se acham nestas citações foram eliminadas quase
que sem exceção.
[16]
Veja por exemplo como vertem estas passagens
a Bíblia de Jerusalém, a Bíblia na
Linguagem de Hoje (notas de
rodapé), e a Almeida Revista e Atualizada.
[17]
Os escritores do livro, C. J. Woodworth e G.
H. Fisher, foram selecionados pelo presidente da Torre de Vigia e dois
outros
membros da diretoria, e desta forma, pela parte administrativa da
classe do
“escravo discreto”.
[18]
Veja, por exemplo, Testemunhas de Jeová - Proclamadores do
Reino de Deus, páginas 67, 69, 719.
[19]
Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus, páginas
67, 68. Quatro dos sete diretores não haviam sido consultados
acerca do projeto, e foram efetivamente demitidos naquele dia, antes do
lançamento.
[20]
As Testemunhas de Jeová no Propósito
Divino (em inglês), páginas 78, 91.
[21]
Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus,
páginas 650-653.
[22]
As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino (em
inglês), páginas 79-84; Revelação - Seu
Grandioso Clímax Está Próximo!, páginas
167-169. Este último livro fala sobre as “duas
testemunhas” serem silenciadas por meio da morte: “A
imprensa juntou-se aos clérigos em vilificar o povo de Deus, um
jornal dizendo: ‘Consumou-se O Mistério Consumado.’
No entanto, nada podia estar mais longe da verdade!”
[23]
Veja também Anuário das Testemunhas de Jeová
de 1976, página 119 e Testemunhas de Jeová -
Proclamadores do Reino de Deus, página 652. Estas
páginas contêm um comentário sobre
Revelação 16: 3, relacionado com os “três
espíritos impuros que saem da boca do dragão, da fera e
do falso profeta”. O “dragão” era
Satanás, a “fera” era o “sistema papal”,
o “falso profeta”, as “seitas protestantes” (a
“imagem” da “fera papal”). A maioria das
páginas eram dedicadas a citações com fortes
condenações aos sistemas militares do mundo e às
guerras em geral.
[24]
As Testemunhas de Jeová no Propósito
Divino (em inglês), páginas 98 e 100. Na
página 110 esta publicação
refere-se ao período dessa campanha (
[25]
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976,
página 127; A Sentinela, 1º de maio de 1980,
página 26; 1º de janeiro de
1984, página 18.
[26]
Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão
(1923), página 110. Veja Crise de Consciência,
capítulo 8 para uma
documentação mais detalhada desta
publicação.
[27]
A cruz também é vista como um símbolo
pagão,
acreditando-se que Jesus foi pregado numa estaca em pé sem barra
alguma a
cruzá-la.
[28]
A essência destes mesmos pontos é apresentada
no número de A Sentinela de 1º de maio de 1989,
páginas 3 e 4.
[29]
Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos,
páginas 354, 356.
[30]
Isto persistiu até o final dos anos 20; veja Crise
de Consciência, capítulo 8, para
documentação das publicações da Torre de
Vigia.
[31]
A explicação da Torre de Vigia é de que,
não
obstante isso, houve progresso, já que os membros não
haviam entendido antes
que sua sujeição aos “poderes superiores”
devia ser apenas relativa. Isto
simplesmente não é verdade. As publicações
anteriores a 1919 mostram claramente
que eles compreendiam isto. Veja o capítulo 13, subtítulo
“As autoridades
superiores”.
[32]
Veja Crise de Consciência, capítulo 4.
[33]
Despertai!, 22 de setembro de
1987, página 19, rodapé; Crise de Consciência,
capítulo 7, nota 1. Em
vista da campanha mundial promovida em torno de 1925, ele não
só fez “papel de
tolo”, mas atraiu o descrédito mundial sobre o corpo
inteiro dos adeptos da
Torre de Vigia.
[34]
O livro de 1983, Unidos na Adoração do
Único Deus Verdadeiro, página 120, diz a respeito das
pessoas que entram na
organização: “Estes também precisariam de
alimento espiritual, o qual lhes
seria servido pelo “escravo” composto, os servos de Cristo,
ungidos com o
espírito. Para agradarmos a Jeová, temos de aceitar a
instrução que ele provê
por meio deste canal e agir em plena harmonia com ela.” De modo
similar, o
livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, página
344, ao falar da
entrada dos crentes gentios na primitiva congregação
cristã, diz: “Depois de
estes se tornarem ‘domésticos’ espirituais,
também tinham de participar na obra
de alimentação.”
[35]
Foi só em 1945, quando tinha 23 anos, que
passei a crer que a esperança celestial apresentada nas
Escrituras se aplicava
a mim.
[36]
Embora sendo, quanto ao número de anos de
trabalho que tinha ali, um “membro antigo” do Departamento
de Redação, Klein
jamais foi designado para elaborar qualquer matéria tida como de
especial
importância. Isto não se devia a algum preconceito contra
ele, mas porque sua
escrita muitas vezes demonstrava certa instabilidade de
argumentação, lógica e
discernimento.
[37]
Em quase todos os casos, o artigo vinha
porque o presidente Knorr tinha enviado uma designação
para a pessoa
escrevê-lo.
[38]
Nos anos recentes a equipe da redação chegou
a ter 20 pessoas ou mais, a grande maioria professando ser das
“outras
ovelhas”.
[39]
Confira Ageu 2:11, 12.
[40]
Geralmente só se tinha conhecimento disso se
a pessoa que escrevia mencionasse especificamente ser dos
“ungidos”.
[41]
As listas dos meus arquivos dos anos 70
contêm os nomes de apenas cerca de 200 dos mais ou menos 10.000
“ungidos” que
viviam naquela época, sendo que todos os alistados eram membros
da sociedade
civil ou trabalhavam nos escritórios de filial ou como viajantes.
[42]
Veja, por exemplo, A Sentinela de 15
de agosto de 1981, página 19.
[43]
Uma lista dos meus arquivos a partir dos anos
70 mostra 24 homens “ungidos” na sede mundial que
não eram do Corpo Governante.
Não me recordo de sequer um destes ter sido alguma vez convidado
a expressar-se
ao plenário do Corpo Governante acerca de qualquer tópico
durante meus nove
anos no Corpo.
[44]
1 Coríntios 11:3; Efésios 1:22, 23.
[45]
Ele citava um graduado de Gileade de nome
Blakenburg, que, pelo que me recordo, servia na América Latina.
[46]
Mateus 12:36, 37; Lucas 12:48; Romanos
14:10-12; 1 Coríntios 4:5; Gálatas 6:4, 7, 8.
[47]
O mesmo princípio se aplica com relação ao
“escravo mau” desta mesma parábola. A Torre de Vigia
fala de uma “classe do
escravo mau”, e no entanto, as pessoas a quem eles rotulam como
estando entre
estes não pertencem todos a uma única
organização específica, não formam um
grupo composto distinto. Qualquer pessoa dos “ungidos” que
deixasse a
organização e posteriormente publicasse
informação desfavorável a esta, seria
classificada como um “escravo mau” ainda que atuasse
simplesmente como indivíduo.
Como pode ser assim neste caso e não no caso daquele que se
enquadra na figura
do escravo fiel da mesma parábola?
[48]
Romanos 2:6, 7; 14:11, 12; Revelação 2:23, NM.
[49]
Compare com o uso muito similar da palavra
“quem” no Salmo 15:1-5.
[50]
Lucas 12:48, NM.
[51]
1 Coríntios 4:1, 2, NM.
[52]
1 Coríntios 4:3-5, NM.
[53]
Veja, por exemplo, A Sentinela de 15
de junho de 1982, páginas 21, 22.
[54]
Confira 1 Tessalonicenses 4:15-18.
[55]
Conforme indicado também pela parábola do
vinhedo (Mateus 20:1-16), Cristo não recompensa as pessoas de
modo diferente
com base no período de tempo em que se empenharam no
serviço dele. Na
ilustração os trabalhadores que foram para a obra por
último receberam o mesmo
salário daqueles que começaram antes, de modo que todos
foram “igualados”. Ele
não deu menos aos derradeiros, mas tampouco deu a eles mais que
aos outros. A
Sentinela passa a impressão de que as pessoas que servem na
época atual (o
“restante”) receberam um prêmio especial que nenhum
de seus antecessores
poderia ter recebido. O livro Aproximou-se o Reino de Deus de Mil
Anos,
página 354, afirma que, já que Cristo em 1919 estava numa
qualidade régia, “que
não possuía quando estava aqui na terra, no primeiro
século”, a “classe do
escravo”, conseqüentemente, entrava de 1919 em diante num
“serviço muito mais
importante”, “uma honra maior”. Isso significaria que
o serviço deles era de
categoria mais elevada que a dos cristãos do primeiro
século, que incluíam os
próprios apóstolos!
[56]
Tito 1:7, NM.
[57]
Tito 1:9.
[58]
1 Timóteo 3:15.
[59]
Compare com 1 Coríntios 12:4-31; Romanos
12:6-8.
[60]
Lucas 19:15-19.
[61]
De que outra forma pode alguém explicar que
Cristo volta em 1914, mas adia a inspeção de seus servos
por cinco anos até 1919?
O que esteve ele supostamente fazendo durante esses cinco anos? E onde
é que as
Escrituras dizem algo que indique que ele suspenderia a
prestação de contas com
seus servos dessa maneira? É evidente que não há
absolutamente nada que
comprove isto. Mas tem de ser assim. Por quê? Porque é
esta a explicação que se
ajusta a certas facetas da história da organização
e as aproveita. Se a prisão
dos encarregados da Torre de Vigia e a libertação deles
tivesse ocorrido em
1916 ou qualquer outra data, então a interpretação
teria de coincidir com essa
data, e essa data seria a da inspeção de Cristo. Aquilo
que a organização faz
ou que acontece a ela é que determina qual é o
cumprimento dos textos bíblicos,
e por extensão, qual é a programação do Amo.
[62]
A Sentinela, 1º de julho de 1974,
página 399; Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos,
páginas 241-247.
[63]
Revelação 3:21, NVI.
[64]
Romanos 8:17; Tiago 2:5.
[65]
Mateus 24:48-51, NM.
[66]
Tecnicamente, a expressão “escravo mau”
aplica-se supostamente apenas a pessoas “ungidas” que
deixam de submeter-se à
autoridade da organização Torre de Vigia, mas é
usada livremente para criticar
qualquer pessoa que o faça, “ungida” ou
“não ungida”.
[67]
Para uma consideração cabal deste assunto veja O
Sinal dos Últimos Dias - Quando? (em inglês,
Commentary Press, 1987), páginas 229-236.
[68]
Isaías 28:1, 7, 14-19.
[69]
3 João 9-11.