607 AEC ou 587 AEC?
“POR QUE ISSO É IMPORTANTE”
– A Justificativa Apresentada Para a Escrita dos Artigos

Ademais, o parágrafo acima
transmite a impressão de que ninguém sabe a data da destruição de Jerusalém,
de maneira que a revista A Sentinela
precisa explicar o assunto. Na realidade, os historiadores não só sabem
que este evento ocorreu em 587/586
AC, como consideram esta data exata.
E os cristãos em geral (eruditos ou não) a aceitam sem qualquer problema.
A única liderança religiosa importante no mundo que faz constante esforço
para contradizê-la é a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados
(sediada nos EUA). Por que os líderes desta organização religiosa têm
tanto interesse em desacreditar essa data? Porque há muito tempo eles
defendem outra data para o evento, 607
AEC. E eles têm uma poderosa razão para agirem desta maneira.
[1]
O verdadeiro propósito
dos artigos, então, dificilmente poderia ser ‘fortalecer a confiança
na autenticidade da Palavra de Deus’. Para a fé cristã, realmente não
faz qualquer diferença saber em que data ocorreu a destruição de Jerusalém
por Nabucodonosor, seja 587 AEC ou 607 AEC. Mas esse detalhe faz uma
diferença crucial para a liderança
da Torre de Vigia. É por isso que, do princípio ao fim, os artigos
foram escritos com o objetivo exclusivo de por
em dúvida a data histórica – 587 AC – e defender
a data 607 AEC.
Trecho do segundo parágrafo
(página 26):
Um trecho bem curto, mas
com dois problemas que são freqüentes nas publicações da organização:
1 - “cronologia amplamente aceita” x “evidências na própria Bíblia”
Qualquer estudante da história
antiga (incluindo os que escreveram estes números de A Sentinela) sabe que, em termos da cronologia neobabilônica, essa divergência
não existe. A informação contida
na Bíblia e as evidências dos historiadores estão
de pleno acordo quanto à data 587 AC e ambos contradizem a data 607 AEC.
[2]
2 - “as Testemunhas de Jeová defendem uma data...”.
Uma velha generalização. A maioria das Testemunhas de Jeová do mundo não defende este ensino por convicção pessoal, advinda de terem examinado cuidadosamente as evidências. Quem defende a data 607 AEC é a liderança das Testemunhas de Jeová. Essa mencionada maioria das Testemunhas se baseia unicamente nas publicações da Torre de Vigia (que refletem os conteúdos ideológicos da organização) e jamais consulta outras publicações. Dizemos “maioria”, porque algumas Testemunhas de Jeová às vezes se permitem verificar essa cronologia de maneira independente. E quando elas fazem isso, invariavelmente descobrem as falhas do ensino, chegando, por fim, a entender o motivo de sua liderança defender tanto a data 607 AEC.
Daí, essas Testemunhas
se confrontam com duas alternativas: continuar ensinando que Jerusalém
foi destruída em 607 AEC (junto com todos os ensinos derivados disso),
mesmo sabendo que a data está errada, ou respeitar a voz de sua consciência
e parar de ensinar isso. Independentemente de qual seja a decisão, cada
uma dessas Testemunhas se dá conta também de que não poderá jamais divulgar abertamente
suas descobertas a ninguém dentro da organização. Porque, se persistir
em fazer isso, certamente enfrentará conseqüências.
[1]
Para uma consideração
da importância da data 607 AEC para a Torre de Vigia, veja a Parte
5 deste folheto.
[2]
Esse tipo de afirmação enganosa é muito
comum nas publicações da Torre de Vigia quando o assunto tratado é
a cronologia neobabilônica. Neste mesmo número de A
Sentinela aparece a seguinte frase na página 29: “A linha do tempo baseada em suas
informações cronológicas [isto é, a dos historiadores] não bate com a da Bíblia.” Infelizmente, frases assim induzem
muitos leitores a pensar que existe mesmo um conflito entre a Bíblia
e os historiadores.