As Testemunhas de Jeová e a Comemoração
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A Comemoração e Você
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LÉM
DE CONDUZIR milhões de pessoas a não acatarem a instrução de Cristo, a
organização Torre de Vigia procura determinar até mesmo qual deve ser
a reação das pessoas a isso.
A publicação intitulada Poderá Viver
Para Sempre no Paraíso na Terra, páginas 201 e 202 (parágrafos 29
e 30) estabelece o contraste entre o que é feito pelos “ungidos”
e pelos “milhões de outros” que comparecem à comemoração feita nos Salões
do Reino das Testemunhas de Jeová em toda a terra:
29 Em adição a essas reuniões regulares, as Testemunhas de
Jeová realizam todo ano uma reunião especial, no aniversário da morte
de Jesus. Quando Jesus instituiu essa comemoração de sua morte, ele disse:
“Persisti em fazer isso em memória de mim.” (Lucas 22:19, 20)
Numa cerimônia simples, Jesus usou vinho e pão não-levedado como símbolos
da vida que estava prestes a sacrificar pela humanidade. Assim, nessa
refeição noturna comemorativa, anual, os do restante dos 144.000 seguidores
ungidos de Cristo na terra dão prova de sua esperança celestial por participarem
do pão e do vinho.
30 Os milhões de outros que assistem a essa Comemoração
nos Salões do Reino em toda a terra têm prazer em ser observadores.
São também lembrados do que Jeová Deus e Jesus Cristo fizeram para tornarem
possível seu livramento do pecado e da morte. Mas, em vez de tentarem
alcançar a vida celestial, eles regozijam-se com a perspectiva de viver
para sempre no paraíso na terra. São iguais a João, o Batizador,
que falou de si mesmo como “amigo do noivo”, em vez de parte da composta
noiva de Cristo, de 144.000 membros. (João 3:29)
Esses milhões de pessoas fazem parte das “outras ovelhas”, das quais Jesus
falou. Não são membros do “pequeno rebanho”. Contudo, conforme Jesus disse,
servem unicamente com os do “pequeno rebanho”, de modo que todos ‘se tornam
um só rebanho’. — João 10:16; Lucas 12:32.
Poderíamos levantar a questão quanto a
se todos esses milhões de pessoas (Testemunhas de Jeová “não-ungidas”
e convidados) sentem realmente prazer em ser apenas “observadores”.
Determinar precisamente quais são os pensamentos e sentimentos de cada
pessoa em meio a um grupo de milhões é algo realmente complicado. Provavelmente
é mais correto dizer que muitos, talvez a maioria dessas pessoas aja desta
forma porque vieram a aceitar os argumentos da liderança da organização.
As Testemunhas de Jeová são cabalmente doutrinadas nesse sentido. A idéia
de que é errado questionar ensinos da liderança é enfatizada constantemente
nas publicações da organização, e em razão disso, muitos encaram tal questionamento
como um pecado dos mais graves.
Nesse assunto da Comemoração, por exemplo,
vimos que os argumentos chegam a ter um tom intimidador. As publicações
vão ao ponto de proibir a participação para aqueles que não são do “restante
ungido”. E muitos, por se julgarem “indignos”, vêem a sua própria participação
como algo errado, “impróprio”, até “pecaminoso”. Mesmo que algumas pessoas
tenham certas dúvidas ou até estejam plenamente cientes da falta de validade
desses argumentos, ainda assim se refreiam de participar para evitar a
confrontação ou devido à atenção que isso atrairia. E não é exagero dizer
que há também muitos que nem sequer se preocupam em examinar esse assunto,
simplesmente aceitando o que quer que a organização Torre de Vigia diga,
por mais antibíblico que o ensino possa ser.
Contudo, em vez de nos determos numa demorada
análise do que cada uma dessas pessoas poderia pensar ou sentir, há uma
pergunta muito mais importante a se fazer: Como é que o Senhor da Comemoração
encara isso? Tem ele prazer em presenciar esta situação?
Façamos a seguinte ilustração: Imagine
que você convide muitos amigos seus para uma refeição em sua casa. Desejaria
você que apenas um ou dois destes amigos provassem dos alimentos oferecidos,
com base na “dignidade” superior que estes talvez tenham em relação aos
demais? Proibiria você a maioria dos seus convidados de comer, determinando
que eles se contentassem em apenas observar os outros comerem e ainda
tivessem prazer nisso? E você, como anfitrião? Teria prazer nessa maneira
de estabelecer as coisas?
É verdade que, no caso da comemoração
da morte de Cristo muito mais está envolvido do que simples alimentação.
Mas isso só acentua a seriedade da questão. Não podemos perder de vista
o fato de que não são homens ou organizações religiosas que nos estendem
o convite para o evento. Quem faz isso é o próprio Cristo. Assim, é o
pensamento dele, conforme expresso na Palavra de Deus, que deve ser nossa
preocupação, e não o que é ensinado por pessoas que afirmam ser seus representantes
na Terra.

Como já dissemos, não é o caso de a simples
participação garantir alguma coisa. Os membros de outras organizações
religiosas que talvez critiquem as Testemunhas de Jeová por estas deixarem
de participar, fariam muito melhor se examinassem
sua própria participação na comemoração, para averiguar se esta não é
apenas pró-forma. As palavras de Paulo em 1 Coríntios
capítulo 11 (conforme abordadas no Capítulo 5 deste folheto) tornam
claro quão vital é que cada pessoa faça esse auto-exame. Além do
mais, conforme mostramos neste folheto, não são as Testemunhas de Jeová
que decidiram deixar de participar por conta própria. Elas agem assim
por causa do que sua liderança persiste em ensinar.
O maior dano causado por este ensino é
que se nega à grande maioria das pessoas que comparecem ao evento uma
oportunidade de demonstrar pessoalmente sua fé no sacrifício de
Cristo. É verdade que todas as pessoas que vão aos Salões do Reino das
Testemunhas de Jeová ficam com a mente voltada para o ato de amor realizado
por Jesus. No entanto, como a vasta maioria das pessoas comparece lá apenas
para “observar”, cada uma delas é privada do ingrediente principal para
tirar o maior proveito da celebração. Pois é quando participamos ativamente
que temos a oportunidade de examinar se estamos realmente “discernindo
o corpo”, de examinar “o que nós mesmos somos” e de comer e beber ‘de
maneira digna’. Temos também a melhor condição de sentir de modo bem
pessoal que o sacrifício de Cristo foi feito para cada um nós, independentemente
de nossa posição ou situação na vida. E a participação nos dá a oportunidade
de demonstrar que aceitamos pessoalmente esse sacrifício feito
por nós.
Instamos, portanto, ao leitor deste folheto,
que reflita em tudo o que foi discutido. Se o seu exame das Escrituras
e sua consciência tornarem evidente que o anfitrião da refeição estendeu
o convite a você, e deseja que você tome parte ativa nela, tem toda a
liberdade para aceitar este convite. E pode ter a plena certeza de que
sua participação na refeição dá grande prazer a ele.
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