As Testemunhas de Jeová e a Comemoração
8
O Objetivo da Participação no Pão e no Vinho
| S |
EMPRE QUE um ensino da
Torre de Vigia é contestado, a reação da liderança da organização segue
o mesmo padrão. Ou as evidências que contradizem o ensino são totalmente
ignoradas ou se tenta lidar com elas de modo parcial, e através do uso
de argumentação tendenciosa. Examinamos neste folheto diversos exemplos
disso.
Acrescente-se
a isso outro método também usado com freqüência pelos homens da liderança:
enaltecer a organização e seus ensinos, ao mesmo tempo em que rebaixam
as pessoas que estão questionando e o próprio questionamento em si, referindo-se
a ambos em termos bem depreciativos.
Vejamos
um exemplo. Transcrevemos abaixo o parágrafo 14 do livro Revelação
¾ Seu Grandioso Clímax Está Próximo! (capítulo 9, páginas 44 e 45):
14 Desde os dias primitivos, a congregação cristã teve
de contender com apóstatas orgulhosos, os quais, com conversa
suave e enganosa, “causam divisões e motivos para tropeço contra
o ensino” provido por meio do canal de Jeová. (Romanos 16:17,
18) O apóstolo Paulo advertiu contra esta ameaça em quase todas as
suas cartas. Nos tempos modernos,
Logo
no parágrafo seguinte a este, são dados diversos exemplos do que estaria
incluído nessa “conversa suave e enganosa”. Entre as acusações feitas,
encontra-se a seguinte:

Ora,
se esses que questionam ensinos da Torre de Vigia estão na verdade questionando
“o canal de Jeová”, e se o que eles dizem não passa de ‘idéias sectárias’
e de uma ‘tentativa de causar divisão e tropeço’, então nenhum cristão
que se preza iria gastar tempo investigando isso, não é verdade? Por que
alguém daria atenção a “idéias inventadas”, originadas na imaginação de
“apóstatas orgulhosos”?
Além
dessa linguagem fortemente pejorativa, seguida por uma ameaça de punição
às mãos de Cristo, os dois parágrafos também se expressam em termos bem
vagos. Em se tratando da Comemoração, não dizem aos leitores o que exatamente
esses “apóstatas” da atualidade estão ‘inventando’. Mas não é difícil
descobrir. Se, como vimos até aqui, não há discussão
quanto a se a Comemoração deve ser feita com pães não-fermentados, ou
se deve ser realizada após o pôr-do-sol ou qualquer outro detalhe desse
gênero, então o livro só pode estar se referindo à questão da participação
geral dos cristãos no pão e no vinho, algo que é proibido pela
organização Torre de Vigia.
Mas
será que argumentar que o pão e o vinho da celebração nada têm que ver
com “esperança de vida celestial” e sim unicamente com o sacrifício de
Cristo e que, desta forma, todos os celebrantes podem e devem participar
desses alimentos, demonstrando fé no valor desse sacrifício é o mesmo
que “inventar idéias sobre a Comemoração da morte de Jesus”?
Para
a conveniência do leitor, reunimos aqui os principais textos bíblicos
relacionados diretamente com o pão e o vinho:
João
6:48-52; 53-55:
“Eu
sou o pão da vida. Vossos antepassados comeram o maná no ermo, e,
não obstante, morreram. Este é o pão que desce do céu, para que qualquer
um possa comer dele e não morrer. Eu sou o pão vivo que desceu do
céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e, de fato,
o pão que eu hei de dar é a minha carne a favor da vida do mundo.”
...Concordemente,
Jesus disse-lhes: “Digo-vos em toda a verdade: A menos
que comais a carne do Filho do homem e bebais o seu sangue, não tendes
vida em vós mesmos. Quem se alimenta de minha carne e bebe
meu sangue tem vida eterna, e eu o hei de ressuscitar no último dia;
pois a minha carne é verdadeiro alimento, e o meu sangue é verdadeira
bebida.
Embora
tais palavras tenham parecido chocantes para muitos, mais tarde ficou
claro que esse ato de ‘comer e beber’ seria efetuado de maneira representativa.
A conhecida passagem de Mateus 26:26-28 mostra
isso:
Ao
continuarem a comer, Jesus tomou um pão, e, depois de proferir uma bênção,
partiu-o, e, dando-o aos discípulos, disse: “Tomai, comei. Isto significa
meu corpo.” Tomou também um copo, e, tendo dado graças, deu-lho, dizendo:
“Bebei dele, todos vós; pois isto significa meu ‘sangue do pacto’,
que há de ser derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados”.

Numa
de suas cartas apostólicas, Paulo confirmou esse mesmo entendimento. Em
1 Coríntios 10:16,
encontramos estas palavras:
O
copo de bênção que abençoamos, não é uma participação no sangue do
Cristo? O pão que partimos, não é uma participação no corpo do
Cristo?
Um
pouco à frente, em 1 Coríntios 11:23-26, reafirmando
a instrução de Jesus, ele disse:
Pois
eu recebi do Senhor o que também vos transmiti, que o Senhor Jesus, na
noite em que ia ser entregue, tomou um pão, e, depois de ter dado graças,
partiu-o e disse: “Isto significa meu corpo em vosso benefício. Persisti
em fazer isso em memória de mim.” Ele fez o mesmo também com respeito
ao copo, depois de tomar a refeição noturna, dizendo: “Este copo significa
o novo pacto em virtude do meu sangue. Persisti em fazer isso, todas as
vezes que o beberdes, em memória de mim.” Pois, todas as vezes
que comerdes este pão e beberdes este copo, estais
proclamando a morte do Senhor, até que ele chegue.
Mas
ele deu um alerta com referência à atitude dos celebrantes. Foi
por isso que disse em 1 Coríntios 11:27-29:
Conseqüentemente,
quem comer o pão ou beber o copo do Senhor indignamente, será culpado
com respeito ao corpo e ao sangue do Senhor. Primeiro, aprove-se
o homem depois de escrutínio, e deste modo coma do pão e beba do
copo. Pois, quem come e bebe, come e bebe julgamento contra si mesmo,
se não discernir o corpo.
Todas
estas referências bíblicas são muito consistentes em associar esse pão
e vinho unicamente com a ‘recordação de Cristo’ e a ‘proclamação da morte
sacrificial dele’. A “vida eterna” e o “perdão
de pecados” estão disponíveis para “qualquer um” que depositar fé neste
sacrifício e simbolizar isto por ‘comer o pão e beber o copo’, fazendo-o
de maneira digna e com discernimento.
Devemos
nos perguntar: O que exige mais esforço da imaginação: Aceitar o que estes
textos dizem claramente ou extrair deles a idéia de que participar no
pão e no vinho significa obrigatoriamente que a pessoa vai para o céu?
É justo acusar os que não concordam com a limitação da participação a
um grupo de 144.000 de estarem “promovendo seita”, colocando-os na condição
de merecedores da punição divina, caso não se ‘arrependam’? À luz do que
os textos acima dizem, quem é que está realmente ‘inventando suas próprias
idéias sobre a Comemoração da morte de Jesus’? Que o leitor reflita cuidadosamente
acerca destas questões.
IR PARA A PARTE 9 ou IR PARA A LISTA DE ARTIGOS