O OBJETIVO
DA PARTICIPAÇÃO
NO PÃO E
NO VINHO
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EMPRE QUE um ensino da Torre de Vigia é
contestado, a reação da liderança da organização segue o mesmo padrão. Ou as
evidências que contradizem o ensino são totalmente ignoradas ou se tenta lidar
com elas de modo parcial, e através do uso de argumentação tendenciosa.
Examinamos neste folheto diversos exemplos disso.
Acrescente-se a isso
outro método também usado com freqüência pelos homens da liderança: enaltecer a
organização e seus ensinos, ao mesmo tempo em que rebaixam
as pessoas que estão questionando e o próprio questionamento em si,
referindo-se a ambos em termos bem depreciativos.
Vejamos um exemplo.
Transcrevemos abaixo o parágrafo 14 do livro Revelação ¾ Seu Grandioso
Clímax Está Próximo! (capítulo 9, páginas 44 e 45):
14 Desde os dias primitivos, a congregação cristã
teve de contender com apóstatas orgulhosos, os quais, com conversa suave
e enganosa, “causam divisões e motivos para tropeço contra o ensino”
provido por meio do canal de Jeová. (Romanos 16:17,
18) O apóstolo Paulo advertiu contra esta ameaça em quase todas as suas
cartas. Nos tempos modernos,
Logo no parágrafo
seguinte a este, são dados diversos exemplos do que estaria incluído nessa
“conversa suave e enganosa”. Entre as acusações feitas, encontra-se a seguinte:

Ora, se esses que
questionam ensinos da Torre de Vigia estão na verdade questionando “o canal de
Jeová”, e se o que eles dizem não passa de ‘idéias sectárias’ e de uma
‘tentativa de causar divisão e tropeço’, então nenhum cristão que se preza iria
gastar tempo investigando isso, não é verdade? Por que alguém daria atenção a
“idéias inventadas”, originadas na imaginação de “apóstatas
orgulhosos”?
Além dessa linguagem
fortemente pejorativa, seguida por uma ameaça de punição às mãos de Cristo, os
dois parágrafos também se expressam em termos bem vagos. Em se tratando da
Comemoração, não dizem aos leitores o que exatamente esses “apóstatas” da
atualidade estão ‘inventando’. Mas não é difícil descobrir. Se,
como vimos até aqui, não há discussão quanto a se a Comemoração deve ser feita
com pães não-fermentados, ou se deve ser realizada após o pôr-do-sol ou
qualquer outro detalhe desse gênero, então o livro só pode estar se referindo à
questão da participação geral dos cristãos no pão e no vinho, algo que é
proibido pela organização Torre de Vigia.
Mas será que argumentar que o pão e o vinho da celebração nada têm que ver
com “esperança de vida celestial” e sim unicamente com o sacrifício de Cristo e
que, desta forma, todos os celebrantes podem e devem participar desses
alimentos, demonstrando fé no valor desse sacrifício é o mesmo que
“inventar idéias sobre a Comemoração da morte de Jesus”?
Para a conveniência do
leitor, reunimos aqui os principais textos bíblicos relacionados diretamente
com o pão e o vinho:
João
6:48-52; 53-55:
“Eu
sou o pão da vida. Vossos antepassados comeram o maná no ermo, e, não
obstante, morreram. Este é o pão que desce do céu, para que qualquer um
possa comer dele e não morrer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se
alguém comer deste pão, viverá para sempre; e, de fato, o pão que eu hei
de dar é a minha carne a favor da vida do mundo.”
...Concordemente,
Jesus disse-lhes: “Digo-vos em toda a verdade: A menos que
comais a carne do Filho do homem e bebais o seu sangue, não tendes vida em
vós mesmos. Quem se alimenta de minha carne e bebe meu sangue tem
vida eterna, e eu o hei de ressuscitar no último dia; pois a minha carne é
verdadeiro alimento, e o meu sangue é verdadeira bebida.
Embora tais palavras
tenham parecido chocantes para muitos, mais tarde ficou claro que esse ato de
‘comer e beber’ seria efetuado de maneira representativa. A conhecida
passagem de Mateus 26:26-28 mostra isso:
Ao
continuarem a comer, Jesus tomou um pão, e, depois de proferir uma bênção,
partiu-o, e, dando-o aos discípulos, disse: “Tomai, comei. Isto significa
meu corpo.” Tomou também um copo, e, tendo dado graças, deu-lho, dizendo:
“Bebei dele, todos vós; pois isto significa meu ‘sangue do pacto’, que há de
ser derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados”.

Numa de suas cartas
apostólicas, Paulo confirmou esse mesmo entendimento. Em 1 Coríntios
10:16, encontramos estas palavras:
O
copo de bênção que abençoamos, não é uma participação no sangue do Cristo?
O pão que partimos, não é uma participação no corpo do Cristo?
Um pouco à frente, em 1 Coríntios 11:23-26, reafirmando a
instrução de Jesus, ele disse:
Pois
eu recebi do Senhor o que também vos transmiti, que o Senhor Jesus, na noite em
que ia ser entregue, tomou um pão, e, depois de ter dado graças, partiu-o e
disse: “Isto significa meu corpo em vosso benefício. Persisti em fazer isso em
memória de mim.” Ele fez o mesmo também com respeito ao copo, depois de
tomar a refeição noturna, dizendo: “Este copo significa o novo pacto em virtude
do meu sangue. Persisti em fazer isso, todas as vezes que o beberdes, em
memória de mim.” Pois, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes
este copo, estais proclamando a morte do Senhor,
até que ele chegue.
Mas ele deu um alerta com
referência à atitude dos celebrantes. Foi por isso que disse em 1 Coríntios 11:27-29:
Conseqüentemente,
quem comer o pão ou beber o copo do Senhor indignamente, será culpado com
respeito ao corpo e ao sangue do Senhor. Primeiro, aprove-se o homem
depois de escrutínio, e deste modo coma do pão e beba do copo. Pois,
quem come e bebe, come e bebe julgamento contra si mesmo, se não discernir o
corpo.
Todas estas referências
bíblicas são muito consistentes em associar esse pão e vinho unicamente com a
‘recordação de Cristo’ e a ‘proclamação da morte sacrificial
dele’. A “vida eterna” e o “perdão de pecados” estão disponíveis para “qualquer
um” que depositar fé neste sacrifício e simbolizar isto por ‘comer o pão e
beber o copo’, fazendo-o de maneira digna e com discernimento.
Devemos nos perguntar: O
que exige mais esforço da imaginação: Aceitar o que estes textos dizem
claramente ou extrair deles a idéia de que participar no pão e no vinho
significa obrigatoriamente que a pessoa vai para o céu? É justo acusar os que
não concordam com a limitação da participação a um grupo de 144.000 de estarem
“promovendo seita”, colocando-os na condição de merecedores da punição divina,
caso não se ‘arrependam’? À luz do que os textos acima dizem, quem é que está
realmente ‘inventando suas próprias idéias sobre a Comemoração da morte de
Jesus’? Que o leitor reflita cuidadosamente acerca destas questões.