PARALELOS ENTRE A
PÁSCOA
E A COMEMORAÇÃO CRISTÃ
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EMPRE QUE as Testemunhas de
Jeová realizam sua celebração, o orador que preside inclui explicações para
validar os procedimentos que serão seguidos. Ele diz à assistência por que a
celebração está sendo feita naquela noite específica, por que é feita em base anual e diversos outros detalhes
relacionados com a Bíblia e com a doutrina da organização. Tudo isso consta no
esboço, cujo conteúdo está disponibilizado no Apêndice 01 deste folheto.
Conforme
foi declarado na Introdução, no que se refere aos procedimentos que cada igreja
segue, não há por que polemizar. Já que a própria Bíblia não chega a esse nível
de discussão de detalhes técnicos, a questão de se determinar o que é “correto”
ou “errado” depende muito da interpretação da liderança de cada grupo
religioso. Por isso, não questionamos os procedimentos cerimoniais da
organização Torre de Vigia, nem os de qualquer outra religião.[1]
O que
se nota no caso dos líderes da Torre de Vigia, porém, é um padrão duplo de
pensamento, mesmo neste assunto. Como assim?
Porque
muito da argumentação que eles usam para definir os procedimentos que
consideram como os “corretos”, baseia-se unicamente
nos paralelos existentes entre a Páscoa judaica e a Comemoração da morte de
Cristo. Mas o interessante é que só existe essa preocupação de seguir de perto
o exemplo do que ocorria na Páscoa quando isso não compromete a doutrina da
organização. Se, ao contrário, o paralelo contradizer algo que a organização
defende, ele é simplesmente desconsiderado ou até deturpado.

Consideremos
as similaridades costumeiramente apontadas nas publicações da Torre de Vigia:
Mas
estas são apenas questões referentes ao cerimonial. Como será mostrado a
seguir, existem diversos outros pontos de contato muito mais importantes
que a própria Bíblia estabelece entre as duas celebrações e que são aceitos sem
qualquer questionamento pela Torre de Vigia. O aspecto contraditório disso é
que, ao mesmo tempo em que a organização publica muita matéria enfatizando
esses paralelos, quando se coloca a questão da participação geral nos
alimentos simbólicos, ocorre uma surpreendente reversão. Nesse ponto, a
organização passa a fazer todo o esforço para provar que uma das celebrações não
é típica da outra!
Analisemos, como exemplo, uma resposta que foi
dada num momento em que essa questão surgiu. A matéria encontra-se na
revista A Sentinela de 15 de fevereiro de 1985, páginas 17, 18:
A Páscoa e a Comemoração
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Alguns sugeriram que o crescente número dos das “outras ovelhas” deviam tomar
os emblemas. Raciocinam do seguinte modo: Visto que “a Lei tem uma sombra das
boas coisas vindouras”, e visto que um dos requisitos da Lei era a guarda da
Páscoa tanto pelos israelitas como pelos residentes forasteiros circuncisos,
isto daria a entender que ambas as classes de pessoas semelhantes a ovelhas, no
“um só rebanho” sob “um só pastor”, deviam tomar os emblemas da Comemoração.
(Hebreus 10:1; João 10:16; Números 9:14) Isto suscita
uma importante pergunta: Era a Páscoa tipo da Comemoração?
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É verdade que certos aspectos da observância da Páscoa no Egito,
sem dúvida, se cumpriram
Embora reconheça os
paralelos existentes, estes já são apresentados apenas como “certos aspectos”.
A matéria da Sentinela até grifa esta expressão. E há um detalhe que é
logo introduzido sutilmente, sem qualquer confirmação bíblica. É o seguinte:
Dá-se a entender que o
sangue de Cristo foi ‘aspergido’ apenas em benefício dos “primogênitos
alistados nos céus”. A Torre de Vigia entende que esses “primogênitos”
referem-se apenas aos 144.000. Mesmo que isso fosse verdade, ainda não seria
possível encontrarmos uma base bíblica para o que o parágrafo sugere. Os textos
citados (Hebreus 12:23, 24 e Efésios
1:3, 7) não apóiam a idéia. A Bíblia ensina consistentemente que o sangue
de Cristo foi ‘derramado’ em benefício de muitos, como resgate
correspondente por todos, não só por alguns. Embora Hebreus 12: 23, 24 fale nesses “primogênitos alistados nos céus”, não diz em
momento algum que o resgate beneficiaria apenas a eles.
Note-se que não há
hesitação em apontar o paralelo entre as duas celebrações, principalmente
porque esta particularidade referida no parágrafo anterior parece apoiar o
ensino da organização. Como a palavra “primogênitos”
aparece em ambos os casos e uma vez que a organização entende que os
“primogênitos alistados nos céus” são apenas os
Após ter reconhecido que
todas estas particularidades da Páscoa (essenciais, devemos salientar)
apontavam para o sacrifício de Cristo, a Sentinela procura estabelecer certas
diferenças. O parágrafo 8 prossegue dizendo:
8
Não obstante, a Páscoa não era estritamente tipo da
Refeição Noturna do Senhor. Por que não? Quando se instituiu a Páscoa no Egito,
consumia-se a carne dum cordeiro assado, mas não se consumia nada do sangue do
cordeiro pascoal. Em contraste, porém, quando Jesus instituiu a Comemoração de
sua morte, ele mandou especificamente que os então presentes comessem sua carne
e bebessem seu sangue, simbolizados pelo pão e pelo vinho. (Êxodo 12:7, 8;
Mateus 26:27, 28) Neste aspecto muito importante
— o sangue — a Páscoa não era tipo da Refeição Noturna do Senhor.
O que é ocorre aqui é um
desvio sutil da questão, juntamente com omissão de fatos.
Desde o início, o que
está em discussão, é se os que comparecem a ambas as celebrações devem
participar dos alimentos ou não. Diante disso, quais são exatamente os símbolos
usados, é qual é o uso específico que se faz deles são questões secundárias.
Na Bíblia, quando uma
realidade tipifica outra, os paralelos devem obrigatoriamente existir, mas não
se requer de modo algum que todos os detalhes sejam “estritamente” iguais. Se
fosse assim, todos os paralelos que a Torre de Vigia aponta existirem na Bíblia
deveriam seguir este padrão e não é isso que ocorre.
Se fizermos uma
comparação, veremos que o sangue está presente nas duas celebrações, sim, e de
maneira decisiva, fazendo a diferença entre a vida e a morte. No caso da
primeira Páscoa, o sangue do cordeiro foi aspergido nas ombreiras das portas, o
que significou salvação para os primogênitos dos israelitas. Analogamente, na
comemoração, o sangue de Cristo, também significa salvação de muitas vidas. O
‘aspecto’ do sangue estava tão presente na Páscoa que ela era realmente chamada
de “sacrifício da Páscoa” (veja Êxodo 12:26, 27).
Nenhum israelita bebia o sangue do cordeiro pascoal, porque isso era proibido
(e a Lei Mosaica manteve a proibição). No caso da Comemoração cristã, bebe-se o
vinho, mas ele é apenas uma representação. Ninguém bebe literalmente
o próprio sangue do Cordeiro Jesus Cristo.
Se a questão se resumisse
aos próprios símbolos e seu uso, a Sentinela não deveria omitir que, mesmo
o vinho, pode não ter sido usado quando a Páscoa judaica foi instituída,
mas foi acrescentado à celebração posteriormente, e a organização está a
par deste fato. Em algum momento, todos os judeus que compareciam à Páscoa
começaram a usar copos de vinho como parte da celebração. Jesus não fez
qualquer objeção a isso, e ainda introduziu este vinho como símbolo de seu
próprio sangue salvador.
Portanto, no “aspecto
muito importante” do sangue, o paralelo entre as duas celebrações é muito
claro. O fato de que os judeus da antiguidade não bebiam o sangue do cordeiro
não invalida de modo algum esse paralelo e nem constitui em si mesmo uma prova
de que alguém deva deixar de participar na Comemoração hoje.
No parágrafo seguinte da Sentinela,
a organização procura encontrar outro ponto de ataque. Vejamos:
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Há algo mais que não deve ser despercebido. Jesus considerou com seus
discípulos dois pactos relacionados, “o novo pacto” e ‘um pacto para um reino’.
(Lucas 22:20, 28-30) Ambos os pactos tinham que
ver com os participantes se tornarem compartilhadores
com Cristo Jesus quais sacerdotes e reis. Mas em Israel, nenhum residente
forasteiro circunciso jamais podia tornar-se sacerdote ou rei. Neste respeito,
também, encontramos uma diferença entre a festividade da Páscoa, em Israel, e a
Refeição Noturna do Senhor.
De novo a Sentinela
se desvia da questão e omite fatos. Quem lê este parágrafo é induzido a pensar
que existe uma diferença, onde, na realidade, não há diferença alguma! O que se
faz é um jogo de palavras para levar milhões de pessoas a aceitar uma
determinada doutrina.
Analisemos por partes.
Primeiro afirma-se que:
“Ambos
os pactos tinham que ver com os participantes se tornarem compartilhadores com Cristo Jesus quais sacerdotes e reis.”
Ora, este é o ensino da
organização! Não há um só texto bíblico que apóie a idéia de que o “novo pacto”
tinha alguma coisa que ver com isso! O parágrafo não dá prova alguma. Apenas
afirma. Daí, com a mente dos leitores convenientemente focalizada nisso,
acrescentam-se estas duas frases:
“Mas
em Israel, nenhum residente forasteiro circunciso jamais podia tornar-se
sacerdote ou rei. Neste respeito, também, encontramos uma diferença entre a
festividade da Páscoa, em Israel, e a Refeição Noturna do Senhor.”
E o escritor da matéria
deixa de mencionar o seguinte: Nem mesmo a vasta maioria dos israelitas
naturais podia tornar-se sacerdote ou rei. Segundo a Bíblia, tais
privilégios só estavam disponíveis para a tribo de Levi e para a tribo de Judá,
respectivamente. E a designação estava restrita a apenas uma família de cada
tribo. No caso dos levitas, somente os descendentes de Arão podiam
tornar-se sacerdotes. Na tribo de Judá, só os da descendência de Davi
tinham direito legal ao trono.
Como esta informação
enfraqueceria o argumento, é omitida na Sentinela. E uma vez que neste
ponto a mente dos leitores foi desviada para a questão de quem podia ou não “se
tornar sacerdote ou rei”, todos já esqueceram qual era o assunto
Com base nessas
“diferenças” apontadas nos parágrafos 8 e 9, o parágrafo 10, apresenta a
“conclusão”:
10
Portanto, a que conclusão nos leva isso? O fato de que o residente forasteiro
circunciso comia o pão não levedado, as ervas amargas e o
cordeiro da Páscoa não determina hoje que os que são das “outras
ovelhas” do Senhor e que estão presentes à Comemoração devam tomar o pão e o
vinho.
Eis o que a matéria da Sentinela
fez para chegar a essa conclusão:
Se o raciocínio partisse
de bases concretas, atendo-se apenas à informação bíblica, e reconhecendo o
amplo paralelismo existente, as conclusões seriam as seguintes:
A motivação por trás
desse esforço que a organização faz para enfraquecer o paralelismo entre a
Páscoa e a Comemoração, é inquestionavelmente o desejo de defender a todo custo
uma doutrina religiosa particular. Como vimos acima, informações simples,
conhecidas por todos os leitores da Bíblia, são suficientes para mostrar a
falta de validade da argumentação que se usa em apoio dessas supostas
“diferenças”.