O ENSINO DA TORRE DE
VIGIA
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OMO MUITOS SABEM, as Testemunhas de
Jeová entendem os 144.000 (mencionados no Apocalipse 7:4 e 14:1, 3) como um
número literal. A organização ensina que apenas estes são destinados a
irem para o céu. De acordo com a doutrina, eles têm sido escolhidos por Deus
desde o primeiro século da Era Cristã e ainda existem alguns vivos na Terra
atualmente, que se encontram dentro da organização das Testemunhas de Jeová e
em nenhum outro lugar. Uma vez que se crê que todas estas pessoas serão reis e
sacerdotes no céu, junto com Cristo, e como a organização alista cerca de 8.000
restando vivos na Terra, as Testemunhas os chamam de “restante ungido”. Entre
as Testemunhas de Jeová existem, portanto, duas classes: Os “ungidos”, que são
esses cerca de 8.000 membros e a “grande multidão” (cujos integrantes são
conhecidos também como “outras ovelhas” ou “jonadabes”),
composta pelas demais Testemunhas, que não irão para o céu, mas viverão para
sempre na Terra.
Já por muitas décadas
este tem sido um ensino peculiar às publicações da Torre de Vigia. E, diferente
do que se poderia imaginar, os mais fortes questionamentos dele não têm se
originado de membros de outras organizações religiosas, e sim de ex-Testemunhas
de Jeová. Muita matéria que contesta esse entendimento dos 144.000, como
número literal, e da “grande multidão” como sendo uma “classe terrestre” tem
sido escrita por dissidentes da organização. Uma vez que este folheto não tem o
objetivo primário de questionar isso, não será apresentada toda essa informação
aqui.[1]
Mas é importante fazermos esta breve referência à doutrina, pois tal informação
é essencial para se entender por que a vasta maioria das Testemunhas se abstém
de participar do pão e do vinho simbólicos.
Durante a comemoração, se
alguma delas participar, os demais presentes concluirão que esta pessoa está
afirmando ser parte do “restante ungido”. A idéia é que, quando Jesus instituiu
a celebração e disse ‘comei e bebei todos vós’ (Mateus 26:26-28),
ele estava falando apenas com os desse grupo. A aplicação que a Torre de Vigia
faz desse texto apenas aos 144.000 não é algo isolado. Muitos textos bíblicos
que os membros de outras religiões entendem aplicar-se a todos os verdadeiros
cristãos são também entendidos desta maneira. Por exemplo, tudo o que o Novo
Testamento relaciona com a “nova aliança” (“novo pacto”, segundo a Tradução
do Novo Mundo) é também aplicado pela Torre de Vigia apenas aos “ungidos”.
Além de ensinar que a esperança de vida celestial é exclusividade deles, a
organização ensina também que Jesus Cristo é o Mediador apenas entre Deus e
estes ungidos, sendo que apenas eles constituem o que o apóstolo Paulo chama de
“Israel de Deus” (Gal. 6:16) Nada disso se aplica às
outras Testemunhas de Jeová, nem aos demais cristãos. (Para exemplos do que a
Torre de Vigia ensina sobre isso, veja a lista de citações de publicações no
quadro do final deste capítulo.)
Mas, e se alguém que não
afirma ser desse grupo do restante dos 144.000 comer o
pão e beber o vinho usados na Comemoração? As Testemunhas dirão que essa pessoa
está “participando indignamente”, e se ela persistir nisso será julgada
adversamente por Deus. Isso porque tal pessoa não recebeu ‘o testemunho do
espírito’ (mencionado em Romanos 8:16) e nem é “filho
de Deus” no pleno sentido da palavra. Segundo a organização, apenas os 144.000
receberam esse ‘testemunho’ e gozam da condição de cristãos ‘nascidos de novo’.
A informação apresentada
nos parágrafos acima é apenas um resumo dos ensinos tradicionais da Torre de
Vigia quanto a este assunto. Existem muitos outros detalhes e as publicações
apresentam várias linhas de argumentação em defesa desses ensinos.[2] Frisamos que este folheto não tem o
objetivo de discutir se o número 144.000 é literal ou não. Tampouco há aqui a
idéia de questionar ensinos bíblicos claros relacionados com o Reino de Deus e
com a vida eterna.
A verdadeira questão que
constitui o escopo deste trabalho é: Há realmente base bíblica para essa
conexão que a Torre de Vigia faz entre a esperança de vida celestial e a
participação no pão e no vinho usados na comemoração da morte de Cristo? Para
se analisar isso, há necessidade de examinarmos os argumentos mais importantes
que aparecem nas publicações da organização, verificando-os à luz do que diz a
Bíblia. É por isso que este folheto foi publicado.
Sem dúvida, o argumento
principal que se usa como base para esta conexão é aquilo que Jesus declarou
sobre os “pactos” na noite em que instituiu a comemoração de sua morte. O
entendimento da organização sobre isso será considerado nos próximos dois
capítulos.
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O QUE A
LIDERANÇA DA TORRE DE VIGIA ENSINA
SOBRE OS 144.000 “UNGIDOS”
(Esta lista de ensinos e de citações de modo
algum é exaustiva. Mas ela é bem representativa da maneira como as
publicações se expressam inúmeras vezes acerca dos 144.000. Foi incluída aqui
para que o leitor possa confirmar facilmente o que dissemos neste capítulo.) ___________________ O NÚMERO 144.000 É LITERAL, NÃO SIMBÓLICO “... o contexto de Revelação 7:4, bem como
declarações relacionadas encontradas em outras partes da Bíblia, confirma que
o número 144.000 deve ser tomado literalmente.” (A Sentinela de 1º de setembro de 2004, pág. 31) SÓ ELES VÃO PARA O CÉU “... a Bíblia estabelece dois destinos para
humanos fiéis: (1) vida perfeita numa terra paradísica
restaurada e (2) vida no céu para o “pequeno rebanho” de Cristo, de
144.000 membros.” (A Sentinela de 15 de agosto de 1989,
pág. 30) APENAS ELES ESTÃO NO “NOVO PACTO” “Claramente, pois, o novo pacto não é um arranjo livre, aberto a toda
a humanidade. Trata-se duma cuidadosamente providenciada provisão legal
envolvendo Deus e os cristãos ungidos.” (A
Sentinela de 15 de agosto de 1989, pág. 30) O PACTO DO REINO TAMBÉM FOI FEITO ENTRE JESUS E ELES, UNICAMENTE “Na sua última noite com os discípulos, o próprio Jesus também fez um
pacto diferente com eles. “Eu faço convosco um pacto”, disse-lhes, “assim
como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino”. (Lucas 22:29)
Este é o pacto do Reino. O número dos humanos imperfeitos incluídos no pacto
do Reino é de 144.000.” (A Sentinela de 15 de
março de 2004, pág. 6) AS EXPRESSÕES “ISRAEL ESPIRITUAL” E “ISRAEL DE DEUS” REFEREM-SE A ELES “O número dos selados pelo espírito santo para
serem parte do Israel espiritual é de 144.000, ‘comprados dentre a
humanidade’”. (A Sentinela de 1º de fevereiro de 2002,
pág. 20) “Cada membro do “Israel de Deus” é um cristão dedicado, batizado
e ungido com espírito santo...” (A Sentinela de 1º de março de
2004, págs. 9 e 10) JESUS É O MEDIADOR ENTRE DEUS E ELES, ESTRITAMENTE “...em estrito
sentido bíblico, Jesus é o “mediador” apenas dos cristãos ungidos.” (A Sentinela de 15 de setembro de 1979, pág. 32. Veja também A
Sentinela de 15 de agosto de 1989, págs. 30 e 31) CONSTITUEM “O ESCRAVO FIEL E DISCRETO” DE CRISTO “Antes de Jesus morrer, ele prometeu que “o escravo fiel e discreto”
proveria aos seguidores de Jesus o “alimento [espiritual] no tempo
apropriado”. (Mateus 24:45) O restante dos 144.000
ungidos constitui hoje essa classe do escravo. Por meio deles, Jeová
realmente tem providenciado uma abundância de alimento espiritual.” (A Sentinela de 15 de janeiro de 2004, pág. 18) A IMORTALIDADE É RECOMPENSA EXCLUSIVA DELES “’Imortalidade’ significa mais do que apenas nunca morrer. Envolve ‘o
poder duma vida indestrutível’... Por conceder aos SÃO OS ÚNICOS “FILHOS DE DEUS”, “IRMÃOS DE CRISTO”, BEM COMO A “NOIVA
DE CRISTO” “O termo ‘noiva’ é aplicado aos co-herdeiros de Cristo qual
congregação e qual corpo celeste de pessoas, que finalmente somam
144.000. Como pessoas, quer homens, quer mulheres,
são chamados diversamente ‘filhos de Deus’, ‘irmãos” de Cristo’ e ‘virgens’.” (A Sentinela de 15 de janeiro de 1975, pág. 62) SÃO OS ÚNICOS CRISTÃOS QUE ‘NASCEM DE NOVO’ “De acordo com todos os textos sobre o assunto,
os ‘nascidos de novo’ serão comparativamente poucos... Quantos deles é que
haverá? O apóstolo João fala sobre ver 144.000 israelitas espirituais selados
nas testas, também sobre 144.000 em pé no Monte Sião,
junto com o Cordeiro Jesus Cristo.” (A Sentinela
de 1º de fevereiro de 1982, pág. 19) O RESTANTE DELES NA TERRA ENCONTRA-SE ENTRE AS
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ “É privilégio das Testemunhas de Jeová ter no seu
meio os últimos dos membros do corpo de Cristo, batizados pelo espírito, que
servem como ‘escravo fiel e discreto’ para prover alimento espiritual no
tempo apropriado.” (A Sentinela de 1º de fevereiro de 1992,
pág. 14) |
[1] Caso o leitor tenha
interesse em examinar alguns destes questionamentos com mais detalhes,
recomendamos o folheto Onde a “Grande Multidão” Serve a Deus? (Jon Mitchell) e também o capítulo
13 do livro Em Busca da Liberdade Cristã (Raymond Franz), subtópicos “Duas Classes de Cristãos” e “As Outras
Ovelhas”. Versão em português de ambas as publicações: 2008 (Commentary Press – Atlanta – EUA)
[2] Apresentamos nesta
edição um comentário de todos os parágrafos de um estudo de A Sentinela. Serve
como exemplo da argumentação das publicações da Torre de Vigia. Esta análise encontra-se
no Apêndice 4.